terça-feira, 31 de agosto de 2010

Pacote olímpico: rede hoteleira cobiça terrenos na Barra

RIO 2016


Publicada em 30/08/2010 às 23h23m
O Globo - 30/08/2010
    RIO - Os terrenos ainda disponíveis nos chamados núcleos residenciais do Plano Lúcio Costa, que deram origem aos condomínios de prédios com 20 andares ou mais na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, estão entre as áreas mais cobiçadas pelo setor hoteleiro para erguer novas unidades, caso o pacote olímpico que a prefeitura propôs à Câmara dos Vereadores seja aprovado. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Alfredo Lopes, ao analisar as propostas da prefeitura para a concessão de incentivos fiscais e padrões urbanísticos especiais para hotéis que sejam erguidos para as Olimpíadas de 2016.
    - Hotéis de grande porte, para se tornarem viáveis, precisam ter 300 quartos ou mais. Para isso, precisam de grandes áreas. Essa oferta só existe em alguns pontos da Barra e na Zona Portuária. No caso da Avenida das Américas, devemos ter uma demanda pelo turismo de negócios. Executivos em viagem a trabalho pela cidade não se incomodam em não ficar hospedados à beira-mar - disse Lopes.
    O presidente da ABIH, porém, defende que a prefeitura crie estratégias para reforçar seu calendário de eventos e conceda incentivos fiscais para atrair novas feiras e congressos para o Rio. Na avaliação de Lopes, isso garantiria taxas de ocupação mais elevadas fora de grandes eventos como a Copa e os Jogos Olímpicos.
    Vagas extras para os jogos em navios e vilas olímpicas
    A estimativa do prefeito Eduardo Paes é que, dos 21 mil quartos que ainda são necessários para chegar às Olimpíadas com 50 mil unidades, 8 mil serão atendidos pela rede hoteleira. O restante será coberto por leitos provisórios em navios e vilas olímpicas. A proposta autoriza provisoriamente (até 31 de dezembro de 2015) a construção de hotéis, resorts ou pousadas, respeitando restrições urbanísticas de cada região, incluindo o gabarito. Entre as áreas liberadas estão trechos de Copacabana, Leme, Alto da Boa Vista, Avenida Niemeyer, Auto Estrada Lagoa Barra, Estrada do Joá e Estrada da Gávea, no trecho de São Conrado. Na Barra, além da Avenida das Américas, os novos hotéis seriam autorizados nas avenidas Ayrton Senna e Via Parque e na Estrada do Itanhangá.
    Para o presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes, Pedro de la Mare, a Barra deverá atrair mais investidores, porque os custos para construção de empreendimentos na Zona Sul seriam maiores, devido à escassez de terrenos. O secretário municipal de Urbanismo, Sérgio Dias, estima que, em Copacabana, restariam cerca de 30 terrenos com área total de 5 quilômetros quadrados, onde poderiam ser construídos hotéis.
    O presidente da Câmara Comunitária da Barra, Delair Dumbrosck, não vê inconvenientes dos terrenos da Barra serem ocupados por hotéis em lugar de residências:
    - Não vejo problemas se o gabarito for respeitados. Teríamos motivo para reclamar, por exemplo, se a prefeitura tentasse liberar os hotéis no Jardim Oceânico onde os gabaritos são menores - disse Delair.
    Por sua vez, o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Rogério Chor, elogiou a decisão de propor o pacote olímpico com bastante antecedência em relação às Olimpíadas. Segundo ele, se houver necessidade rever ou propor mais incentivos, haverá tempo de sobra para a correção de rumos.
    O presidente da Câmara de Vereadores, Jorge Felippe (PMDB) disse que ainda não é possível estimar quando o pacote olímpico será votado. Ele antecipou, porém, que pretende realizar pelo menos uma audiência pública para discutir os projetos. O pacote olímpico inclui ainda pedidos de autorização para a prefeitura fechar um acordo com a Ambev para ampliar o Sambódromo e criar uma estatal para coordenar os preparativos para os Jogos Olímpicos. Paes também quer sinal verde dos vereadores para vender terrenos do autódromo Nelson Piquet na Avenida Embaixador Salvador Allende, que não forem aproveitados no projeto olímpico, e para construir nova pista em Deodoro.
    Ainda sem o pacote, a demanda por novos quartos no Rio já está aquecida. Segundo a Secretaria de Urbanismo, existem hoje 20 empreendimentos em diversos estágios de licenciamento na prefeitura que, caso saiam mesmo do papel, garantirão 4.300 leitos a mais para a cidade nos próximos anos. Apenas na orla da Barra e do Recreio estão sendo licenciados 1.395 novos quartos em sete novos hotéis e no anexo de uma construção já existente. Um dos que serão construídos na Barra é vizinho à praia da Reserva. O empresário José Leão estima investir US$ 40 milhões no projeto. Os cerca de 150 quartos deverão ser inaugurados em março de 2014.
    Um dos maiores projetos, porém, está longe das áreas turísticas. A construtora RJZ/Cirella, em parceria com a administradora de shoppings Ancar Ivanhoe, está licenciando dois hotéis (Ibis e Formule 1) que serão construídos numa área livre do Shopping Nova América, em Del Castilho. Os dois empreendimentos deverão somar 450 quartos. O local é considerado estratégico por estar a poucos metros de uma estação da Linha 2 do Metrô.
    - Hotéis não são feitos apenas para executivos. Existe demanda por quartos para os demais escalões das empresas. Esse é um investimento que faremos, independente de incentivos fiscais - disse o empresário Rogério Zylbersztajn.

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