sexta-feira, 26 de junho de 2015

Moradores se organizam para bancar despesas de prédio que vai virar moradia popular no Rio

26/06/2015 - Caixa Econômica 

Restaurante e espaço cultural administrados por cooperativa ajudarão a pagar IPTU, água e luz do Edifício Manoel Congo, reformado pelo MCMV Entidades

RIO DE JANEIRO, HABITAÇÃO



​Cientes de que a vida em um condomínio de dez andares em uma região central dominada por prédios comerciais não é barata, os moradores do Edifício Manoel Congo, na Cinelândia, no Rio de Janeiro, criaram a Cooperativa Liga Urbana. A ideia é que toda renda gerada coletivamente se destine a um fundo para bancar despesas como IPTU, taxa de limpeza pública, água, luz e gás. 

Abandonado por mais uma década, o Edifício Manoel Congo ​foi comprado pelo governo do Rio e teve o seu direito de uso, como habitação popular, repassado ao Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM). Graças a uma reforma total viabilizada pelo Minha Casa Minha VIda Entidades, o antigo prédio comercial será transformado num condomínio de apartamentos para 42 famílias com renda mensal de até R$ 1,6 mil até o final de outubro.​

Na loja do térreo do lado da Rua Evaristo da Veiga será aberto um restaurante comunitário e a Casa de Samba Maria Crioula. "Todos os moradores sabem que a cooperativa receberá fundos do restaurante para abater os gastos na manutenção do prédio. O condomínio será o valor que este fundo não conseguir cobrir dividido pelas 42 famílias beneficiadas com moradia no Manoel Congo", explica a líder do MNLM no Rio de Janeiro, Lourdinha Lopes.

Não fosse esta solução, a estimativa dela é que a taxa de condomínio do edifício ficasse na casa dos R$ 600, valor absolutamente inviável para moradores que pagarão entre R$ 25 e R$ 80 de prestação mensal por estarem na faixa mais baixa do Minha Casa Minha Vida, que abrange famílias com renda mensal de até R$ 1,6 mil.

Hoje, a cozinha comunitária do Manoel Congo já produz a comida dos operários da reforma e faz entrega de quentinha para trabalhadores da região central do Rio, de segunda a sexta. Vendidas por R$ 10, as marmitas têm cardápio fixo de acordo com o dia da semana, que inclui opções vegetarianas. O trabalho já serve de termômetro para o futuro restaurante comunitário da Evaristo da Veiga. "Vamos sobreviver aqui dentro", diz Lourdinha Lopes.

A intenção do MNLM é que a experiência da Cooperativa Liga Urbana seja levada para outras duas ocupações coordenadas pela entidade em prédios públicos abandonados no Rio de Janeiro. São elas a Mariana Crioula, na Rua Gamboa com a Rua Pedro Ernesto, na região portuária da cidade, e a Nove de novembro, na Rua Irene, em Volta Redonda, no sul fluminense.  ​



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