domingo, 25 de abril de 2010

Abandono do bairro imperial

24.04.10 às 21h00



Moradores e comerciantes de São Cristóvão reclamam de ruas tomadas por buracos, lixo e viciados em crack

POR NATALIA VON KORSCH - O Dia
Rio - Os moradores de São Cristóvão, que sempre se orgulharam de viver no bairro imperial, têm agora um novo nome para a região que abrigou a corte portuguesa no Brasil Colônia: cracolândia carioca. Assustados com o crescimento do número de viciados na droga circulando pelo bairro, eles enviaram cartas à seção Conexão Leitor do jornal O DIA, reclamando do problema enfrentado no dia a dia.
Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
O viaduto em frente à Feira dos Nordestinos e o Largo da Cancela são pontos preferidos dos usuários de crack | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
A falta de segurança não é a única queixa dos habitantes de São Cristóvão, incomodados também com lixo nas calçadas, ruas esburacadas, alagamentos quando chove, prostituição à noite e abandono de seu símbolo máximo: a Quinta da Boa Vista. Menores usuários do crack fizeram do local — onde diariamente circulam centenas de crianças atraídas pelo Jardim Zoológico e pela área verde — um reduto que deixa os visitantes acuados. A Secretaria Municipal de Assistência Social diz que os menores de rua têm “referência domiciliar”.

Por causa dos usuários de droga nas ruas, as famílias usam diferentes estratégias para que seus filhos estudem em segurança. “Levamos as crianças para a escola em grupo, mas eles cercam a gente. Meus filhos já deixaram de ir à escola várias vezes por falta de segurança”, relata uma moradora, que não quis ser identificada. Outra mãe diz que seus filhos estão reféns em sua própria casa: “Temos até toque de recolher. À noite ninguém sai de casa e, durante o dia, só para ir e voltar da escola”.

Há 55 de seus 57 anos em São Cristóvão, a aposentada Telma Caldas lamenta o destino reservado para a antes bucólica Quinta da Boa Vista: “O lixo fica acumulado, os mendigos dormem nas praças e à noite o parque virou zona de prostituição. A Quinta nunca esteve tão abandonada”.

Para evitar os constantes assaltos, comerciantes se cotizaram para pagar seguranças particulares. Na Rua São Luiz Gonzaga, cada lojista paga R$ 50 por semana. Gerente de uma loja na rua, Geovana Paiva, 37, conta que é abordada por bandidos com frequência: “Como já sei que vou ser assaltada, não ando com celular nem carteira. Já pensei em morar aqui, mas está muito violento”. 

Dois dos pontos preferidos dos usuários de crack, o viaduto em frente à Feira dos Nordestinos e o Largo da Cancela, ficam a cerca de 100 m de cinco escolas, uma delegacia e uma viatura fixa da PM. Em uma só tarde, O DIA flagrou cerca de 20 menores usando drogas nos dois locais.

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