segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Cascadura: um bairro dividido

19/11/2012 - O Dia, Claudio Vieira

De um lado da linha férrea, obras de urbanismo. Do outro, população reclama de abandono

Dividido pela linha do trem, Cascadura começa a receber obras de melhorias urbanas. Mas maquinário e operários levam ao bairro, além de calçamento, pavimentação e luz, o ciúme entre os dois lados da via férrea. É que a maioria dos trabalhos da prefeitura foram realizadas no lado da Praça Nossa Senhora do Amparo, como a instalação de uma Academia da Terceira Idade e do Bairro Maravilha nas vizinhanças da escola de samba Arrastão de Cascadura.
Moradores e comerciantes da metade oposta reclamam que os problemas naquela parte continuam. O principal é causado pelo Rio Ninguém, que transborda até em período de estiagem, formando poças e exalando mau cheiro entre a Avenida Ernani Cardoso e a Praça José de Sousa Marques, onde fica a rodoviária.
"O problema é complexo. Dezenas de imóveis foram construídos irregularmente sobre a laje que cobre o rio. O volume de água não tem como escoar integralmente. A solução seria ampliar o canal e o sistema de escoamento. Mas, para isso, seria necessário desapropriar diversos imóveis construídos sobre o traçado do rio", alega o subprefeito da Zona Norte, André Luís Santos.
Dono de uma farmácia perto do beco onde há vazamento crônico do rio, Rafael Moraes, 32 anos, conta que o problema já espantou outros comerciantes, que fecharam as portas nos últimos anos.
"Quando chove e isso tudo alaga, temos de deixar o balcão para socorrer senhoras que se acidentam ao tentar atravessar a rua. Ou, então, para ajudar motoristas cujos carros ficam com a roda presa em bueiros sem tampas", lamenta.
VILA QUE VAI VIRAR TRAVESSA
Se, de um lado, o Rio Ninguém carrega problemas, do outro, os moradores da Vila Santo Antônio, que liga a Avenida Ernani Cardoso à Rua Padre Telêmaco, comemoram a fase final da urbanização daquele trecho residencial.
Os imóveis dali eram os primeiros a serem inundados pelo transbordamento do rio. Mas a Vila ganhou novas redes pluvial e de esgotamento sanitário, que permitem escoamento imediato. Também recebeu iluminação, calçamento e asfalto com acesso a deficientes.
O aposentado Jorge Rabelo, 67, prevê o ônus que terá que pagar. "Vai aumentar o fluxo de pessoas indo de casa para a rodoviária e vice-versa. A vai acabar virando uma travessa e perderemos a privacidade", conclui. "Mas a garantia de que as enchentes não invadirão mais as casas vale a pena."
Ações sociais em agremiação
Cercada por ruas beneficiadas pelo Asfalto Liso, com novas calçadas e iluminação levadas pelo programa Bairro Maravilha, a quadra da Arrastão, escola de samba do bairro, tenta se reerguer. "A Arrastão precisa voltar aos melhores dias. E o trabalho já começou", diz o vice-presidente Luís Carlos Costa Júnior, o Luca.
A quadra abriga dois projetos esportivos em parceria com o município, para os jovens do bairro. Segundo Luca, a agremiação voltou a estreitar os laços com a comunidade e espera abrir um leque de projetos sociais para atendê-la.
As ações são tão importantes quanto levar um Carnaval para a Avenida", diz o vice-presidente, lembrando que a escola disputará o Grupo D.


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