sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Com mais 49 estações, Bike Rio avança para a Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes

09/01/2015 - O Globo


RIO — Elas começaram dominando a paisagem da Zona Sul, recentemente passaram a ser vistas com mais frequência pelo Centro e na região da Grande Tijuca, e neste verão prometem dar mais as caras pelos lados da Barra da Tijuca e do Recreio. Em três anos e dois meses de existência no Rio, as laranjinhas — as bicicletas de aluguel compartilhado — já contabilizaram 4,3 milhões de viagens, atingindo a marca de 216 mil usuários cadastrados. Neste ano, o programa Bike Rio vai recomeçar com mais um reforço na frota: ainda no primeiro trimestre, a concessionária Serttel, responsável pela administração do serviço, deverá colocar nas ruas mais 600 bicicletas, que serão distribuídas em outras 60 estações.

Com esse reforço, segundo a Secretaria Especial de Concessões e Parcerias Público-Privadas (Secpar), até fevereiro os ciclistas terão 260 pontos para recolher e usar à vontade uma laranjinha. E poderão contar com mais duas mil unidades em seus deslocamentos para o trabalho ou o lazer.

Nesta expansão, a região da Barra da Tijuca e do Recreio será a mais beneficiada da cidade, com 49 pontos: na orla, junto a shoppings e condomínios e próximo a quatro estações de BRT. A ideia da prefeitura é incentivar o uso das bicicletas em conjunto com os ônibus.

NA BARRA, EXPECTATIVA

Morador da Barra, o personal trainer Bruno Roberto, de 23 anos, já utiliza o Bike Rio quando vai à Zona Sul, e espera ansiosamente pela chegada de mais laranjinhas na Zona Oeste.

— Eu já costumo ir de ônibus para a Zona Sul. Quando estou por lá, fico me deslocando de bicicleta por Ipanema e Copacabana para dar os treinos para os meus clientes. É bom, porque consigo me deslocar com mais rapidez, além de me manter ativo. Aqui na Barra, ainda não conto muito com o serviço. Só espero que a prefeitura também reforce o sistema de ciclovias no interior do bairro, para que o uso das bicicletas não fique restrito somente à orla — opina Bruno.

Pelos cálculos da prefeitura, considerando a média de 2,7 quilômetros por viagem, em três anos as laranjinhas já rodaram mais de 11,610 milhões de quilômetros. Entre 2013 e 2014, o programa Bike Rio contabilizou um crescimento de cerca de 35%. Segundo o levantamento, nos meses de setembro, outubro e novembro, o serviço alcançou a média diária de cerca sete mil viagens. E as três estações mais usadas pelos ciclistas ficam em Copacabana: a da Rua Miguel Lemos, a do Posto Seis e a da Avenida Princesa Isabel, todas com a média de seis mil veículos retirados por mês. Já as três menos procuradas são a do Largo do Boiadeiro, na Rocinha, a da Rua Sá Ferreira, em Ipanema, e a da Praça São Judas Tadeu, no Cosme Velho. Os números de retiradas de bicicletas nas estações menos frequentadas, no entanto, não foram divulgados pela prefeitura.

REFORÇO NA ZONA SUL

Com a grande procura, principalmente na Zona Sul, a prefeitura decidiu reforçar o número de postos nos bairros da região na segunda fase. Resolveu, também, adiar a chegada das bicicletas em outros pontos da Zona Norte e da Zona Oeste. Bairros como Méier e Campo Grande ainda terão que esperar pela próxima leva de laranjinhas.

— Cogitamos expandir para o restante da cidade, mas percebemos que o sistema já instalado não estava comportando a demanda. As bikes estão lá, mas o número de usuários se revelou muito maior do que o esperado. Entendemos também que era importante primeiro reforçar os bairros já atendidos, em vez de expandir para outras localidades. Foi uma decisão estratégica — disse Gustavo Almeida, coordenador geral de controle de concessões da Secpar, acrescentando que a empresa já conta com uma tecnologia que permite o remanejamento de bicicletas para postos com grande procura.

A escolha de instalação dos pontos de aluguel, explica Gustavo Almeida, inclui estudos e pareceres de vários órgãos da prefeitura, entre eles a Secretaria de Meio Ambiente, a Secretaria de Urbanismo e a de Obras:

— Há alguns pontos com muita procura e outros com baixíssima utilização. Estamos sempre analisando isso para pedirmos mudanças à concessionária. Temos percebido uma baixa procura nos pontos próximos a comunidades. Acreditamos que seja por dois fatores: nestes locais muitos já têm suas próprias bicicletas e preferem usá-las. A necessidade de uso do cartão de crédito para pagamento também pode ser um limitador. Estamos estudando a possibilidade de incluir na próxima licitação uma adequação tecnológica que permita o uso do bilhete único.

Uma das estações que serão deslocadas é a situada no acesso ao Morro Dona Marta, que será levada para a Rua São Clemente, liberando o local para construção de uma área de lazer para a comunidade.

— Foi um pedido dos moradores. O serviço é um sucesso, mas muita gente reclama quando é na frente de sua casa, ou quando é colocado sobre vagas de estacionamento. Mas os cariocas precisam entender que a prefeitura está firme no propósito desta mudança cultural — diz.

Das 199 estações implantadas até o momento, apenas 15 foram instaladas em vagas de estacionamento. Segundo o representante da Secpar, a intenção do projeto é aumentar este percentual.

— Há casos em que a CET-Rio não aprovou o uso das vagas porque é necessário deixar as faixas de rolamento livres de equipamentos permanentes, de modo que seja possível promover alterações no tráfego para otimizar o fluxo. Isto acontece, por exemplo, quando há shows em Copacabana ou no planejamento das obras de mobilidade no Centro e na região do Porto — justifica.

COPA ATRASOU CRONOGRAMA

As novas bicicletas já deveriam estar rodando desde o ano passado, mas alguns obstáculos levaram a prefeitura a estender o prazo.

— Fizemos uma licitação em 2013, que determinava que, até o fim de 2014, as 60 estações existentes seriam revistas e seriam instaladas mais 200. A Copa do Mundo, por exemplo, paralisou todas as obras na cidade por 60 dias. Então, foi dado um prazo maior para a empresa — justifica.

O programa de bicicletas públicas demorou a cair no gosto de cariocas e turistas. Uma série de problemas levou à suspensão do sistema, então chamado Pedala Rio, em julho de 2011. Foram dois anos e meio enfrentando obstáculos, como furtos, falhas operacionais e preços pouco atrativos. No dia 28 de outubro de 2011, o programa foi relançado pela prefeitura, em conjunto com a Serttel e com o patrocínio do Banco Itaú. Desde então, a quantidade de estações triplicou, chegando a 60, com um total de 600 bicicletas — antes, eram 19 bases e 150 veículos.

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