quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Praça da Bandeira, a mesma Praça da Banheira

17/01/2013 - O Globo

Prefeitura só entregará primeiro piscinão contra enchentes depois do verão

Isabela Bastos

Piscinão de barro. O local onde estão sendo o piscinão da Praça da Bandeira, para combater enchentes na região: Pablo Jacob / O Globo

RIO Na manhã que se seguiu à noite de transtornos causados pela chuva que castigou a Zona Norte do Rio, o prefeito Eduardo Paes afirmou na quarta-feira que só entregará depois do verão o reservatório subterrâneo da Praça da Bandeira, a primeira das cinco cisternas que, segundo a prefeitura, vão livrar a região das inundações tão conhecidas dos cariocas. Na noite de terça-feira, a praça, o canteiro de obras e todas as ruas do entorno ficaram inundados depois de um temporal que, segundo o Centro de Operações da prefeitura, acumulou em três horas 30% do volume de chuva esperado para janeiro em bairros como Tijuca e São Cristóvão. Paes informou que esse primeiro reservatório, prometido inicialmente para dezembro passado e depois para fevereiro próximo, só será entregue em abril. E admitiu que os cariocas terão de conviver com os alagamentos na região pelo menos até meados de 2014, quando ficar pronto todo o sistema de contenção de enchentes, que prevê ainda o desvio dos rios Joana e Maracanã.

O projeto da Praça da Bandeira é o de cinco piscinões que está em execução. A gente esperou 447 anos para acontecer essa obra, e ela está acontecendo. É natural que uma obra atrase. Quando adianta, é por causa de eleição. E quando atrasa, é por causa de quê? Uma obra tem atraso, tem problema. É uma obra de uma complexidade enorme. Ontem (anteontem), tivemos problemas numa área conhecida da cidade que está em obras. É só olhar ali a Praça da Bandeira. Vamos iniciar outros mergulhões agora. Quando terminar esse piscinão da Praça da Bandeira, que é o menor, será resolvida a microdrenagem ali. Mas o problema da Praça da Bandeira se resolve com os rios lá atrás e com um conjunto de obras disse o prefeito.

Enquanto isso, moradores e comerciantes dos arredores da Praça da Bandeira passaram a manhã contabilizando o prejuízo e limpando a lama que invadiu ruas, lojas e residências. Numa relojoaria na Rua do Matoso, por exemplo, o muro de 60 centímetros construído há dois anos não evitou que a água invadisse o estabelecimento. O prejuízo, segundo Giovanni Morais, um dos donos do estabelecimento, foi de mais de R$ 3 mil.

O muro não serviu para nada. A lama e a água passaram por cima. Estamos tendo que jogar fora caixas e caixas de peças lamentou.

Marcela de Souza, que trabalha há seis meses em uma loja de venda de uniformes na Rua do Matoso, teve uma prova do que a espera enquanto durarem os alagamentos na região. Ela passou a manhã retirando água e lama da loja.

Hoje é a primeira vez que faço isso, mas já sei que essa faxina matinal vai acontecer durante todo o verão disse Marcela.

Outro funcionário, Horoson Freitas, contou que parte dos uniformes ficou enlameada e que o prejuízo só não foi maior porque há dois anos foi construído um balcão blindado, para impedir a entrada de água nos fundos da loja.

Antes da construção, sempre que chovia forte, a água cobria toda a loja disse.

Josiane Rodrigues, gerente de uma loja de presentes e artigos de papelaria na Praça da Bandeira, já está acostumada com a faxina matinal nesta época do ano. Ela adota uma estratégia para reduzir o prejuízo:

Todas as noites, antes de fechar a loja, suspendemos as mercadorias para evitar estragos, já que sempre que chove alaga tudo.

A Defesa Civil do município registrou, entre 17h31m de terça-feira e 5h30m de ontem, 49 ocorrências, a maioria na Zona Norte. De acordo com o sistema Alerta Rio, da prefeitura, em três horas choveu o esperado para dez dias. Na estação São Cristóvão, das 19h15m às 22h de anteontem, foram registrados 36,5% da média mensal de chuvas para janeiro, que é de 143,4mm. Já na Tijuca foram contabilizados 30,7% da média histórica de janeiro no bairro, que é de 188,8mm.

No fim do dia, o secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto, afirmou que o atraso na construção do reservatório da Praça da Bandeira ocorreu devido a uma mudança no projeto. Ele explicou que a cisterna precisará ter o fundo reforçado, por estar sendo construída numa área de mangue. Segundo o secretário, depois do início da obra, técnicos concluíram que o fundo de concreto reforçado com tirantes projetado inicialmente não seria suficiente para garantir a segurança da operação do reservatório, que terá 20 metros de profundidade.

Praças serão fechadas para obras

Como O GLOBO noticiou na quarta-feira, a prefeitura decidiu mudar o local de dois dos cinco piscinões que serão construídos para conter enchentes na região. O município anunciou que desistiu de fazer as obras no estacionamento do supermercado Extra, em Vila Isabel, para não atrasar ainda mais o projeto, uma vez que o processo de desapropriação estava empacado. Alexandre Pinto disse que as praças Niterói e Varnhagen, novos locais escolhidos para a construção dos piscinões, fecharão depois do carnaval e só serão reabertas, já reurbanizadas, no primeiro semestre de 2014. Ele afirmou que a prefeitura não descarta a necessidade de fazer bloqueios de trânsito no entorno dessas praças, para a montar canteiros de obras.

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