domingo, 15 de agosto de 2010

Rio e Casablanca são declarados cidades irmãs e dão o primeiro passo para nova relação Brasil-Marrocos

AMIZADE INTERNACIONAL
Publicada em 14/08/2010 às 18h45m - O Globo
 Na frente do Oceano Atlântico e aos pés da Mesquita de Hassan II, a segunda maior do mundo, construções modernas (ao fundo) convivem com habitações antigas na medina de Casablanca / Foto: Luiz Antônio Novaes MARROCOS - Berbere, fenícia, cartaginesa, romana, árabe, judia, andalusa, portuguesa e francesa. Marcado por todas essas influências, vindas de sua formação histórica, o Marrocos está disposto agora a conquistar os brasileiros -- começando pelos cariocas. Os primeiros passos dessa aproximação já foram dados, mostra reportagem de Luiz Antônio Novaes, enviado especial ao Marrocos, na edição do Globo deste domingo.
(Veja mais fotos do Marrocos) Uma lei assinada dos dois lados do Atlântico transformou o Rio de Janeiro em cidade-irmã de Casablanca, o balneário marroquino que Hollywood glamurizou. Em dezembro, os salões do Palácio da Cidade, residência oficial do prefeito, em Botafogo, e o não menos charmoso Jockey Club, na Gávea, vão se abrir para a Semana do Marrocos no Rio. O evento, que terá baile de gala, desfile de moda, exposição de arte e um festival gastronômico, será o ponto alto deste namoro entre povos que já registrou a visita de uma comitiva de ilustres cariocas a três cidades-símbolos do Marrocos: a florida Rabat, capital do Reinado; a imperial Fes, cuja medina a Unesco tombou como um dos mais importantes patrimônios medievais da humanidade; e a própria Casablanca, hoje um fervilhante porto e polo industrial de mais de 10 milhões de habitantes.
Sem royalties: o pão de açúcar é delesOutros tantos passos virão em 2011: entre eles, no primeiro semestre, duas missões de homens de negócios, uma para lá, outra para cá; e uma nova caravana de convidados do rei, que passará por Marrakech, num roteiro que irá percorrer, de norte a sul -- de Tânger, o maior porto comercial do Mediterrâneo, ao Saara --, cidades costeiras como Essaouira e Agadir, que, nas décadas de 60 e 70, encantaram beats e hippies.
O flerte entre cariocas e marroquinos deverá restabelecer um vínculo que veio pelo mar e é muito mais antigo e forte do que se imagina. O que o Rio de Janeiro e o Reino do Marrocos têm em comum? Simplesmente o Pão de Açúcar, ícone que, ao lado do Cristo Redentor, identifica a Cidade Maravilhosa em todo o mundo.
Pão de açúcar é como os marroquinos chamam o açúcar cristalizado na forma de cone usado lá até os dias de hoje. Para brasileiros, ver em prateleiras estrangeiras uma suposta miniatura do símbolo nacional é uma surpresa que se torna ainda mais curiosa quando se lê um inequívoco "pain de sucre" impresso na embalagem cinzenta. A primeira reação, talvez já sob influência do célebre espírito mercantil daquelas plagas, seria perguntar: "Ei, e os nossos royalties?" Mas, neste caso, o melhor é silenciar e guardar a viola no saco: parece que a dívida é nossa - e sujeita a juros e correção seculares!
Ao que tudo indica, foram eles, os "árabes do Mediterrâneo", quem batizaram o nosso Pão de Açúcar. A expressão original teria saído um dia da boca de um marinheiro magreb e disseminado pelos ventos que sopravam as caravelas do Velho para o Novo Mundo.
O cirurgião plástico Ivo Pitanguy foi presenteado com um par de pains de sucre. / Foto: Marcelo Carnaval Quem acredita nessa versão e a difunde nos dias de hoje? Ninguém menos do que o cirurgião plástico e professor Ivo Pitanguy -- um grande motivo para que celebridades internacionais tenham visitado e continuem a visitar o Rio de Janeiro.
Aos 84 anos e ainda atuante, Pitanguy mantém sobre uma mesinha, no quarto andar da clínica na Rua Dona Mariana, em Botafogo, um par de "pains de sucre", presenteados pelo banqueiro marroquino Oatman Benjelloun, uma das maiores fortunas do país. Hoje presidente do grupo financeiro BMCE, associado da Portugal Telecom, Benjelloun passeava num iate com o cirurgião, entre Angra e o Rio, quando se viu ao pé do colosso. "Um pão de açúcar!", exclamou, surpreso. Ao que Pitanguy, com surpresa ainda maior, respondeu: "Como um? É exatamente o Pão de Açúcar". Um mês depois, recebia o presente, do qual nunca mais se afastou.
- É uma história extraordinária, que eu nunca tinha contado direito. Extraordinária e doce - brinca o médico.
(*) O repórter viajou a convite da Associação de Amizade e Cooperação Brasil Marrocos (AACBM)
Leia a matéria na íntegra no Globo Digital

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