domingo, 2 de maio de 2010

A nova âncora do Porto

REVITALIZAÇÃO


Publicada em 02/05/2010 às 00h20m
O Globo - 02/05/2010
    RIO - Com o objetivo de reforçar o legado econômico, social, habitacional e de infraestrutura que as Olimpíadas de 2016 deverão deixar para o Rio, a prefeitura pretende propor ao Comitê Olímpico Internacional (COI) a transferência, da Barra da Tijuca para a Zona Portuária, de parte das instalações esportivas e de apoio dos Jogos. Elas ficariam em terrenos da Avenida Francisco Bicalho e arredores. Batizado de Porto Olímpico, o projeto, a que O GLOBO teve acesso, será apresentado ao COI nos dias 16 e 17 de maio. Reportagem de Isabela Bastos mostra, publicada na edição deste domingo mostra que o projeto inclui a construção da Vila de Mídia e dos dois centros de mídia impressa e de televisão (MPC e IBC, nas siglas em inglês) nas imediações da via. Construídos para hospedar e atender jornalistas estrangeiros e de outros estados, os equipamentos requalificariam uma região completamente degradada, com terrenos vazios e prédios abandonados.
    A proposta inclui ainda a mudança de local das provas de boxe, levantamento de peso, tênis de mesa e badminton. Originalmente previstas para o Riocentro, elas seriam realizadas em galpões no Porto ou até mesmo na Cidade do Samba, que seriam adaptados para receber as instalações temporárias dessas modalidades.
    Para convencer os membros do comitê de que as mudanças são benéficas para a cidade, sem prejudicar o planejamento operacional das Olimpíadas, a prefeitura desenvolveu, junto com o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), estudos de localização das instalações no Porto. Foram refeitas ainda as simulações de tempo de viagem de atletas e jornalistas entre os quatro núcleos olímpicos, os chamados clusters, que distribuirão as modalidades esportivas entre Barra, Deodoro, Copacabana e Maracanã. Foi encomendada também à Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi) uma análise da viabilidade econômica da comercialização, após os Jogos, das unidades habitacionais construídas para receber atletas e jornalistas.
    Região tem amplos terrenos disponíveis
    Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Felipe Góes, a mudança seria possível porque a região portuária tem amplos terrenos disponíveis e a legislação urbanística da área foi modificada recentemente, permitindo construções de prédios de até 50 andares. O projeto Porto Olímpico ainda está sendo finalizado, mas o IAB já produziu dois estudos de localização para a Vila de Mídia e os centros de imprensa, que poderiam ser construídos em terrenos da União e da própria prefeitura.
    Numa das hipóteses, os centros de imprensa seriam erguidos numa área de 116 mil metros quadrados no Gasômetro. Já a Usina de Asfalto da prefeitura, que ocupa 24 mil metros quadrados na Avenida Francisco Bicalho, receberia um hotel. A Vila de Mídia seria erguida numa área conhecida como Praia Formosa, no Santo Cristo. Na segunda opção, tanto os centros de imprensa como o hotel e a Vila de Mídia ficariam concentrados no Gasômetro e na Usina de Asfalto.
    Segundo o prefeito Eduardo Paes, o projeto já recebeu avaliações positivas dos governos estadual e federal e do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Ele será apresentado ao COI durante a visita trimestral dos membros da comissão de avaliação dos Jogos. Com as mudanças, o poder público visa a alavancar não apenas a Francisco Bicalho, mas a revitalização de toda a Zona Portuária, já em andamento com as obras do Porto Maravilha. A expectativa é que se crie uma onda de impacto positiva para negócios e novas moradias nas Áreas de Planejamento de Centro e Zona Norte (APs 1 e 3).
    Leia a íntegra desta reportagem no Globo Digital

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