quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Rio e São Paulo figuram entre as dez cidades mais caras do mundo


Valor Econômico, Daniela D'Ambrosio, 29/set
O Hang Seng Bank comprou a HSBC Tower, em Pequim, por US$ 73 milhões. Em Seattle, nos Estados Unidos, o City Plaza Center, praticamente todo ocupado pela Microsoft, foi comprado pela Cole Real Estate Investments por US$ 310 milhões. Em Washington, o Evening Star Building, bem localizado na Pennsylvania Avenue, foi arrematado por US$ 180 milhões. No Rio de Janeiro, o Ventura Towers foi vendido ao BTG Pactual e BR Properties ao equivalente a US$ 398 milhões. Em São Paulo, 49% do maior prédio de escritórios da Faria Lima foi negociado por US$ 351 milhões.
Nesse emaranhado de vultosos valores e endereços privilegiados, o Brasil aparece em destaque. Tanto nas transações de prédios inteiros, quanto no valor do aluguel. Apenas no segundo trimestre de 2010, o volume de negócios triplicou em relação ao mesmo período do ano passado e somou US$ 1,6 bilhão. No que se refere aos aluguéis, o país desbanca localizações nobres e tradicionalmente caras: o preço médio de aluguel no Rio de Janeiro já está mais caro do que o miolo de Nova York. O mesmo acontece com a avenida Faria Lima - que se firma como o endereço mais nobre de São Paulo.
Estudo preparado com exclusividade pela Jones Lang LaSalle a pedido do Valor, mostra as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo entre as dez mais caras do mundo. O Rio de Janeiro aparece em sexto lugar, com o mesmo preço do metro quadrado de Milão - US$ 51. São Paulo está em nono lugar, ao lado da também italiana Roma. Em rankings globais, antes da crise de 2008, as duas cidades brasileiras costumavam aparecer entre a trigésima e quadragésima posição. O levantamento considera 98 cidades espalhadas pelos Estados Unidos, América do Sul, Ásia e Europa. Atualmente, o Brasil está à frente de cidades importantes, como Washington (16 posição), Madrid (17) , Buenos Aires (20), Bombaim (21), Toronto (24), México (25), Delhi (31).
Além do câmbio favorável, pesa positivamente para o Brasil tanto a valorização e o crescimento acelerado dos imóveis nos últimos cinco anos, quanto a forte queda em outros países, afetados de maneira mais intensa e prolongada pela crise mundial de 2008. A escassez de espaços para novas construções no centro do Rio e na avenida Faria Lima - onde a média de preços é de R$ 88 e R$ 110, respectivamente - fizeram com que os poucos imóveis disponíveis ganhassem status de joia rara.
Nos edifícios mais nobres e procurados dessas regiões, há contratos sendo fechados na casa de R$ 140 a R$ 150 por metro quadrado - o segundo valor mais caro do mundo, atrás apenas de Londres e acima dos caríssimos Paris e Tóquio. Para os prédios que serão entregues em 2011 e 2012, já se fala em até R$ 180, embora não haja notícias de contratos assinados por esse valor. O empresário Walter Torre, por exemplo, que esta construindo prédios de altíssimo padrão ao lado do novo shopping Iguatemi, na Marginal Pinheiros com a Juscelino, pretende pedir R$ 240 pelo metro quadrado do aluguel.
Muitas empresas que precisam de novos espaços encontram dificuldades em encontrar áreas a um preço considerado razoável. "Estampar o endereço Brigadeiro Faria Lima no cartão virou sinônimo máximo de status". Para Fábio Maceira, presidente da Jones Lang, já começa a perder sentido estar lá, a não ser que a empresa realmente queira um espaço nobre. Quem procura esse tipo de imóvel são os bancos de investimentos, escritórios de advocacia e as chamadas "family offices" - as administram fortunas de famílias. Para os grandes bancos, só se for a área private.
O descompasso entre oferta e demanda trouxe de volta ao mercado os contratos de pré-locação. Os prédios são entregues alugados. Outro efeito é a dificuldade por parte dos inquilinos já instalados nessas regiões para conseguir renegociar seus contratos. "Está muito complicado negociar, os donos dos imóveis não estão dispostos a ceder", diz uma fonte do mercado. Pela lei do inquilinato, os contratos devem ser revistos a cada três anos.
O Brasil se destaca em outro quesito. No primeiro semestre, a a taxa de vacância (imóveis comerciais vagos) em São Paulo foi de 8,4% e de 5,1% no Rio, contra 18,3% na América do Norte, 10,2% na Europa e 12,4% na Ásia.
Segundo relatório internacional da Jones Lang LaSalle, na Europa os investidores continuam hesitantes, preocupados com as questões de dívida soberana e com os pacotes de austeridade. "Os Estados Unidos tiveram um início de ano lento, mas agora os mercados estão retomando o ritmo de forma crescente." De acordo com o estudo, nos EUA é forte o apetite dos investidores pela limitada oferta de escritórios com boa ocupação e de alto padrão, além de ativos inadimplentes e em processo de execução. No Pacífico asiático, houve uma queda de 34% nos volumes de investimentos, com quedas mais expressivas no Japão, China e Austrália, mas aumentos em Hong Kong e Taiwan. Houve estabilização dos aluguéis, depois de um período de baixa e a demanda foi alimentada por investidores domésticos.
Ainda segundo o estudo, investimento direto em imóveis comerciais no mundo subiu 90% entre o segundo trimestre de 2009 e o segundo trimestre de 2010, de R$ 34,6 milhões para R$ 65,7 milhões. O maior aumento aconteceu nas Américas, com alta de 334%. "O Brasil lidera o aumento de transações nas Américas".

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