quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sambódromo pode ganhar mais 15 mil lugares


O Globo, 30/ago
O pacote olímpico abre caminho para o Sambódromo finalmente ser concluído, quase duas décadas depois da sua inauguração. Um dos projetos de lei que será analisado pelos vereadores propõe o que é conhecido na legislação urbanística como operação interligada. A prefeitura autorizaria a Ambev a construir um prédio com até 26 andares, ou altura máxima de 80 metros, em parte do terreno ocupado hoje pela antiga fábrica da Brahma.
Em troca da cessão da área, a a empresa arcaria com a construção de um novo bloco com três módulos de arquibancadas, camarotes e frisas, ocupado hoje pela fábrica.
Inepac tem de autorizar demolição de prédio Com a mudança, a expectativa é que a lotação da Passarela do Samba, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e inaugurada em 1984 pelo ex-governador Leonel Brizola, passe dos atuais 60 mil para 75 mil lugares.
A conclusão do Sambódromo é considerada um legado olímpico. O lugar será palco da largada da maratona e das provas de tiro com arco.
A demolição da fábrica da Brahma precisará de autorização do Instituto Estadual de Proteção ao Ambiente Cultural (Inepac). Isso porque o prédio fica na área tutelada do Sambódromo, que é tombado.
Segundo a prefeitura, o arquiteto Oscar Niemeyer já concordou com as mudanças. Niemeyer, inclusive, assina o projeto arquitetônico do novo prédio comercial que seria construído no terreno.
O projeto de lei abre uma série de opções para a exploração comercial do imóvel. No local poderá haver salas comerciais, hotéis ou instituições de ensino, entre outros.
- A proposta muda apenas a forma de utilização do terreno.
Hoje a Ambev poderia, no mesmo lugar, construir uma série de pequenos imóveis. O projeto concentra os parâmetros urbanísticos em um único prédio, de modo a permitir um melhor aproveitamento econômico.
Para a prefeitura, o acordo é vantajoso, porque as obras serão realizadas sem gastos para os cofres públicos - explicou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Felipe Goes.
O secretário não informou quanto custaria a ampliação do Sambódromo. O projeto da prefeitura prevê que a iniciativa privada arque com todos os investimentos necessários para o funcionamento dos novos módulos da Passarela do Samba. Isso inclui áreas para a instalação de banheiros públicos, cozinhas, bares, postos médicos, sala de segurança, espaços para jurados e acessos exclusivos para portadores de deficiências.
Os gastos com o projeto paisagístico também seriam da iniciativa privada. Todos os projetos das obras teriam que ser analisados previamente pela Riotur.
A data para o início das obras no Sambódromo ainda não está definida. O projeto estipula apenas 31 de dezembro de 2015 como o prazo máximo para que as obras sejam concluídas. Logo após o carnaval de 2016, o Sambódromo será fechado para novos eventos até as Olimpíadas.
Isso porque será necessário fazer uma série de adaptações para que receba as competições. Os custos, nesse caso, não serão arcados pela parceria com a Ambev.
Estas intervenções serão de responsabilidade do Comitê Organizador da Rio 2016 e incluirão desde instalações provisórias até a implementação da sinalização visual para o evento.

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