sábado, 8 de dezembro de 2012

Hotel na Glória projetado por Oscar Niemeyer virou 173 quitinetes

08/12/2022 - O Globo

Construção foi projetada para ser um hotel, mas não teria sido aprovada pela prefeitura para essa finalidade

Curvas. As linhas da fachada do edifício acompanham a curvatura da calçada

MARCOS TRISTÃO

RIO — É fácil deixar a imaginação agir quando se trata de uma obra do arquiteto Oscar Niemeyer. No caso do prédio na Rua Hermenegildo de Barros 8, na Glória, nos limites com Santa Teresa, não poderia ser diferente. Para muito moradores, os cinco pilotis (colunas estruturais) no andar térreo mais se parecem com "moças de pernas para o alto". Essa também é a impressão da porteira e moradora Tereza Gonçalves, de 48 anos. Batizado de Estrela da Serra, o prédio projetado pelo arquiteto foi construído, segundo moradores, em 1955. Para quem vive ali, mesmo antes da morte de Niemeyer, já era um orgulho ter como endereço um "monumento". Segundo Maria do Socorro de Mesquita, de 65 anos, síndica do prédio de nove andares e 173 quitinetes de apenas 21 metros quadrados, a construção foi projetada para ser um hotel. No entanto, não teria sido aprovada pela prefeitura para essa finalidade e acabou se tornando um condomínio residencial. Segundo a síndica, as características iniciais do projeto foram preservadas.

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— Preservamos até a cor da tinta da fachada. Trata-se de um verde jade. Toda vez que o edifício é pintado, temos que mandar fazer a tinta. Os azulejos originais também foram mantidos. Temos a planta projetada pelo Niemeyer. Eu sempre gostei de morar aqui. Agora esse prédio vai virar história — contou Maria do Socorro.
R$ 700 reais para morar no local
Do lado de fora, o prédio acompanha a curva da esquina da rua. Para o morador Iuri Frigoletto, de 39 anos, a obra foi projetada de uma maneira a não agredir as características da região.
— Gosto bastante de morar nesse edifício. Ele foi projetado de uma maneira que não é castigado pelo sol. É bem arejado, e a temperatura fica bastante baixa nos apartamentos. Os pilares em tesoura invertida são lindos — comentou Iuri.
Para morar no edifício, o corretor de seguros Roberto Rodrigues, de 72 anos, conta que paga por mês R$ 700, sendo R$ 300 de condomínio. Para ele, o prédio atende às necessidades de que ele precisa.
No entanto, segundo os moradores, já houve modificações, como a abertura do pátio para uma garagem, e mudanças na portaria e nas grades.
— Lamento a morte do Niemeyer. Ele viveu bastante, mas vai fazer falta. Fico feliz em morar num lugar que foi projetado por ele — disse Rodrigues.
Segundo Tereza Gonçalves, a porteira que mora no edifício, o local já se tornou atração turística:
— Recebemos visitas de estudantes que querem conhecer uma construção de Niemeyer. Conto para todo mundo que moro num prédio que foi projetado pelo maior arquiteto do país.

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