sábado, 12 de outubro de 2013

Perimetral: estrutura polêmica chegará ao fim até novembro

12/10/2013 - O Globo

Elevado, considerado monstrengo, será substituído por via expressa e túneis

LUIZ ERNESTO MAGALHÃES

À direita, viaduto da Perimetral, que será demolido em breve e, à esquerda, a obra do binário no Porto Custódio Coimbra / Agência O Globo

RIO - Por um lado elogiado durante décadas por ter sido uma solução de tráfego e por outro criticado por urbanistas porque mais parece um monstrengo na paisagem, o Elevado da Perimetral, no trecho entre a Rodoviária e a Praça Mauá, receberá seus últimos 72 mil veículos diários na próxima sexta-feira. A via será interditada no sábado em uma das apostas mais arriscadas da história da cidade para tentar reorganizar seu trânsito. O fluxo de veículos será transferido para uma nova via com três quilômetros — que terá apenas um trecho nas imediações da Rodoviária aberto no sábado. O adeus, porém, será longo: a previsão é que o gigante de concreto só terá ido completamente abaixo em novembro. Antes disso, ainda há muito o que fazer: dezenas de prédios no entorno terão que ser vistoriados, e o plano proposto ao Corpo de Bombeiros está sendo exaustivamente discutido. Mas uma coisa já está definida: não será possível simplesmente implodir tudo. Uma parte da demolição deverá ser feita com o uso de máquinas e picaretas:

— Há trechos muito perto de prédios, como na Praça Mauá. Não há como usar explosivos. Depois, muito ainda terá que ser feito. Só a remoção dos escombros levará três meses — disse o presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Porto (Cdurp), Alberto Gomes.

A demolição do trecho final, da Praça Mauá ao Aeroporto Santos Dumont, vai custar R$ 592 milhões, mas ainda não tem data para ser interditado. Isso, no entanto, não deve acontecer antes da conclusão da via expressa prevista para a região, já batizada de Avenida Oscar Niemeyer. Há outras frentes de obras: os túneis, que integrarão o projeto, por exemplo, só ficarão prontos em 2014.

Postes serão reaproveitados
Ao contrário do que ocorreu até agora no projeto Porto Maravilha, bancado com recursos privados de uma PPP, a prefeitura terá que arcar com a conta da demolição do trecho final. As obras também serão feitas pelo Consórcio Porto Novo, sem nova licitação, embora o trecho não esteja na área de concessão.

— O Tribunal de Contas do Município (TCM) autorizou por um princípio de economia. Se o trecho ainda fosse licitado, os custos poderiam ser maiores. Mas o que a prefeitura vai gastar tende a recuperar com receitas de impostos recolhidos devido à valorização dos imóveis na área — justificou o presidente da Cdurp.
Com a interdição, as equipes da prefeitura ainda terão muito trabalho antes do sinal verde para que o elevado venha abaixo. Primeiro ocorrerá uma espécie de "caça ao tesouro": postes, lâmpadas, fios de cobre usados na iluminação pública, painéis informativos e placas de sinalização serão removidos. Boa parte do material será levada para uma oficina da Rio Luz, onde será inspecionada. O que estiver em boas condições será reformado e voltará às ruas.

— Temos 244 postes de 15 metros de altura com 488 lâmpadas. O que puder ser aproveitado será utilizado quando for preciso substituir postes em vias que usam o mesmo modelo, como a Linha Vermelha — disse o secretário de Conservação, Marcus Belchior.

A CET-Rio terá menos trabalho. No trecho, há apenas 12 placas de sinalização e dois painéis informativos de trânsito.

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