segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Britadeiras abrem o caminho para uma nova Penha

29/10/2012 - O Dia, Cláudio Vieira

Bairro passa por transformação para construção de corredor Transcarioca, que afeta o comércio, mas promete melhorias

Com a pacificação do Complexo do Alemão, já não se ouve mais o barulho assustador de tiroteios. O som ambiente na Penha é outro: o das máquinas abrindo passagem para a Transcarioca, o corredor de ônibus que ligará a Barra ao Galeão. A comunidade, que vivia trancada em casa, está nas ruas de um bairro em transformação. Mas as melhorias trazem ônus.
"As ruas ficaram tão tranquilas que até os mendigos voltaram para ocupar as cercanias do Parque Xangai", alfineta o comerciante Luís Carlos Martins Valente, dono de lanchonete na Rua dos Romeiros.
O comércio já se preocupa com o impacto do barulho e da poeira nos negócios. Apesar de afetar as vendas, empresários apostam nas vantagens da conclusão do trecho do BRT e a duplicação do viaduto João 23.
Fiéis de Nossa Senhora da Penha poderão se deslocar da Barra ou da Ilha e descer à porta do plano inclinado que dá acesso ao santuário.
Os comerciantes serão convocados para reuniões com o subprefeito da Zona Norte, André Santos, para opinar sobre cronograma e estratégia de obras nos próximos meses.Além da construção do trecho da via expressa, o centro comercial do bairro está recebendo diversas melhorias.
Foram inauguradas no Parque Ary Barroso e arredores a Arena Cultural Dicró, que serve de palco para os jovens talentos locais e oferece espetáculos gratuitos, uma ciclofaixa e uma academia de ginástica para a terceira idade.
Do outro lado da linha do trem, a área do antigo IAPI ganhará, no início de novembro, uma Nave do Conhecimento semelhante às instaladas em Madureira e Irajá.
Mês da santa
Há quem atribua as mudanças aos milagres de Nossa Senhora, padroeira do bairro. Mais de 100 mil pessoas visitaram o Santuário da Penha este mês, dedicado à santa.
"Dia 20, recebemos mais de 30 mil pessoas, quando foram celebradas nove missas", afirma o pároco Serafim Fernandes.
A Festa da Penha completou 377 anos. Moradora do bairro, Cláudia Aparecida trabalha há quatro anos conduzindo o bondinho do plano inclinado que transporta os devotos. Conheceu vários pagadores de promessas: "A gente acaba fazendo amizade".
Com creche, mas ainda sem teleférico
Há dois anos, lideranças de comunidades do Complexo da Penha entregaram ao poder público lista de pedidos de intervenções, que passavam por obras de contenção de encostas, cobertura de quadras poliesportivas e construção de creches.
Alcir Azevedo, primeiro secretário da Associação de Moradores do Morro da Caixa D'água, diz que os pedidos foram atendidos. Mas cobra ainda investimento semelhante ao que ocorreu no Complexo do Alemão.
"Dizem que a verba do PAC já foi liberada. Esperamos receber benefícios semelhantes aos que foram instalados no Alemão", diz, Alcir, referindo-se ao teleférico.
Apelo por investimento nos trens
Presidente da Associação Comercial e Industrial Leopoldinense, Marco Moutinho acredita que um dos principais problemas da Penha é falta de incentivo para o transporte ferroviário.
Ele aponta falha no planejamento da estação: acessos só por escadas. "Isso dificulta que idosos e portadores de necessidades especiais usem o trem". Moutinho observa que, de carro, engarrafamentos fazem o trajeto da Penha ao Centro levar até duas horas. De trem, chega-se à Central do Brasil em menos de 20 minutos.
"Se houvesse maior investimento nos trens e nas estações, diminuiria o número de linhas de ônibus que congestionam o bairro e a Av. Brasil", conclui.


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