terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Despoluição da Baía de Guanabara rumo ao pódio

17/01/2011 - O Dia 

Setores se unem para realizar a limpeza até os Jogos Olímpicos de 2016

Rio - O desafio é enorme e, no meio do caminho rumo ao pódio, há obstáculos como televisores, preservativos, celulares, absorventes, canivetes, litros e mais litros de óleo de cozinha e tudo o mais que o homem considerar lixo em dado momento. Mas, desta vez, parece que a largada foi mesmo dada para a maior prova que o Rio de Janeiro enfrenta para sediar a Olimpíada de 2016: a despoluição da Baía de Guanabara.

Essa, ao menos, foi a impressão que os participantes do seminário SOS Baía de Guanabara tiveram ao fim do evento. Promovido pelos jornais O DIA e Brasil Econômico (publicações do Grupo Ejesa), o seminário reuniu ontem o poder público, a Petrobras, ONGs e o meio acadêmico para discutir projetos de despoluição das águas da Baía e do entorno. 

Na década de 90, o Estado do Rio de Janeiro criou um programa de despoluição, o PDBG, com a finalidade de planejar e coordenar um conjunto de ações que visavam à limpeza do ecossistema. Porém, até o momento, não conseguiu evitar que o esgoto sem tratamento chegue às águas. A despoluição é um dos compromissos assumidos pelo governo estadual com o COI para a realização de diversos esportes aquáticos da Olimpíada, como remo e vela.

A cooperação entre todas as esferas de governo e a participação da sociedade civil no cumprimento das metas do Comitê Olímpico Internacional (COI) foi um ponto positivo destacado por todos os palestrantes do evento.

“A integração entre os poderes é o que existe de mais significativo em termos de avanço. Hoje há comprometimento em deixar um legado socioambiental para o Rio”, destacou Paulo Fraga, diretor-executivo do Grupo Ejesa.

Também foi consenso a necessidade de educar a sociedade no sentido de não fazer da Baía um depósito de lixo. O presidente da Cedae, Wagner Victer, ressaltou que levantamento feito no bairro da Lapa constatou que, dos 200 imóveis comerciais existentes, 130 despejavam os dejetos clandestinamente.

“Cotonete, preservativo, cabelo, absorvente e óleo de cozinha vão direto para as águas da Baía de Guanabara. Sem conscientização ambiental não há projeto que resolva a questão”, alertou Victer, que aproveitou para dar a boa notícia: em dois meses começa a obra que vai devolver a todos os moradores do Rio uma Praia de Paquetá própria para banho de mar. 

Avanços já foram obtidos e cenário começa a mudar

Até pouco tempo atrás, a cena seria improvável: pequenas embarcações costeiras navegando pela Baía de Guanabara, sendo possível ver a correnteza e onde há um imenso viveiro de plantas nativas do mangue. O cenário é fruto de um dos projetos socioambientais da Petrobras na região, apresentados por Ronaldo Torres, gerente de Articulação e Contingência da Região Sudeste, no seminário SOS Guanabara. Governo do estado, prefeitura, Cedae, Ministério do Meio Ambiente, Instituto Baía de Guanabara, Instituto Rumo Náutico e a ONG Guardiões do Mar também abriram seus projetos ao público e debateram os caminhos para a despoluição até 2016. Na edição do próximo domingo, dia 23, um caderno especial trará a cobertura completa do evento, com o que já foi feito, o que ainda há por fazer, investimentos, desafios e a história da Baía de Guanabara.

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