domingo, 18 de janeiro de 2015

Presidente da Cedae prevê uso inédito do volume morto de Paraibuna ainda este semestre

Maior reservatório do Rio Paraíba do Sul, no Vale do Paraíba paulista, está com apenas 0,38% da capacidade

POR EMANUEL ALENCAR

16/01/2015 - O Globo


Vazão cada vez menor pode afetar o abastecimento de água no estado: o maior reservatório do Paraíba do Sul, em Paraibuna, está com 0,38% de sua capacidade - Custódio Coimbra / Agência O Globo (03/11/2014)

RIO — A crise hídrica que atingiu em cheio São Paulo nos últimos meses está prestes a alcançar um novo recorde negativo, com reflexos no abastecimento do Estado do Rio. O maior reservatório do Rio Paraíba do Sul, localizado em Paraibuna, no Vale do Paraíba paulista, está com apenas 0,38% de sua capacidade. Se o regime de chuvas na região continuar abaixo das estimativas dos meteorologistas, não haverá outra saída a não ser utilizar o volume morto — também chamado de reserva técnica — do Paraibuna ainda no primeiro semestre. O novo presidente da Cedae, Jorge Briard, afirmou que a empresa já consultou Light, Furnas e Companhia Energética de São Paulo (Cesp) sobre a qualidade das águas dessas reservas até hoje não exploradas. Especialistas estimam que o volume morto do reservatório de Paraibuna — que opera desde 1978 e é considerado o "coração do sistema" — tenha 400 milhões de metros cúbicos, o que seria suficiente para garantir o abastecimento de cidades de São Paulo, Rio e Minas por até três meses.

Briard ressalta que a situação hídrica da Região Metropolitana do Rio ainda é confortável, mas reconhece que técnicos esperavam um volume maior de chuva de outubro a novembro passado, o que não aconteceu. A seca exigirá soluções criativas e novos estudos de engenharia nos próximos meses, destaca o novo presidente da Cedae.

— A utilização dos volumes mortos não nos assusta. Vamos ter mais dificuldades, e estamos estudando, junto com outros atores, tecnologias para soluções alternativas de captação de água. Precisamos estar preparados para novos cenários de crise. Vamos prolongar a vida útil desse sistema o máximo possível — diz Briard, que pediu apoio da população contra o desperdício. — Não temos perspectiva, em 2015, de problemas de abastecimento de água no Grande Rio. Entretanto, é importante que a população seja parceira. O sentimento de que a água é um bem finito deve ser de todos. A falta de chuva está prolongada. A Cedae vai fazer a sua parte. Vamos estabelecer um prazo menor para atender a denúncias de vazamento — diz.

Na avaliação do pesquisador Paulo Carneiro, da Coppe/UFRJ, especialista em recursos hídricos, "tudo aponta que medidas de racionamento precisarão ser tomadas", inclusive no Rio. Ele acrescenta que o uso de volume morto de barragens do Paraíba do Sul não é uma operação tão simples:

— As válvulas de fundo do reservatório de Paraibuna não foram projetadas para esse tipo de uso. Além disso, o uso do volume morto pode adiar o problema para 2016.

MUDANÇAS NA CAPTAÇÃO DE SEIS CIDADES

Briard volta a afirmar que uma mudança tarifária da Cedae, estabelecendo alívio nas contas de quem consome de forma mais racional, não está entre as prioridades da empresa. O novo critério foi defendido pelo secretário estadual do Ambiente, André Corrêa. Atualmente, 75% dos cerca de dez milhões de clientes da Cedae consomem até 15 metros cúbicos de água por mês, e, por isso, pagam uma tarifa básica fixa.

— Nosso sistema já pune fortemente quem ultrapassa o volume mínimo. Vamos implementar um trabalho forte em recadastramento de clientes e instalação de hidrômetros. A recuperação comercial da empresa virá acompanhada da melhoria de abastecimento — diz Briard.

O novo presidente da empresa de saneamento acrescenta que a companhia deverá investir aproximadamente R$ 6 milhões em obras de melhoria na captação de água nas cidades de Barra do Piraí, Vassouras, Paraíba do Sul, Sapucaia, São Fidélis e São João da Barra. A vazão baixa do Rio Paraíba do Sul tem dificultado o abastecimento de municípios localizados em suas margens.

Briard diz ainda que não espera usar este ano a reserva estratégica de água da represa de Ribeirão das Lajes, em Piraí:

— As águas de Lajes têm alta qualidade, e o reservatório tem um tempo de recomposição de volume muito lento, pois é abastecido por um único túnel, ligado ao Rio Piraí. Não pensamos em mexer este ano. Lançar mão de Ribeirão das Lajes hoje é uma temeridade, seria colocar a carroça na frente dos bois.

O presidente da Cedae afirma também que a Secretaria estadual de Obras fará nova licitação das intervenções necessárias para reduzir a poluição nos rios do Sistema Guandu. Mas as obras só devem ficar prontas em 2018.
 
UM PEÃO QUE CHEGOU AO TOPO DA EMPRESA

Depois de oito anos sob o comando de Wagner Victer, a Cedae passa a ser administrada pelo engenheiro civil Jorge Briard. Neto e filho de técnicos em tratamento de esgoto, Briard é funcionário de carreira da companhia, onde entrou em 1984, como servente. Desde então, assumiu diversos cargos — há oito anos chefiava a Diretoria de Operação. Criado em Piedade, é torcedor do Fluminense e pai de quatro filhos, com idades entre 7 e 31 anos, de três casamentos. Briard foi uma escolha pessoal do governador Luiz Fernando Pezão. Afirmando "não ter padrinho político", garante que exigirá dedicação total dos 6.200 funcionários da Cedae.

— Comigo não tem colher de chá. Fui peão e sei quem está me enrolando — brinca.

Considerado um técnico experiente e agregador, ganhou a Medalha Pedro Ernesto em 2007.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/presidente-da-cedae-preve-uso-inedito-do-volume-morto-de-paraibuna-ainda-este-semestre-15066522#ixzz3PAzy6EMl 
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