quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Favela será demolida e vai virar condomínio


O Dia, Maria Luisa Barros, 29/ago
Uma favela inteira na Zona Norte do Rio - o Parque Nova Cidade Acari - vai virar pó para dar lugar a um conjunto habitacional para 1.500 famílias. Todos os moradores dessa comunidade que vivem em condições precárias e insalubres, na região que detém o 2º pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da cidade, serão remanejados. Outras duas favelas vizinhas - Pedreira e Nova Jerusalém -, em Costa Barros, também vão receber as melhorias do programa Morar Carioca, da Secretaria Municipal de Habitação.
O edital de licitação das obras de urbanização, orçadas em R$ 147 milhões, será lançado nesta segunda-feira no Diário Oficial do Município. A previsão é dar início às obras em até 90 dias, beneficiando 20 mil moradores de 5.100 domicílios. As intervenções nos morros vão se estender pelos próximos três anos.
As melhorias incluem urbanização e implantação de infraestrutura, com a ampliação de redes de abastecimento de água, coleta de esgoto e sistemas de drenagem, além da abertura de novas vias e pavimentação, criação de praças e áreas de lazer, iluminação pública e coleta de lixo. "Essas comunidades receberam algumas melhorias ao longo dos anos, mas nada tão amplo e planejado como será feito desta vez", diz o secretário municipal de Habitação, Pierre Batista. A proposta do programa é universalizar o acesso aos serviços públicos. "O Rio precisa ser uma cidade integrada. Quem varre o lixo na Zona Sul também tem que atuar nessas favelas", afirma o secretário.
A região vai ganhar 3 creches com capacidade para 410 crianças, escola para estudantes do 1º ao 5º anos do Ensino Fundamental e um centro de inclusão digital projetado por Oscar Niemeyer, além de parques e uma clínica da família.
De acordo com o secretário Pierre Batista, o programa Morar Carioca vai investir R$ 2 bilhões na urbanização das favelas nos próximos dois anos. A meta é alcançar todas as comunidades até 2020.
Palco de tragédia recente
Costa Barros só perde para as favelas do Complexo do Alemão o título de pior lugar para se viver no Rio de Janeiro. Considerada uma das regiões mais violentas e carentes da cidade, o bairro de Costa Barros foi cenário de tragédia recente que chocou o País: a morte do menino Wesley Guilber de Andrade, 11 anos, atingido por uma bala perdida dentro da sala de aula do Ciep Rubens Gomes, após troca de tiros entre policiais e bandidos do Morro da Pedreira.
Para tentar reduzir a criminalidade na região e oferecer perspectiva de futuro para os jovens, será erguida na região uma Praça do Conhecimento, complexo cultural projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. O espaço de aprendizagem e lazer vai oferecer aos moradores das três comunidades Internet gratuita em laboratórios de informática, biblioteca e sala de cinema.
As comunidades vão receber, após a conclusão das obras, serviços de conservação e serão incluídas num sistema de monitoramento e controle para que a expansão seja evitada.

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