terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Trânsito é complicado na Zona Portuária no primeiro dia útil da terceira etapa das interdições

07/01/2013 - O Globo

Desordem nos pontos de ônibus causam ainda mais problemas na região

ELENILCE BOTTARI
PAULO ROBERTO ARAÚJO
TAÍS MENDES

Trânsito com retenções na descida da Ponte Rio-Niterói e na saída da Avenida Brasil, na manhã desta segunda-feira Pablo Jacob / O Globo

RIO - No primeiro dia útil da terceira etapa das alterações no trânsito da Zona Portuária, os motoristas enfrentam engarrafamento desde as 6h desta segunda-feira para chegar ao Centro do Rio devido à desordem nos pontos de ônibus em frente a Rodoviária Novo Rio e ao Instituto de Traumatologia e Ortopedia (Into). Os reflexos atingem o tráfego na Ponte Rio-Niterói e na Avenida Brasil. A Guarda Municipal e a concessionária Porto Novo concentram os agentes de trânsito na Avenida Francisco Bicalho e na Avenida Rodrigues Alves, mas até as 7h não havia agentes para ordenar os pontos de ônibus. Sem fiscalização, os coletivos param até em fila tripla, bloqueando os acessos à Francisco Bicalho e a Rodrigues Alves.

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Na descida da Ponte, o tráfego está congestionado porque os ônibus que têm como destino o ponto em frente ao Into, que fica no final da pista da esquerda, bloqueiam a pista da direita para ganhar tempo. A irregularidade bloqueia a passagem dos veículos que seguem para o Centro pela pista da direita. No sentido Rodoviária da Francisco Bicalho, onde há intervenções para a realização das obras da Região Portuária, o trânsito segue sem problemas e agentes estão no local.
O secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osório, acompanha o primeiro dia útil dos novos bloqueios no trânsito da Zona Portuária. Osório orientou os agentes de trânsito na região da Rodoviária Novo Rio para impedir a parada de ônibus intermunicipais no ponto em frente ao terminal. No início da manhã desta segunda-feira, os motoristas dos coletivos, em fila tripla, paravam na altura da rodoviária e bloqueavam o acesso à Francisco Bicalho e Rodrigues Alves. A partir do ponto de ônibus da rodoviária, o trânsito já seguia sem problemas na Avenida Rodrigues Alves. A descida da Ponte continua congestionada, e o secretário acredita que hoje é um dia atípico.
— Além de todo o fluxo da Ponte, que já está no limite, temos ainda hoje a chegada de quem passou as festas fora do Rio. De qualquer maneira, vamos estender a faixa de desembarque dos ônibus em frente ao Into e a rodoviária, pois o volume de ônibus que chega da baixada é muito grande e, somado ao resto da frota, o número de coletivos acaba sendo maior que a extensão de faixa para desembarque. O outro problema é que os ônibus intermunicipais estão parando no ponto dos municipais e temos que coibir isso — disse o secretário.
Osório acredita que é possível reduzir esse número de coletivos chegando à Avenida Brasil caso o governo do Estado de fato faça a implantação do BRT na Washington Luiz e na Dutra como ramais da TransBrasil.
— Seria um excelente providência pensando no trânsito da região metropolitana. A TrasnBrasil pode reduzir a frota de coletivos e ordenar a chegada deles no Centro do Rio — avaliou.
Operários da obra do Porto Maravilha chegaram a bloquear totalmente na manhã desta segunda-feira toda a calçada da Avenida Francisco Bicalho, no trecho entre a Comandante Garcia Pires e a Rodoviária. Os pedestres eram obrigados a caminhas junto aos carros e muitos reclamaram.
— Eles não querem nem saber da gente. Cadê a calçada de pedestre? — questionou a professora Márcia Lima Souza.
Minutos depois, o secretário Osório também foi obrigado a andar pelo meio da rua e mandou reabrir o trecho de calçada.
