terça-feira, 6 de abril de 2010

Chuva forte alaga diversos pontos do Rio e provoca mortes

TRAGÉDIA


Publicada em 06/04/2010 às 08h29m
O Globo e TV Globo
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A Praça da Bandeira, totalmente alagada: engarrafamento às 4h da madrugada / Reprodução
RIO - A chuva que cai sobre o Rio de Janeiro há mais de 12 horas já deixou pelo menos oito mortos na cidade. Outras cinco pessoas estão desaparecidas e 20 ficaram feridas, segundo o subsecretário da Defesa Civil no Rio de Janeiro, coronel Sérgio Simões. O prefeito Eduardo Paes pede às pessoas que não saiam de casa e suspendeu as aulas nas escolas municipais. Também solicitou às escolas particulares que cancelem suas atividades nesta terça-feira;
Na noite de ontem, pelo menos três pessoas morreram no Morro do Borel, na Tijuca, por conta de deslizamentos de terra causados pela chuva. Duas deram entradas já mortas no Hospital do Andaraí: Marcelle Barbosa, de apenas 5 meses, e uma menina de 16 anos ainda não identificada. Já Francisca Bezera de Souza chegou com vida ao hospital, mas não resistiu. Ao todo, 12 pessoas deram entrada na unidade hospitalar. Além dos três mortos, duas pessoas apresentaram fraturas e sete tinham escoriações. Bombeiros e agentes da Defesa Civil Municipal continuam no Morro do Borel à procura de uma criança que ainda estaria soterrada.
(Leia mais: Paes dá nota 'inferior a zero' ao preparo da cidade contra chuvas)
Um outro desabamento atingiu pelo menos dois imóveis na Rua Leopoldo 937, no Andaraí, também Zona Norte. Uma criança de 9 anos, ainda não identificada, ficou ferida e também está sendo atendida no Hospital do Andaraí. Ainda existe uma pessoa desaparecida no local.
(Veja imagens dos transtornos causados pela chuva no Rio)
Em São Gonçalo, outra pessoa também ficou ferida em um deslizamento de terra que acabou derrubando uma casa na Travessa Lucas, no bairro da Covanca. A vítima, ainda não identificada, foi socorrida com vida por bombeiros do Quartel de São Gonçalo.
Queda de barreira interdita Avenida Niemeyer
A chuva derrubou uma barreira na Avenida Niemeyer, na altura do Hotel Sheraton, na madrugada desta terça-feira. As pistas nos dois sentidos estão fechadas. Não há policiamento no local. No Leblon, uma árvore caiu dentro do Canal da Avenida Visconde de Alburquerque, que transbordou. As pistas estão cheias de água, mas os carros conseguem passar em marcha lenta.
A correnteza, no elevado Paulo de Frontin. Foto de Fernando Quevedo
Por volta das 23h, depois de uma pequena estiada, voltou a chover forte em vários pontos da cidade. Das 17h às 23h, a Defesa Civil municipal registrou 51 ocorrências em toda a cidade. A maioria das solicitações foi provocada por ameaça e por desabamentos de imóveis, deslizamentos de barreiras e quedas de muros. As regiões mais atingidas pelo temporal foram as zonas Norte (Andaraí, Lins de Vasconcelos e Tijuca) e Oeste (Praça Seca e Freguesia).
As duas galerias sentido Rio Comprido do Túnel Rebouças estão operando em sistema de pare e siga na madrugada desta terça-feira. Na tentativa de reduzir a grande quantidade de monóxido de carbono que está se acumulando dentro da galeria, fiscais da CET-Rio estão bloqueando a entrada do túnel de meia em meia hora, aproximadamente. As pistas só são reabertas depois há o escoamento dos veículos dentro da galeria. No sentido oposto, apesar de intenso, o trânsito não está congestionado.
Motoristas seguem em contramão pela Tijuca
Na tentativa de escapar do longo congestionamento nos acessos à Tijuca, motoristas estão ignorando a sinalização e trafegando pela Rua Haddock Lobo pela contramão, entre o Largo do Estácio e o Largo da Segunda-Feira. Motoristas relataram ter levado até sete horas para percorrer o trajeto da Rua do Riachuelo, na Lapa, e o o Largo da Segunda-feira, na Tijuca.
Órgãos da Prefeitura reforçaram seu efetivo para contornar os transtornos provocados pela chuva. "Mesmo com a melhora nas condições de drenagem e com as desobstruções feitas pela operação Águas de Março, o período atual de maré alta prejudica o escoamento da água nos pontos de alagamento", informou a Defesa Civil. A cidade permanece em estado de atenção devido à previsão de chuva moderada em toda a cidade durante a noite e madrugada. Em caso de emergência, a população deve ligar para a Defesa Civil no telefone 199, que funciona 24 horas.
Rua alagada em Vila Valqueire, na Zona Norte / Foto do leitor Paulo Roberto de Freitas
A forte chuva foi causada pela passagem de uma frente fria, de acordo com o Climatempo. As rajadas de vento chegaram a 75 km/h às 17h, no Forte de Copacabana. Também houve ventos fortes na região do Aeroporto Santos Dumont, com rajadas de 50 km/h, às 19h.
