quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Antiga gráfica da Manchete será implodida no sábado

07/11/2012 - O Globo

No espaço, será construído empreendimento do programa Minha Casa Minha Vida destinado a famílias de baixa renda

Obras de demolição e implosão do antigo prédio da Manchete, no Catumbi Fabio Rossi / O Globo

RIO O prédio da gráfica da extinta revista Manchete, na Rua Frei Caneca, no Catumbi, será implodido no próximo dia 10 de novembro, para abrir caminho à construção de um empreendimento do programa Minha Casa Minha Vida destinado a famílias de baixa renda. Invadido até o ano passado por moradores de rua, o prédio será derrubado às 7h. No terreno serão erguidos dois blocos de sete andares e 91 apartamentos de dois e três quartos. Segundo a Secretaria municipal de Habitação, as unidades serão ocupadas por moradores do Estácio, região conhecida pela grande quantidade de imóveis antigos em péssimo estado de conservação ou mesmo abandonados. A preferência da prefeitura recai sobre as famílias que ocupam a Vila Operária, conjunto de imóveis com dois andares na Avenida Salvador de Sá. Construída no início do século passado e tombado pelo município desde 1985, a vila será reformada pelo poder público. Mas a prefeitura ainda não decidiu se o destino da Vila Operária será habitacional ou comercial.

A demolição e a limpeza do terreno da gráfica estão sendo feitas pela Fábio Bruno Construções, a mesma empresa que atuou na demolição do Sambódromo. O prazo para conclusão do trabalho é de 90 dias, a um custo de R$ 1,46 milhão. Segundo o secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar, a implosão acontecerá num sábado para minimizar os transtornos na rotina da Primeira Igreja Batista, que funciona ao lado do prédio que será derrubado.

O trabalho está sendo planejado com cuidado porque o edifício fica bem colado à igreja. A programação de evacuação do entorno e o esquema de trânsito já estão sendo trabalhados diz Bittar.

O empreendimento será o primeiro do programa Minha Casa Minha Vida, destinado a famílias com renda de até três salários mínimos, cujas unidades habitacionais poderão contar com elevadores. De acordo com Bittar, a União deverá investir cerca de R$ 6,8 milhões nas obras, via Caixa Econômica Federal. E a prefeitura entrará com uma contrapartida de R$ 1,44 milhão, para arcar, entre outras coisas, com a instalação de quatro elevadores (dois por bloco) e a construção de duas lojas para locação no empreendimento.

A Caixa financia até R$ 75 mil por unidade. Como esse projeto tem 63 apartamentos de dois quartos e outros 28 de três quartos, esses maiores custarão mais que esse limite do programa. Pagar essa diferença também está incluído na nossa contrapartida. E como as unidades serão ocupadas por famílias oriundas de remoções, a prefeitura quitará os apartamentos explicou o secretário.

Ainda de acordo com Bittar, o contrato para instalação dos elevadores irá prever um prazo de cinco anos em que a empresa responsável terá que fazer a manutenção dos equipamentos. As duas lojas que funcionarão no térreo terão, por contrato do condomínio, que reverter o seu aluguel à manutenção dos prédios.

O prédio da antiga gráfica da Manchete foi desocupado em maio do ano passado, depois de 12 anos invadido por famílias de sem teto e usuários de drogas. No local viviam cerca de 145 famílias, em precárias condições de higiene. Antes da demolição do prédio, uma grande quantidade de lixo precisou ser retirada do local pela Comlurb.

Vizinha ao terreno da gráfica, uma outra obra do programa Minha Casa Minha Vida, realizada em parceria pelos governos estadual e federal, já começa a ganhar forma. O primeiro dos 48 blocos de apartamentos de cinco andares já desponta no imenso terreno onde funcionou o Presídio da Frei Caneca. As obras no local começaram em fevereiro e tem previsão de duração de 16 meses. Serão erguidas mil unidades habitacionais destinadas a famílias removidas de áreas de risco ou cadastradas pela prefeitura e pelo estado dentro do programa federal. Os prédios serão divididos em dois conjuntos habitacionais, já batizados com os nomes de Ismael Silva e Zé Keti.

Segundo a Secretaria estadual de Habitação, além de ceder o terreno, executar a demolição do presídio e fazer a limpeza da área, o governo do estado está investindo cerca de R$ 11,3 milhões nas obras de infraestrutura de água, esgoto, drenagem e urbanização. Já a União investirá cerca de R$ 62,8 milhões na construção dos prédios.


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