quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Para especialistas, reforma parcial do Elevado do Joá não resolve

06/12/2012 - O Globo

Associação estima que recuperação total custaria R$ 105 milhões

Um relatório da Coppe/UFRJ apontou que é grave o estado de degradação estrutural dos dentes de apoio das vigas do elevado Pablo Jacob / O Globo

A decisão do prefeito Eduardo Paes de fazer uma recuperação apenas parcial do Elevado do Joá em lugar de uma intervenção mais radical para pôr fim à corrosão que ameaça a integridade da via virou na quarta-feira motivo de críticas entre especialistas. Engenheiros alertam que a decisão apenas empurra para adiante o problema e pode colocar em risco quem passa pelo local. A recuperação completa do Joá, como recomendou o programa de Engenharia Civil da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe/UFRJ), custaria cerca de R$ 105 milhões. A estimativa é da Associação Brasileira de Pontes e Estruturas (ABPE).

Eduardo Paes argumenta que, como restam incertezas sobre as reais condições de conservação nas partes internas do Elevado do Joá que não são possíveis de observar por falta de acesso, é muito mais econômico e menos oneroso para a cidade que a prefeitura faça as obras de manutenção que, ao longo do tempo, forem apontadas como necessárias. Paes já autorizou a realização de obras emergenciais no valor de R$ 7 milhões, sem licitação. O professor da Coppe, Eduardo de Miranda Batista, que coordenou o estudo, discorda proposta de Paes.

A vida útil do Joá acabou. Demonstramos isso na terça-feira no Clube de Engenharia. A solução nós apresentamos. Encontramos problemas sérios vistoriando apenas 40% da estrutura. A reforma que a prefeitura promete fazer cobre apenas as áreas onde o problema é visível. Mas 60% das áreas do Joá não podem ser fiscalizadas disse Eduardo Batista.

Causas são discutidas

As causas para o Joá se encontrar no estado atual são motivo de divergência. Para alguns especialistas, houve falha de projeto porque o empreendimento não previu galerias de manutenção. Para outros, privilegiou-se o projeto mais barato; enquanto há aqueles que apontam o descuido com a manutenção ao longo dos anos como o maior problema.

O vice-presidente da ABPE, Ubirajara Ferreira da Silva, também defende que a recuperação completa do elevado. Para ele, esse não seria o momento de procurar culpados pela situação atual do Joá. Mas de encontrar a melhor solução.

O que a prefeitura propõe é atuar com base na incerteza. Isso não é possível . Qualquer análise tem que levar em conta que as regras em vigor para construir no país eram diferentes das atuais e as galerias de manutenção não eram exigidas. O que não resta dúvidas é que ao longo de anos houve problemas de manutenção disse Ubirajara Ferreira.

Ontem, Paes preferiu não comentar o assunto. A secretaria municipal de Obras informou que ainda não concluiu o planejamento da execução das obras de emergência. Os estudos vão indicar os horários em que o elevado ficará fechado. Ao todo, serão recuperados 23 dentes gerber estruturas de concreto armado nas quais se apoiam as pistas e as vigas.



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