quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Porto do Rio vai receber R$ 1,6 bilhão em quatro anos

INVESTIMENTOS


Publicada em 19/07/2010 às 23h08m
Daniel Brunet - 19/07/2010
    O PORTO   do Rio: pacote de obras vai permitir que o terminal receba o dobro de turistas e aumente em quase seis vezes o transporte de carga  / André Teixeira - O Globo
    RIO - Mais do que o primeiro centenário, o Porto do Rio comemora hoje a chegada do maior investimento de sua história: R$ 1,6 bilhão, da iniciativa privada e do governo federal, que até 2014 vão garantir sua ampliação, em mais 83 mil metros quadrados, e a reforma dos terminais. Com isso, ganhará capacidade para receber um milhão de turistas - o dobro da última temporada -, o que é especialmente importante num momento em que há projetos de revitalização de todo o entorno da Zona Portuária. Ao mesmo tempo, a capacidade do porto de transporte de carga em contêineres será aumentada em quase seis vezes.
    Além da dragagem do canal de navegação, que a partir de fevereiro vai permitir que navios maiores atraquem no Rio, o terminal de veículos terá a capacidade mais que dobrada. Em quatro anos, a cidade terá a maior área de atracação de navios da América Latina.
    Os recursos só começarão a ser liberados em 2011. A Multiterminais, que administra os terminais de contêineres e de veículos desde a década de 90, vai investir R$ 1 bilhão para ampliar seus domínios. O governo federal, com verba de duas etapas do Programa de Aceleramento do Crescimento (PAC) - da Copa do Mundo e da Mobilidade Urbana -, fecha a conta com mais R$ 600 milhões em obras de dragagem e de reforço no cais.
    Parte da Baía será aterrada para ampliar plataforma
    Até o final do ano, a Companhia Docas, que administra o Porto do Rio, vai trabalhar para licenciar os projetos, que serão licitados em seguida. A expectativa é de que as obras comecem em fevereiro, quando será concluída a dragagem que vai retirar quatro milhões de metros cúbicos de sedimentos do canal de navegação e custou R$ 122 milhões ao governo federal.
    - Hoje podemos receber navios com calado de até 12,6 metros. Após a dragagem, poderão atracar navios maiores, com calado de até 15,5 metros - explica o presidente da Docas, Jorge Luiz de Mello.
    O superintendente do Porto do Rio, Adácio Carlos, acrescentou que os sedimentos serão despejados fora da Baía de Guanabara, acabando com o risco de eles serem devolvidos pelas correntes.
    De acordo com o projeto da Companhia Docas, a plataforma do Porto do Rio vai aumentar 73%. Para isso, será aterrada uma parte da Baía de Guanabara de 37 mil metros quadrados, na altura do Caju, onde hoje não há circulação de água.
    - Por ano recebemos entre 18 e 20 navios, que fazem 250 escalas em média. Com as melhorias, teremos capacidade de receber mais escalas - explica o superintendente.
    Outros 46 mil metros quadrados da Baía, do final do Porto até a altura da grande curva da Ponte Rio-Niterói, vão receber uma estrutura sobre estacas, permitindo a circulação da água. Com os novos espaços, os setores serão reordenados.
    A parte aterrada vai receber o novo terminal de veículos, que ficará em um edifício garagem de cinco andares. A ocupação vertical, permitirá que, até 2014, o Porto do Rio tenha capacidade para receber 480 mil veículos por ano, mais do que o dobro dos atuais 230 mil.
    A área que hoje é ocupada pelo terminal de veículos receberá a ampliação do setor de contêineres, que será de 580%, de acordo com a companhia.
    Terminal de passageiros terá R$ 314 milhões
    Hoje é possível receber, ao mesmo tempo, navios transportando 9 milhões de toneladas de carga. Após as dragagens e a ampliação dos terminais, esse número saltará para 25 milhões de toneladas. Apesar do avanço, essa capacidade será apenas 25% da do Porto de Santos, o maior do país.
    - Mas as obras vão dar ao Porto a maior plataforma de atracação com área contínua da América Latina - conta o presidente da Companhia Docas.
    O Porto do Rio também ganhará um terminal para atender à indústria do petróleo, com toda a logística para abastecer as sondas de exploração que atuam na camada pré-sal.
    Quase metade dos R$ 600 milhões do PAC serão usados nas obras de reforço estrutural dos cais Gamboa e São Cristóvão, além de financiar a dragagem nos canais de acesso às duas estruturas. O reforço é necessário para que os cais não desabem com a dragagem que seguirá a obra e permitirá que navios maiores cheguem ao Porto do Rio.
    Outros R$ 314 milhões do governo federal serão investidos na ampliação do terminal de passageiros, que vai ganhar três píeres com 40 metros de comprimento cada um, e ficará pronto até 2013.
    Passada a crise que atingiu a economia mundial em 2009 e com a ampliação dos terminais, o presidente da Docas já projeta um aumento da oferta de serviços e na arrecadação do Porto do Rio.
    - Esse ano não vamos atingir a performance de carga transportada em 2008, mas vamos nos aproximar bastante. Em 2009, tivemos a crise e uma arrecadação de R$ 390 milhões. Esse ano vamos passar os R$ 400 milhões. Além disso, devemos receber 600 mil turistas, 100 mil a mais que na última temporada- estima Jorge Luiz de Mello.
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