domingo, 21 de outubro de 2012

Bondinho do Pão de Açúcar completa um século com planos de mudanças

Bondinho 20/10/2012 - O Globo

Teleférico tem projeto de revitalização e sonho de uma nova linha entre os morros da Urca e da Babilônia, que constava de projeto original.

O bondinho do Pão de Açúcar iluminado pelo sol da tarde no Rio Custódio Coimbra / O Globo

RIO Um colosso de 396 metros de altura, dominado à custa de muita ousadia e suor, flutua sobre a Baía da Guanabara há milhões de anos. Mas foi nos últimos cem anos que a rocha selvagem, que faz contraste com o verde do mar e o céu mais azul da Guanabara, virou um mirante de luxo para cariocas e turistas. O bondinho chegou ao alto do Pão de Açúcar graças a uma façanha da engenharia nacional e foi inaugurado em outubro de 1912. No próximo dia 27, é seu centenário. Quando começou a ser imaginado, o Rio mal saía de uma epidemia de febre amarela que assolou a cidade, a Avenida Central havia sido rasgada sob inspiração parisiense e a Candelária tinha finalmente sido concluída. Conceber um teleférico, àquela altura do campeonato, era coisa de maluco, como chegou a ser tachado seu idealizador, o engenheiro Augusto Ramos. Ele provou que não.

Do alto do cartão-postal, que antecedeu o próprio Cristo Redentor, pode-se gravar na retina, ou em fotos, um dos mais encantadores 360 graus da cidade. Pendurada por cabos, a viagem dois morros acima, que começa na Praia Vermelha, é rápida. E uau! Estão lá a Pedra da Gávea, Copacabana no recorte de praias da Zona Sul, o Centro e o próprio Corcovado em sua cadeia de montanhas. Nos últimos anos, o Pão de Açúcar foi um cartão-postal em movimento, com passeios de tirar o fôlego, incluindo gerações de montanhistas, cenário de filmes como 007, em que o ator Roger Moore aparece lá em cima numa inacreditável cena de luta, e de shows do Noites Cariocas, marco dos anos 80.

Se o doce bárbaro impressionou os primeiros navegantes que chegaram por aqui para fundar o Rio de Janeiro, o Pão de Açúcar, e seu bondinho transparente, continua a ocupar hoje um lugar especial, por ser um feito histórico, um ícone urbano e pop e, ao mesmo tempo, um monumento da natureza. Parabéns, gigante.


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