sexta-feira, 8 de março de 2013

Desvendados os mistérios da nova Marina da Glória

02/03/2013 - O Globo

Revitalização de área tombada prevê mais 333 vagas de estacionamento, centro de convenções e 50 lojas

EMANUEL ALENCAR

Mosaicos de pedras portuguesas estão previstos no projeto elaborado pelo arquiteto Índio da Costa, cujo licenciamento será feito pelo Inea Divulgação/EBX
RIO

Sydnei Menezes acredita que o projeto propõe uma integração do Parque do Flamengo à Marina da Glória, mas reforça a necessidade de um amplo debate com a sociedade. Carla Juaçaba prefere analisar com mais calma antes de opinar. Nireu Cavalcanti ainda não está convencido se haverá harmonia entre as novas construções e o Pão de Açúcar. Com muita cautela, arquitetos e urbanistas analisaram as primeiras imagens do plano de revitalização da Marina da Glória proposto por Eike Batista e divulgadas com exclusividade pelo GLOBO. Os cariocas poderão tirar suas dúvidas hoje, das 8h às 17h, numa tenda da EBX na entrada da marina, onde serão apresentados detalhes do projeto de R$ 180 milhões, como um centro de convenções com grama no telhado.

Além da ampliação do estacionamento, que passaria a ter 633 vagas e ocuparia dois pavimentos hoje são cerca de 300 vagas de acordo com a EBX , a proposta inclui a construção de 50 lojas, de uma área de convivência e de dez píeres, com capacidade para 450 embarcações. Hoje, a Marina tem capacidade para abrigar 300 barcos e lanchas. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Brasília aprovou o anteprojeto, assinado pelo arquiteto Luiz Eduardo Índio da Costa, em 29 de janeiro. Os conselheiros do Iphan do Rio ainda não se pronunciaram.

Há ainda um longo processo antes que o martelo seja batido, e as obras na área pública de fato comecem. O licenciamento será feito pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que ainda está elaborando a instrução que servirá de base para o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do empreendimento. Audiências públicas também estão previstas.

O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio (CAU-RJ), Sydnei Menezes, terá reunião amanhã com o Grupo EBX para discutir a proposta. Numa avaliação preliminar, ele afirma que as maquetes propõem uma integração do ambiente com a marina, mas ressalta que há uma série de questões a serem debatidas com a sociedade. Entre elas, os impactos viários.

A volumetria das construções chama a atenção. A altura máxima de 15 metros do espelho dágua não me parece clara nas imagens. E um estacionamento para 633 carros é algo de forte impacto. Como este impacto será absorvido? Quem não tem carro, não vai? Outra questão é saber se o solo terá permeabilidade total ou parcial diz Menezes.

O arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti concorda que é cedo para fazer qualquer juízo de valor. Carla Juaçaba, projetista do Pavilhão da Humanidade, em Copacabana, para a Rio+20, segue a mesma linha da cautela. O grupo de Eike garante que as intervenções, que incluem obras de saneamento, em parceria com a Cedae, serão benéficas para a cidade.

Vamos revitalizar o bosque dos piqueniques, área de lazer prevista no projeto do (Affonso Eduardo) Reidy diz Marco Adnet, diretor da REX, empresa responsável pelo projeto.

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