sábado, 16 de agosto de 2014

Terreno do Gasômetro vai ser ocupado por prédios residenciais, comerciais, hotéis e shoppings

Área de 116 mil metros quadrados em São Cristóvão é a de maior potencial construtivo na região, segundo a prefeitura

POR SIMONE CANDIDA

16/08/2014 - O Globo


O terreno em São Cristóvão que abrigará o empreendimento: são 116 mil metros quadrados - Domingos Peixoto / Agência O Globo

RIO — Referência histórica e arquitetônica da cidade, o Gasômetro, em São Cristóvão, será em breve apenas lembrança e apelido do Viaduto Capitão Sérgio de Carvalho, que fica ao lado. No rastro do programa de revitalização da Zona Portuária, o novo eixo de desenvolvimento da cidade desenha um novo destino para a área: a partir de segunda-feira, parte do terreno começa a ser desocupada pelos funcionários da CEG, para a construção de um conjunto de empreendimentos imobiliários, com prédios residenciais e comerciais, além de shoppings e hotéis.

O projeto, ainda na fase de detalhamento, será desenvolvido pela construtora RJZ Cyrela, que assinou um contrato com o Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha, administrado pela Caixa Econômica Federal (CEF), proprietária do terreno. Os envolvidos na negociação da área ainda não revelam cifras.

ÁREA TEM POUCAS RESIDÊNCIAS E LOJAS

Segundo a prefeitura, o terreno — de 116 mil metros quadrados, situado próximo à Avenida Francisco Bicalho — é o de maior potencial construtivo na região. Ali poderão ser erguidos prédios de até 50 andares. A legislação, no entanto, prevê que apenas 50% do terreno poderá ser ocupado por edificações. O novo empreendimento, na Avenida Pedro II, próximo à Rodoviária Novo Rio, está incluído no Projeto Porto Maravilha, de revitalização da região.

Na vizinhança, hoje o que se veem são pouquíssimas residências, algumas lojas de venda de peças de automóveis e um quartel do Exército. O terreno foi comprado pela prefeitura em 2012, por R$ 220 milhões, e revendido à CEF pelo mesmo valor, numa negociação prevista nas operações da Companhia Municipal de Desenvolvimento Urbano do Porto (Cdurp).

Segundo a construtora, a área tem um potencial construtivo de aproximadamente 450 mil metros quadrados, e o projeto será desenvolvido em várias fases. Só para se ter uma ideia do que é possível construir ali, o bairro Cidade Jardim, que ainda está sendo feito pela RJZ Cyrela, na Barra da Tijuca, tem 512 mil metros quadrados construídos. No empreendimento da Barra, há quatro condomínios residenciais (com 4.078 unidades), além de escolas, áreas de lazer com quadras esportivas, praças e comércio.

— Ainda estamos fazendo contatos com todos os órgãos envolvidos, para liberação do empreendimento. Será uma investimento a longo prazo. Teremos, por exemplo, que analisar todos os impactos e, inclusive, calcular o período necessário para descontaminação do terreno. — explica Rogerio Zylbersztajn, vice-presidente da RJZ Cyrela, que ficou seis meses negociando o projeto com a Caixa Econômica Federal.

CEG VAI CONTINUAR OCUPANDO 10% DO TERRENO

Segundo a gerente-executiva de Fundos Para o Setor Imobiliário da CEF, Laiza Fabiola Martins Santa Rosa, o projeto deverá ser executado gradativamente, nos próximos dez anos. A previsão, diz Laiza, é que as obras comecem em meados de 2015.

— Estamos fazendo o estudo físico do terreno e analisando a melhor ideia, num trabalho conjunto com a construtora. Do total do terreno, 99 mil metros quadrados serão usados nesse empreendimento. Poderemos ter shopping, complexos imobiliários com residência e comércio e o que mais o mercado demandar — disse a gerente-executiva.

De acordo com a CEF, o terreno foi cedido em permuta à construtora, que terá que pagar ao fundo um percentual da venda de cada unidade do empreendimento. O valor não foi revelado pelo fundo administrado pela Caixa Econômica.

— A desocupação da área começou a ser feita pela CEG em 2013. A empresa, no entanto, continuará ocupando uma pequena fração do terreno — disse a gerente da CEF.

A partir de segunda-feira, cerca de 300 funcionários das áreas corporativas da CEG começarão a deixar as salas da sede da empresa em São Cristóvão, para ocupar três andares do Rio Office Tower, na Avenida Presidente Vargas, no Centro. Somente funcionários das áreas operativas, cerca de 400, permanecerão na antiga sede, numa área de 13.700 metros quadrados — pouco mais de 10% do terreno.

INÍCIO DA OPERAÇÃO FOI EM 1911

Inaugurado em junho de 1911 pelo grupo belga Societé Anonyme du Gaz do Rio de Janeiro (SAG), o Gasômetro surgiu como parte da nova fábrica de gás de São Cristóvão, na entrada do Canal do Mangue. Em 1915, ele foi considerado o maior do mundo, com capacidade de fornecer 90 mil metros cúbicos de gás por dia. Naquele tempo, a empresa fornecia o produto a cerca de 25 mil consumidores.

Em 1968, durante o governo Costa de Silva, foi denunciado um plano de atentado contra o Gasômetro. Militares teriam planejado explodir a área, considerada de segurança máxima, para colocar a culpa nos comunistas. O suposto plano não teria ido adiante porque o capitão Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, conhecido como Sérgio Macaco, teria se recusado a cumprir a missão.

Os três tanques da fábrica de gás de São Cristóvão serviam para o armazenamento de gás manufaturado. E tinham capacidade de guardar 235 mil metros cúbicos.

Na década de 80, a fábrica de São Cristóvão abrigou três tanques de gás natural, dois de nafta e uma usina de transformação. Foi a maior e a mais importante unidade do gênero no Rio de Janeiro.

Com o processo de substituição do gás manufaturado pelo gás natural, que fica guardado dentro dos próprios dutos, os tanques deixaram de ser usados. Em 2006, eles começaram a ser desativados. Apenas um deles ficou de pé, mas apenas para manter a memória do local.

A área total da empresa, que tem cerca de 116 mil metros quadrados, ainda guarda prédios da antiga fábrica. Lá dentro, construções de tijolinhos, que lembram a arquitetura de uma vila operária, dividem espaço com edificações mais modernas. Ao todo, o terreno tem cerca de 20 prédios.

Além da unidade de São Cristóvão, a CEG já teve outros gasômetros no Rio de Janeiro: na Cidade Nova, em Botafogo, no Leblon, no Engenho Novo e na Fazenda Modelo.

*Colaborou André Miranda de Souz

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