A interdição parcial da Avenida Francisco Bicalho — uma das principais ligações entre a Ponte Rio-Niterói, a Zona Portuária e o Centro da cidade — começou no último sábado. A medida faz parte das obras do projeto Porto Maravilha. A chamada etapa 3-A prevê também a interdição parcial da Avenida Professor Pereira Reis. O fechamento ocorreu para obras de reurbanização urbana e de drenagem. Além disso, houve o fechamento total da alça de acesso ao Viaduto Juscelino Kubitschek, ou Elevado da Perimetral, para obras geométricas.
As mudanças no tráfego
A etapa 3-A engloba a interdição total da alça de acesso ao Elevado da Perimetral a partir da Avenida Rodrigues Alves, no sentido Gasômetro, para obras da demolição e construção de nova alça de acesso à Perimetral. A mudança busca estabelecer as conexões viárias entre a Avenida Binário do Porto e a Perimetral, permitindo que os veículos procedentes do Gasômetro em direção ao Santo Cristo possam acessar a Avenida Binário do Porto chegando à Avenida Rodrigues Alves, no sentido Praça Mauá, e posteriormente à Perimetral até o Aterro do Flamengo.
Em setembro, a prefeitura concluiu o alargamento da Rua General Luiz Mendes de Moraes, que contorna o terreno da Praia Formosa e dá acesso ao Viaduto Paulo de Souza Reis. A rua, que tinha três faixas de rolamento, ganhou outras três. Mas, de início, a ampliação não pôde ser aproveitada integralmente pelos motoristas. Isso porque as faixas antigas foram fechadas ao trânsito para a implantação de infraestrutura de serviços públicos. O trecho inicial da Avenida Francisco Bicalho, entre a linha férrea da SuperVia e o Viaduto Paulo de Souza Reis, está previsto para ser interditado para obras neste ano de 2013.
A obra acontece pouco mais de dois anos depois de a Francisco Bicalho ter passado por uma grande obra de recapeamento. Em 2010, a avenida chegou a ser anunciada como parte do conjunto de 45 ruas e avenidas das áreas de planejamento 1 (Centro) e 2 (Zona Sul, Tijuca e adjacências) que seriam recuperadas naquele ano, com investimento de R$ 61,1 milhões, pelo programa Asfalto Liso. A Secretaria municipal de Obras informou, contudo, que a via não foi beneficiada pelo programa, tendo sido recuperada pela Secretaria municipal de Conservação e Serviços Públicos. Já a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto informou que o trabalho foi feito dentro da parceria público-privada (PPP) do Porto Maravilha.
Perimetral começa a ir ao chão em abril
Iniciado em 2009 e orçado em cerca de R$ 8 bilhões, o projeto Porto Maravilha prevê um conjunto de obras de reestruturação do trânsito da Zona Portuária; de redimensionamento das redes de água, luz, esgoto, drenagem e telefonia de uma região com cinco milhões de metros quadrados; de reurbanização do passeio público; e de recuperação do patrimônio histórico. O projeto prevê ainda que a concessionária Porto Novo, vencedora da licitação da parceria público-privada do porto, fique responsável pela execução de serviços — como coleta de lixo, troca de lâmpadas e operação de tráfego — por um prazo de 15 anos.
A obra de peso mais significativo é a derrubada do Elevado da Perimetral, prevista para começar em abril do ano que vem. A ideia da prefeitura é concluir todo o pacote de reformas até o primeiro semestre de 2016, a tempo dos Jogos Olímpicos do Rio.
Para substituir as pistas do elevado, estão sendo abertas novas ruas e avenidas na Zona Portuária. Uma delas é a chamada Avenida Binário, que terá seis faixas de rolamento, três em cada sentido. A nova avenida cortará a região seguindo paralelamente à Avenida Rodrigues Alves. Ela terá dois túneis, um sob o Morro da Saúde e outro passando por baixo da Praça Mauá e do Morro de São Bento. Já a Avenida Rodrigues Alves será transformada em uma via expressa, também com túnel, que deverá ser interligado, futuramente, com o Mergulhão da Praça Quinze.

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