segunda-feira, 5 de julho de 2010

Rio-2016 "redescobre" zona portuária


Folha de São Paulo, Janaína Lage e Cirilo Junior, 04/jul
Após décadas de abandono e tentativas frustradas de revitalização, começam a sair do papel os projetos de reforma da zona portuária do Rio. Os investimentos previstos ultrapassam R$ 1 bilhão. Planejam-se prédios comerciais, residenciais, espaços culturais e museus na região, que será um dos principais polos da Olimpíada de 2016. Lá serão construídas partes da Vila de Mídia e da Vila de Árbitros, com cerca de 8.000 apartamentos.
Atraídas por incentivos fiscais, ao menos quatro construtoras já têm projetos de prédios comerciais na região, que somam investimentos de mais de R$ 300 milhões.
Segundo o secretário de Desenvolvimento do Rio, Felipe Góes, a prefeitura tem conversado com BNDES e Vale, entre outros, que teriam interesse em se instalar na região. O banco e a empresa informam que ainda não há decisão sobre o assunto.
Ali também será instalado o AquaRio, projeto privado de R$ 110 milhões para a construção do maior aquário da América Latina.
VANTAGENS
"Quem se instalar aqui nos próximos três anos terá isenção de IPTU por dez anos e redução do ISS para serviços de hotelaria, educação e entretenimento", disse Góes.
A prefeitura prevê investir R$ 650 milhões em espaços culturais, museus e em uma universidade, segundo Góes.
A expectativa é que o número de projetos privados aumente após o primeiro leilão de Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção), previsto para setembro.
Cepacs são instrumentos de captação de recursos para financiar obras públicas, oferecidos pelo município e que permitem aos investidores, em situações específicas, construir além dos limites normais.
O alto preço dos aluguéis comerciais no Rio aumenta o interesse das construtoras. A cidade lidera o ranking na América Latina de preços de aluguel de imóveis comerciais, segundo dados da consultoria CB Richard Ellis. No mundo, aparece em 12º lugar. São Paulo está em 16º.
O porto tem cerca de 5 milhões de metros quadrados de área com potencial de construção.
"O Rio tem muitas áreas tombadas e o que se faz no centro é reforma de prédios velhos", disse Henrique Peters, da Sandria Projetos e Construções. A empresa vai investir R$ 150 milhões em um prédio na zona portuária.
Mesmo quem já ocupa a região está investindo em ampliação e modernização. A Polícia Federal, por exemplo, reforma seu prédio. O Banco Central lançou um edital de licitação para a construção de uma nova sede na área.
Para Marcos Saceanu, diretor de incorporação da CHL, a tendência é que muitas empresas se mudem para lá por conta da facilidade de acesso. A construtora investe R$ 100 milhões em um prédio comercial de 25 andares.

Nenhum comentário: