quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Parar carro em trechos das ruas Buenos Aires e da Alfândega será proibido a partir desta quinta-feira


Publicada em 22/09/2010 às 23h44m
Rafael D'Ângelo, Taís Mendes e Isabel de Araújo - O Globo

RIO - O estacionamento nas ruas Buenos Aires e Alfândega, entre a Avenida Rio Branco e a Rua Primeiro de Março, será proibido a partir desta quinta-feira. A medida foi anunciada na noite desta quarta-feira pela presidente da CET-Rio, Cláudia Secin, durante divulgação do balanço do Dia Mundial Sem Carro. De acordo com ela, o estacionamento atrapalha a circulação de pessoas. 

As vias integraram o polígono de proibição de estacionamento no Centro, que interditou 2.100 vagas. A medida passa a valer hoje. 

- Serão cortadas 46 vagas. É mais uma medida para estimular o uso racional do automóvel - disse Secin.
No Centro, nesta quarta-feira, 78 veículos foram rebocados e 330, multados por estacionar na área proibida. Nas Zonas Sul, Norte e Oeste, 367 veículos foram multados por estacionamento irregular nas áreas com limite de velocidade de 30km/h, implantadas ontem. 

Adesão abaixo da esperada
O pedido para o carioca deixar o automóvel em casa não surtiu o efeito esperado. De acordo com dados da Secretaria municipal de Transportes, 105 mil viagens em carros particulares deixaram de ser realizadas, o que representa 3,5% do total. A expectativa do subsecretário municipal de Transportes, Romulo Orrico, era de que a adesão chegasse a 5% (150 mil viagens). Mesmo assim, ele fez um balanço positivo: 

- O resultado foi satisfatório. No Centro, com a proibição do estacionamento, o tráfego ficou mais civilizado, parecia Manhattan. Na Avenida Rio Branco, um terço do tráfego é de carros particulares, e, ontem de manhã, o trânsito estava tranquilo. Essa é uma iniciativa que tem como objetivo estimular o uso racional do automóvel. 

Emissão de monóxido de carbono cai no Centro 

Na Zona Sul, o trânsito nas principais vias foi marcado pela lentidão. Os motoristas e usuários dos ônibus que seguiram pelas avenidas Nossa Senhora de Copacabana e Princesa Isabel, ambas em Copacabana, tiveram o silêncio de suas viagens interrompido pelo som das buzinas dos condutores mais apressados.
- Levei mais de duas horas para ir de Copacabana ao Galeão e retornar ao ponto, em Copacabana. Nunca levei tanto tempo - reclamou o taxista Ramon Barbosa. 

No Centro, porém, o impacto foi sentido principalmente no polígono entre as avenidas Rio Branco, Presidente Vargas e Presidente Antônio Carlos e das ruas Santa Luzia e Primeiro de Março, onde 2.100 vagas de estacionamento foram interditadas. Na região, segundo a Secretaria municipal de Meio Ambiente, a emissão de monóxido de carbono aumentou 76%, um terço do aumento habitual. Em Copacabana, a emissão do gás cresceu 96%, também abaixo da média. 

- Decidimos medir o monóxido de carbono porque é um gás proveniente dos veículos a gasolina. Houve uma redução significativa. Há uma tendência ao aumento das partículas de gás no ar durante a semana, e a redução não ocorre de um dia para o outro, mas houve um forte impacto. Em Vicente de Carvalho, por exemplo, o aumento de monóxido de carbono na atmosfera foi de 400% - afirmou o subsecretário municipal de Meio Ambiente, Altamirando Moraes. 

Prefeito usou bicicleta para ir ao trabalho
Pela manhã, o prefeito Eduardo Paes pedalou da Mesa do Imperador, no Parque Nacional da Tijuca, quintal da Gávea Pequena, até o Palácio da Cidade, em Botafogo. Ele percorreu os 20 quilômetros em 35 minutos, desta vez, sem cometer infrações: ano passado, Paes pedalou pela calçada, em trechos de contramão, o que não é permitido pelo Código de Trânsito Brasileiro. 


- O carioca precisa criar o hábito de andar mais de bicicleta. O Rio é uma cidade amigável, com uma boa rede de ciclovias. Estamos melhorando os transportes porque não há mais condições de tantos carros nas ruas - disse o prefeito. 

 
Os secretários do Ambiente, Marilene Ramos, e de Transportes, Sebastião Rodrigues, também seguiram de bicicleta para o trabalho. Marilene saiu de Ipanema, na Zona Sul do Rio. Já Rodrigues, que é morador de Niterói, saiu de casa de ônibus, atravessou a Baía de Guanabara de barca e seguiu de bicicleta até o Aterro do Flamengo, onde encontrou com a secretária. Marilene seguiu para a Zona Portuária, e Rodrigues, para Copacabana. 

Rodrigues reconheceu que ainda há muito trabalho para deixar as cidades adequadas para a mobilidade sustentável, mas ressaltou uma série de medidas que estão sendo tomadas e visam a melhorar os meios de transporte de massa nos próximos anos no Rio. 

- Acabamos de comprar 30 trens para a Supervia, que vão começar a chegar no próximo ano, e 19 para o metrô, também com início de chegada em 2011. Vamos expandir o metrô para a Barra da Tijuca e para São Gonçalo e Itaboraí. Estamos fazendo estudos para investimentos em barcas, com a compra de novas embarcações e abertura de outras linhas. E a Prefeitura do Rio também está fazendo corredores rodoviários, os chamados BRTs. No próximo ano, já vamos começar a sentir a diferença - afirmou, em nota, o secretário de Transportes. 

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