O temporal piorou por volta das 17h30m, e deu um nó no trânsito em plena hora do rush, surpreendendo as pessoas que voltavam do trabalho. A pista sentido Praça da Bandeira da Avenida Presidente Vargas ficou completamente parada. O mesmo aconteceu no Elevado Trinta e Um de Março e na Rua Mem de Sá. A rodoviária da Central do Brasil ficou lotada de pessoas à espera de ônibus. Na chamada Grande Tijuca, a situação continua sendo das mais críticas. O Rio Maracanã transbordou. Segundo a CET-Rio, ficaram alagadas a Avenida 28 de Setembro (na altura da Rua Felipe Camarão), a Praça da Bandeira (sentido Centro e na altura da Rua do Matoso), a Avenida Presidente Castelo Branco (na altura da Rua Professor Manuel de Abreu), a Avenida Maracanã (na altura da Rua Deputado Soares Filho), a Rua Conde de Bonfim (na altura da Rua Uruguai), a Rua General Canabarro (na altura da Avenida Presidente Castelo Branco) e Avenida maracanã (na altura da Professor Eurico Rabelo). O Centro de Controle de Operações da CET-Rio em alerta total, e a Guarda Municipal dobrou seu turno.
Motoristas são assaltados durante congestionamento na Mangueira
Por causa dos engarrafamentos provocados por bolsões de água, motoristas foram assaltados na Rua São Francisco Xavier, perto do Viaduto da Mangueira. Uma vítima esteve na 20ª DP (Vila Isabel) para relatar o caso. A PM também foi chamada para uma denúncia de arrastão no acesso ao Túnel Noel Rosa, mas nenhuma vítima foi encontrada.
Impossibilitadas de deixar o Centro, muitas pessoas pernoitaram em hotéis da região. Às 23h, 19 quartos estavam ocupados no Hotel Fluminense, na Rua dos Inválidos. A situação não era diferente no Hotel Snob, na Rua Henrique Valladares. No fim da noite, cerca de 40 quartos estavam ocupados. A média de ocupação das segundas-feiras é de 10 a 15 quartos.
A queda de uma árvore no Alto da Boa Vista, na altura do número 2109, interditou os dois sentidos da via no início da noite. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas só por volta das 22h a árvore foi retirada. A Avenida Grajaú-Jacarepaguá ficou às escuras e algumas pedras rolaram no fim da tarde. A Light informou, por volta das 23h, que ainda faltava energia em trechos da Tijuca, São Cristóvão, Ilha do Governador e Campinho. Em Botafogo, as ruas atingidas são Mena Barreto, Real Grandeza e Visconde de Caravelas, o que está tumultuando ainda mais o trânsito. Já em outros trechos, o fornecimento já foi restabelecido, como em São Conrado, Barra, Alto da Boavista, Taquara e Tijuca, nas ruas Andrade Neves, Leite de Abreu e Conde de Bonfim.
A Rua Francisco Bicalho, no sentido Zona Sul, ficou parada. Carros tentavam voltar pela contramão. Foto de Ana Branco
(Leia mais: Internautas mostram problemas em diferentes pontos do Rio)
Na Avenida Brasil, ficaram alagados trechos no Caju, em Manguinhos, em Bonsucesso, em Ramos e em Parada de Lucas. Também na Zona Norte, ruas ficaram alagadas em Vila Valqueire. Praticamente toda a extensão da Avenida Pastor Martin Luther King Jr. (antiga Avenida Automóvel Clube) ficou na mesma situação. Os pontos críticos, por onde os motoristas não conseguiam transitar, ficam na altura dos bairros de Colégio, Irajá, Vicente de Carvalho e Tomás Coelho. Segundo a Secretaria municipal de Transportes, houve problemas ainda na Linha Vermelha (na altura da Ilha do Governador) e no Rio Comprido (Avenida Paulo de Frontin).
Na Zona Sul, o trânsito também foi prejudicado pela chuva. Bolsões de água atrapalharam os motoristas nas ruas Jardim Botânico (na altura da Rua Pacheco Leão e na altura do Parque Lage) e Voluntários da Pátria (na esquina com a Rua Real Grandeza). Na Lagoa, a Rua Alexandre Ferreira, na altura da Rua Maria Angélica, também ficou alagada. Também houve trechos de alagamentos nas avenidas Epitácio Pessoa, Borges de Medeiros e Lineu de Paula Machado. Por volta das 22h, o caminho menos problemático para sair do Centro e chegar à Zona Sul era a Avenida Rio Branco
Trens param de circular na Estação de Manguinhos
A chuva causou ainda a interrupção do trânsito dos trens da SuperVia nas proximidades da estação de Manguinhos. Segundo a concessionária, por questão de segurança, os trens do ramal Saracuruna passaram a circular apenas no trecho de Saracuruna a Bonsucesso.
Nas estações Uruguaiana e Carioca do metrô, foi preciso fazer o controle de passageiros para evitar a superlotação. Segundo a concessionária Metrô Rio, a circulação dos trens ficou normal e sem atrasos.
Ruas dos bairros de São Conrado, Barra da Tijuca, Jacarepaguá (Taquara), Alto da Boa Vista, Tijuca, São Cristóvão e Ilha do Governador chegaram a ficar sem luz.
O volume acumulado de chuva entre 17h30m e 18h30m chegou a 40 milímetros no Sumaré, no Méier e em Jacarepaguá; a 38 milímetros em Madureira; a 37 milímetros na Ilha do Governador e no Grajaú; e a 34 milímetros em São Cristóvão, segundo a Georio. Na Barra, o acumulado está em 37 milímetros; e no Jardim Botânico, o total de chuva na última hora está em 31 milímetros.
Em boletim divulgado no fim da tarde, a Prefeitura do Rio já alertava para a possibilidade de escorregamentos de encostas nas regiões das bacias de Jacarepaguá e da Baía de Guanabara. A recomendação era de que os habitantes das áreas de risco deviam se deslocar imediatamente para locais seguros.
O Instituto Climatempo informou que áreas de instabilidade associadas a uma frente fria se intensificaram na cidade do Rio entre o fim da tarde e o começo de noite desta segunda-feira. Até quarta-feira, o tempo não muda.

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