quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Cyrela e Caixa negociam área no gasômetro

28/11/2013 - Valor Econômico, Renata Batista

A Caixa Econômica Federal (CEF) negocia com a incorporadora Cyrela Brazil Realty um projeto para o terreno do antigo gasômetro, na Zona Portuária do Rio, segundo o Valor apurou com fontes próximas às negociações. Trata-se de uma área de 115 mil metros quadrados, há quase uma década sem uso, aportada pela prefeitura no fundo criado pela CEF para financiar a revitalização da região.
Procurada, a Cyrela não confirmou a negociação. A Caixa, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que não comentaria o assunto, "pois se encontra em período de confidencialidade".
No mercado, porém, circula a informação de que o projeto final deve ter área construída de 850 mil metros quadrados, dividida entre um shopping e edifícios comerciais e residenciais de até 50 andares. Com isso, o empreendimento teria 60% de uso comercial e 40%, residencial. A negociação do terreno estaria sendo feita por permuta entre a CEF e a incorporadora. A Companhia Estadual de Gás (CEG), antiga usuária do terreno, também ficaria com parte da área.
Paralelamente, a CEF teria conduzido negociações com grupo formado pela Related Brasil, pela operadora de shopping centers Westfield, pela a BNCorp e a holding de investimentos do grupo Bueno Netto. Procurada pelo Valor, a Related confirmou o interesse no terreno, mas disse que as conversas não evoluíram.
A definição do futuro do terreno do gasômetro é considerada chave para a evolução do projeto do novo porto do Rio, principalmente para atrair projetos residenciais. A expectativa é que a construção de um shopping no local amenize a carência de comércio na região.
A atração de empreendimentos residenciais para a região enfrenta, porém, outros entraves. Os Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), emitidos pela prefeitura e comprados integralmente pela CEF por cerca de R$ 545, estariam sendo avaliados em cerca de R$ 2 mil, o que elevaria o custo do metro quadrado para R$ 10 mil, incompatível com a demanda esperada para a região, de imóveis mais simples para classe média baixa.
Comprados pela CEF para financiar as obras do porto, havia expectativa que os Cepacs fossem revendidos ao mercado como forma de ampliar o Índice de Aproveitamento do Terreno (IAT). A CEF fez apenas um leilão de Cepacs por R$ 1.200 e, posteriormente, teria adotado a estratégia de permuta com as incorporadoras.

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