segunda-feira, 7 de julho de 2014

Sem o Elevado da Perimetral, o visual da Praça Quinze

07/07/2014 - O Globo

RIO - No entorno da Praça Quinze estão a estação das Barcas, o Museu Histórico Nacional (MHN), o Arco do Telles, o Palácio Tiradentes, o Paço Imperial e a Assembleia Legislativa do Rio. Desde fevereiro, com a implosão de grande trecho do Elevado da Perimetral, quem passa por lá é contemplado, ainda, com a vista privilegiada da Baía de Guanabara. Setenta por cento do Elevado da Perimetral já foram demolidos. A marca foi atingida dias atrás, segundo a Concessionária Porto Novo, conforme mostrou a coluna Gente Boa.

As obras na região vão continuar avançando, segundo o Consórcio Porto Novo, responsável pelas intervenções. O próximo passo é derrubar, até o fim do ano, os cinco pilares do Elevado, que cortam o logradouro. O calçamento da praça, feito com pedras portuguesas no século XX, é outra etapa do projeto de reurbanização da área que, aos poucos, está sendo restaurada.

Segundo o pesquisador e historiador Milton Teixeira, o calçamento do logradouro foi feito, originalmente do século XVIII, com grandes blocos de pedra, que foram substituídos, no século XX, por pedras portuguesas. Arborização, de 1878, foi projetada pelo paisagista francês Glaziou.

- Sem o Elevado ficou bem melhor, principalmente pela visualização mais abrangente da praça, que foi durante três séculos o cartão de visita da cidade. Ali ficavam os prédios mais importantes, todos apontados para o mar, e a Perimetral cortava o logradouro, o que impedia a visualização das fachadas desses prédios - diz o especialista.

As obras tiveram início com o fechamento do Mergulhão no início deste ano e a previsão de conclusão, segundo o Consórcio Porto Novo, é até o final de 2015. Com o novo visual, a estátua de Dom João VI, localizada no centro da praça, ganha ainda mais destaque, o que agrada os frequentadores do local.

Há quase três anos trabalhando próximo ao logradouro, Cléria Santos Carvalho, de 56 anos, garante que a região está mais "clean".

— Apesar da poeira, dos entulhos e do barulho, que fazem parte das obras, já melhorou bastante. Antes, quando passava pela região, dava medo. Agora está bonito, mas, mesmo assim, ainda fico receosa com a pouca segurança que existe no local — diz ela, que trabalha com serviços gerais no Fórum.

A mesma opinião tem a funcionária pública Luciana Alves, de 33 anos. Para ela, a praça está com um outro clima e o objetivo de ver a vista da Baía de Guanabara foi alcançado.

— Estamos felizes. É uma melhora para o Centro, uma região importante para a cidade e que tem muita história para contar — diz.

Para a comerciante Marly Cunha, a implosão de parte do Elevado atrapalhou as vendas de sua loja.

— Tiraram os pontos de ônibus da região, o que aglomerava muitas pessoas que acabavam consumindo no comércio local. Minhas vendas caíram em 50% — lamenta a empresária, acrescentando que outro problema, na Praça Quinze, é a falta de segurança.

Na Praça Quinze, prédios históricos já despontam na paisagem. Um exemplo é o Centro Cultural do Ministério da Saúde, que fica no palacete que abrigou o Pavilhão da Estatística nas comemorações do Centenário da Independência, em 1922.

Em meados do século XX, o Mercado Municipal da Praça Quinze - Agência O Globo

HISTÓRIA

Localizada na região conhecida, nos primórdios da ocupação das terras do Rio, como Praia da Piaçaba, a Praça Quinze foi denominada, originalmente, de Largo do Terreiro da Polé, passando por Largo do Carmo, Praça do Carmo, Terreiro do Paço e Largo do Paço. Do século XVI até meados da década de 1770, com a construção do Cais do Valongo, foi o principal ponto de desembarque de escravos africanos na cidade.

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