segunda-feira, 14 de junho de 2010

Fechamento da Avenida Rio Branco é adiado


O Globo, Luiz Gustavo Schmitt e Ludmilla de Lima, 12/jun
O projeto de fechamento da Avenida Rio Branco para carros e ônibus, previsto para sair do papel no próximo dia 26, foi adiado pelo prefeito Eduardo Paes. Ele não definiu uma data para a implementação da proposta, mas disse ontem que as obras só devem começar entre outubro e novembro. Com essa mudança, o projeto, que vem provocando polêmica, só terá início depois das eleições.
A restrição seria o primeiro passo rumo à transformação da avenida, um dos principais corredores viários da cidade, em um parque urbano para pedestres com dois milhões de metros quadrados. Paes justificou a decisão afirmando que prefere implantar antes o bilhete único nos ônibus.
Estava programada para este mês a redistribuição de 115 linhas que circulam pela Rio Branco. Os pontos das linhas que passam hoje pela avenida seriam transferidos para os terminais rodoviários das imediações, como Central, Praça Tiradentes e Praça Quinze. Depois de transformada em parque urbano - delimitado pelas avenidas Presidente Vargas, Beira-Mar, Passos, República do Paraguai, Presidente Antônio Carlos e pela Rua Primeiro de Março -, a avenida só contaria com a circulação de ônibus elétricos ou movidos a gás natural, em seis linhas especiais gratuitas.
O projeto inclui uma redistribuição dos pontos de táxi. Apenas carros de aluguel destinados a passageiros com limitação de locomoção, como deficientes físicos e idosos, teriam permissão para rodar na área fechada. Cancelas eletrônicas, câmeras e chips de identificação fariam o controle dentro da área.
Professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, Andréa Borde crítica o projeto. Segundo ela, a proposta não encontra paralelo com nenhuma iniciativa executada fora do Brasil.
- A Rio Branco foi construída para ser a ligação entre a Praça Mauá e a orla, uma ligação natural. Não conheço nenhuma avenida com esse perfil que tenha sido fechada como quer a prefeitura. Esse fechamento não pertence à história da Avenida Rio Branco, nem à história das avenidas - diz a professora, autora de um projeto que transforma a área da Igreja da Candelária em uma grande praça, com ligação até a Praça Quinze por um passeio público.
Para Andréa, a retirada do tráfego da avenida afetaria o trânsito da cidade e prejudicaria a vida dos passageiros e trabalhadores do Centro. Ela diz ainda que a avenida não precisa de num projeto que a valorize, e sim de espaços de convívio e corredores culturais:
- A Rio Branco já é extremamente valorizada. Estamos agora na quarta ou quinta geração de prédios em termos de altura de gabarito. Isso mostra que mais vale continuar construindo naquele lote do que construir um edifício novo em um espaço vazio na Avenida Presidente Vargas.

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