sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Duplicação da Niemeyer é alvo de críticas

Transportes


Publicada em 02/09/2010 às 23h28m
Ludmilla de Lima Prefeitura anuncia projeto de duplicação da Av. Niemeyer . Foto: Carlos Ivan - O Globo
RIO - A proposta da prefeitura de duplicar a Avenida Niemeyer sofre resistência de engenheiros e ambientalistas. O superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Rio, Carlos Fernando Andrade, disse que o órgão ainda não foi consultado, apesar de o Morro Dois Irmãos ser tombado desde 1993. Ressaltando não conhecer o projeto, ele chamou a proposta de "outra Perimetral", numa referência ao elevado na Zona Portuária que a prefeitura pretende demolir até o início de 2013:
- Acho muito esquisito no Porto você demolir a Perimetral e construir uma outra Perimetral no costão do Dois Irmãos. Na verdade, (a prefeitura) não bateu martelo nenhum, porque não apresentou o projeto aqui. O morro é tombado. Essa obra precisa de autorização do Iphan.
A tese de especialistas é que a duplicação pode incentivar o transporte individual, piorando ainda mais o trânsito na via. Outro problema apontado é a instabilidade da encosta ao longo da Niemeyer, que pode pôr em risco as pistas construídas sobre o costão do Vidigal - as quais, pelos planos do governo, seriam reservadas para os ônibus, o que tiraria dos ocupantes dos automóveis a visão que hoje se tem do mar.
A prefeitura apresentou a proposta numa reunião no Palácio Guanabara com consultores do Comitê Olímpico Internacional. Segundo o secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão, seriam erguidas duas pistas. Em São Conrado, os ônibus seguiriam até a Barra por uma faixa exclusiva, em estudo, na Autoestrada Lagoa-Barra.
O prefeito Eduardo Paes ressaltou que a proposta não está completamente detalhada. Segundo ele, está em discussão um projeto de alargamento apresentado anos atrás ao ex-prefeito Luiz Paulo Conde, por empresários da construção civil da Barra.
- Não é coisa decidida ainda. Você tem uma questão ali, naquele corredor São Conrado-Barra, que não é um problema olímpico, é um problema permanente da cidade. Está se fazendo a Linha 4 do metrô, mas o problema viário ainda é muito grave. Então (a duplicação) é uma alternativa que estamos apresentando ao COI - disse, acrescentando que a intenção é simplificar a versão entregue a Conde, alvo de polêmica na época.
Deslizamentos podem ser um obstáculo
- Seria um viaduto pendurado numa área que tem mostrado absoluta instabilidade - disse o engenheiro de transportes Fernando Mac Dowell, para quem a melhor opção para desafogar o trânsito em direção à Barra é ampliar a autoestrada.
Já para o engenheiro de tráfego Walber Paschoal, da UFF, a solução passa por investimento no transporte de massa:
- Tudo isso é sempre medida paliativa. O investimento na infraestrutura rodoviária resolve o problema naquele momento, ou até não, porque pode haver demanda reprimida.
O advogado ambientalista Rogério Zouen, do Grupo de Ação Ecológica (GAE), alerta que o costão rochoso é classificado como área de preservação permanente por lei estadual. Para Evelyn Rosenzweig, presidente da Associação de Moradores do Leblon, não vale o investimento numa solução que prioriza o ônibus.
Prefeitura de Niterói diz que corredor na Alameda deu certoOs planos da prefeitura para melhorar o trânsito da cidade incluem criar faixas seletivas na Avenida Nossa Senhora de Copacabana e na Rua Barata Ribeiro, nos moldes do corredor viário da Alameda São Boaventura, em Niterói. Lá, segundo o presidente da Niterói Trânsito e Transportes (NitTrans), Sérgio Marcolini, o corredor expresso para o transporte coletivo, inaugurado em março, reduziu o tempo de viagem dos usuários pela metade. Cerca de 250 mil passageiros de ônibus e vans circulam pela via diariamente.

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