quarta-feira, 9 de junho de 2010

Urbanistas defendem balões e trens-bala


08/06/2010 - Jornal do Brasil
Balões infláveis, carros elétricos, metrô do Rio para Niterói, barcas da Praça 15 à Barra e trem-bala. Ideias inovadoras de transporte como essas serão tema do Rio 2050, um workshop que acontece de quarta-feira a sábado na Casa França-Brasil, no Centro.
Os arquitetos e urbanistas Pedro Rivera e Pedro Évora ministrarão a oficina, que contará com 20 colaboradores e tem como princípio básico dar asas à imaginação.
Pedro Rivera, 36 anos, graduou-se em 1997 na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da UFRJ e tem mestrado em urbanismo no Programa de Pós-Graduação em Urbanismo (Prourb). Atualmente é professor da PUC-Rio. Já Pedro Évora graduou-se também na FAU da Uerj em 2003, e foi professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo daquela universidade entre 2007 e 2009. Hoje desenvolve pesquisa em arquiteturas temporárias pelo Prourb. Trabalhando juntos com projetos de arquitetura, ambos fizeram uma exposição na França, em 2005, sobre a realidade das favelas e a imagem de cidade.
– Um sistema de transporte feito por balões seria interessante, menos poluente e mais silencioso – defende Évora. – Sem contar que nossa cidade é a mais bonita e ecológica do mundo. Imagina vê-la do alto e com o verde bem perto? Por que viver andando confinado no metrô?
Já Pedro Rivera defende a estruturação de uma cidade mais densa, com a ocupação dos espaços vazios, assim como acontece em Londres, na Inglaterra.
– O Rio iria parar de crescer horizontalmente – adverte o arquiteto e urbanista. – Até a popularização do automóvel, a densidade de habitantes por quilômetro quadrado na mancha urbana é menos do que já foi.
Especialistas criticam propostas do seminário
O professor de engenharia de transporte da Pontifícia Universidade Católica (PUC) José Eugênio Leal considera inviável a instalação de um trem-bala ligando o Rio a São Paulo e Minas Gerais, um metrô conectando o Rio a Niterói, barcas interligando a Praça 15 à Barra, assim como o uso de balões infláveis, tipo dirigível, como transporte de passageiros.
– O trem-bala é inviável porque teria um custo de R$ 20 bilhões para o Estado – justifica José Eugênio. – Quanto às barcas, há um problema sério: a navegabilidade. Com o mar de ressaca, seria impossível manter-se o tráfego nesse percurso. Poderia acontecer uma tragédia.
Sobre o novo perfil das favelas do Rio daqui a 40 anos, o urbanista Erickson Magalhães Duarte está preocupado.
– Há décadas, o crescimento e a ocupação desordenados das favelas transformaram o Rio numa cidade inviável nesse aspecto.

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