quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Resort da rede Hyatt na Praia da Reserva terá hotel e condomínio

07/11/2012 - O Globo

Empreendimento, que faz parte do pacote olímpico, ficará em área de 45 mil m²

Novo empreendimento. O croqui do resort que será erguido no início da Praia da Reserva, na Barra da Tijuca Divulgação

RIO O Rio terá, em 2015, seu primeiro resort, um misto de hotel com prédios residenciais. As obras do Grand Hyatt, próximo à entrada para a Praia da Reserva, preveem a construção de 436 quartos de hotel e dois condomínios residenciais de luxo com 80 unidades. Mas quem quiser morar com vista para o mar e a Lagoa de Marapendi vai ter que coçar o bolso. Os apartamentos mais baratos estão sendo oferecidos em pré-lançamento a partir de R$ 2,6 milhões (130 metros quadrados). Levará uma das duas coberturas de 1.050 metros quadrados (incluindo quatro suítes e piscina olímpica dentro de casa) quem tiver R$ 40 milhões.

O Hyatt decidiu investir no Rio com a aprovação, em 2010, do chamado Pacote Olímpico, que concede incentivos fiscais para estimular a abertura de novos hotéis no Rio e atender à demanda gerada pelas Olimpíadas de 2016. Em 2009, quando o Rio venceu a disputa para organizar os jogos, contava com 26 mil quartos. A meta é chegar a 40 mil em 2016.

Construções ocuparão metade do terreno

As obras estão sendo bancadas pelo próprio grupo hoteleiro, que não divulgou o valor total do investimento. O terreno tem 45 mil metros quadrados, dos quais apenas a metade será usada, porque o restante se encontra em área de preservação. Os 436 apartamentos estão divididos em quatro prédios de seis pavimentos. O empreendimento terá três restaurantes.

No caso dos apartamentos residenciais, não é possível considerar os preços. Morar num anexo de um hotel de luxo como Hyatt é como morar num anexo do Hotel Copacabana Palace. Só que com vista para a Praia da Barra e a Lagoa de Marapendi. Ainda não tivemos interessados nas coberturas. Se não conseguirmos compradores, elas serão desdobradas em até quatro unidades cada uma disse o empresário Rubem Vasconcellos, da Patrimóvel, que negocia os apartamentos residenciais.

O terreno onde o complexo será construído já pertenceu à Área de Preservação Ambiental (APA) de Marapendi. Em 2005, a Câmara dos Vereadores aprovou, em tempo recorde, um projeto de lei retirando o terreno da APA. A lei manteve intocáveis as áreas consideradas de preservação, mas dobrou a área total edificável. O ex-prefeito Cesar Maia chegou a entrar na Justiça contra o empreendimento. Mas a lei foi julgada constitucional pelo Tribunal de Justiça.

O projeto é visto com reservas por um grupo de moradores do condomínio Alfabarra. Eles entraram com representação na promotoria de meio ambiente do Ministério Público para investigar se houve irregularidades no processo de concessão da licença. O ofício ainda está em fase de distribuição no MP.

São mais de 400 apartamentos na entrada da Praia da Reserva, justamente num trecho muito movimentado. Isso terá impacto no trânsito. Nós desconhecemos que tenha havido audiência pública antes do licenciamento do projeto. Também temos dúvidas se os prédios não vão estar em risco, pois o tráfego aéreo é intenso na reserva reclamou o advogado Bruno Miragaya, morador do bloco Sun Set e um dos líderes da representação ao MP.

A rede Hyatt, por sua vez, informou que cumpriu todas as exigências ambientais, inclusive a expansão da rede de esgotos externa para permitir a ligação das saídas do condomínio com os troncos coletores. Há também o compromisso de recuperar e manter a vegetação nativa.

O secretário municipal de Urbanismo, Sérgio Dias, disse que não houve irregularidades no processo de licenciamento. Para ele, a mudança feita em 2005 permitiu o aproveitamento imobiliário de um terreno que já estava em parte degradado, porque serviu como canteiro de obras do projeto de implantação do emissário submarino da Barra. Para licenciar o empreendimento, a prefeitura exigiu também contrapartida financeira de R$ 10 milhões.


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