quinta-feira, 25 de agosto de 2011


Condomínio adota geração eólica e solar
Valor Econômico, Chico Santos, 25/ago
Lima, diretor da Ecoglobal, explica que o projeto não visa autonomia energética, mas economia com a conta de luz

Um condomínio residencial com oito prédios e 512 apartamentos cujas partes comuns são abastecidas com energia de origem eólica, o estacionamento é equipado com tomadas para carregar carros elétricos e a água para uso sanitário (descargas domésticas) vem de captação pluvial.

É o que promete entregar em 2016 a construtora carioca Calper, a partir de um projeto desenvolvido em conjunto com a Ecoglobal, responsável pelo projeto de sustentabilidade, e a Cintrax, que está começando a produzir no país um tipo de aerogerador de uso doméstico que se adapta ao propósito da construtora. Ao menos no Rio de Janeiro, eles garantem que é o primeiro projeto com tamanho grau de sustentabilidade.

O engenheiro Davidson Meira Jr., da Calper, um dos responsáveis pelo projeto, explica que cada edifício do condomínio será equipado com um aerogerador de 1.000 a 1.600 watts/hora e com uma bateria de placas de captação solar com a mesma capacidade. O objetivo é que haja sempre a disponibilidade de alguma energia de origem limpa para uso nas partes comuns, como portaria, corredores e até para alimentar a máquina do exaustor central do edifício, explica o engenheiro José Luiz Bastos, da Cintrax.

Como a produção será limitada, o sistema de geração própria será conectado a uma rede que, de forma automática, passa a utilizar energia da Light sempre que a demanda for superior à geração alternativa. Bastos explica que a energia produzida será convertida diretamente para consumo residencial, sem necessidade de subestações, graças a um aparelho chamado inversor de conexão à rede.

Conectada em um ponto após o relógio que marca o gasto de energia vinda de fonte externa, o sistema de geração própria poderá trazer uma economia de até 50% na conta de luz condominial, estima Bastos. Meira, da Calper, estima em até 20% a economia no custo condominial para o condomínio que será construído no Recreio dos Bandeirantes (zona oeste do Rio).

Meira explica que o projeto de geração de energia elétrica própria vai custar cerca de R$ 400 mil, com impacto de apenas R$ 800 no custo de cada apartamento. Com isso, a construtora pode vender as unidades, de dois e três dormitórios, a preços que não diferem das construções convencionais.

O ambientalista Walter Lima, diretor da Ecoglobal, disse que do ponto de vista energético o projeto não visa a autonomia, mas economia de energia, incluindo o uso de lâmpadas de LED (mais econômicas) e de motores mais econômicos nos equipamentos, como aparelhos de ar condicionado.

Sobre as tomadas para carros elétricos, Lima disse que elas serão baseadas nas especificações de recarga utilizadas por um carro que a montadora Nissan já está trazendo para o Brasil e que é utilizada também por outras montadoras, como a GM. O acesso à tomada será feito com o cartão de acesso do morador ao condomínio, de modo que o custo da recarga será debitado da cota condominial.

O ambientalista disse também que o uso de água pluvial para as descargas domésticas é inédito no Brasil e que a água da chuva será utilizadas também para regar plantas e para outras atividades de uso geral do condomínio, como lavagem de dependências, de veículos, etc. Será usado um sistema de microdrenagem do solo, de tal modo que a captação continua mesmo após a chuva.

Bastos, especializado em eletrônica, disse que até agora a Cintrax só forneceu poucos aerogeradores: para uma fazenda em Santa Catarina, para uma casa em Belo Horizonte, um prédio em Salvador e para o condomínio Via Barra, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio). Como a demanda é pequena, ele terceiriza a fabricação, mas o plano é montar uma fábrica própria.

Bastos avalia que a fábrica vai se viabilizar quando for votado no Congresso Nacional o projeto 630/2003, regulamentando a microprodução privada de energia elétrica. Com a nova lei, segundo ele, será possível produzir energia em casa e vender o eventual excedente para a distribuidora.


Um comentário:

Anônimo disse...

O Túnel da Grota Funda foi projetado em 1953, há exatos 58 anos, na época em que o Rio de Janeiro ainda era a capital da República (Distrito Federal). Vários prefeitos passaram por todos esses anos, porém era um exemplo claro da falta de vontade política por parte deles; entra prefeito, sai prefeito, cada um deles dizia na campanha eleitoral que vai fazer a obra e no final, o túnel só ficava na promessa e no papel. O túnel só finalmente saiu do papel, porque houve a eleição de um prefeito que prometeu fazer a obra de verdade: EDUARDO PAES. Este venceu as eleições de 2008 por um placar apertadíssimo no segundo turno, numa disputa voto a voto. Esta obra foi impulsionada juntamente com tantas outras na cidade, por causa de dois grandes eventos internacionais: a Copa do Mundo Fifa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. As consequências: vai haver uma explosâo imobiliária nos bairros de Campo Grande, Santa Cruz, Guaratiba e Sepetiba, e muita gente vai querer comprar uma casa, um apartamento ou um terreno, nem que seja de segunda mão - e isto será muito atraente para o mercado imobiliário - e esta explosão já está acontecento muito antes da abertura do Túnel da Grota Funda, principalmente por causa da inauguração de shopping centers na região. De 2008 para cá, está sendo muito incentivado pelo programa Minha Casa, Minha Vida, que dá subsídios de até R$ 23.000,00 do governo federal - porque nestes bairros certamente vai receber muitos novos moradores – muitas pessoas que trabalham principalmente na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes porque vai ficar mais perto para eles.