terça-feira, 11 de outubro de 2011

Refém da valorização

09/10/2011 - Extra, Raiane Nogueira

Itaboraí virou a cidade dos anúncios de aluguel e de venda de imóveis e terrenos. Com as obras para a implantação da sede do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), o município passa por um boom no mercado imobiliário. No bairro de Sambaetiba, onde o complexo está sendo instalado, um terreno de dois mil metros quadrados que, em 2009, custava R$ 5 mil, hoje sai por um preço 40 vezes maior : R$ 200 mil, segundo a informação de uma corretora de imóveis local.

- Só na área do complexo, tenho cerca de 50 terrenos para vender e 20 imóveis para alugar. Até o fim do ano, a estrada que dá acesso à refinaria já deve estar pronta, o que vai valorizar ainda mais a região - revela o corretor de imóveis Josias Martins.

De acordo com Martins, a média de aluguel de uma casa de dois quartos no bairro é de R$ 1.200. O aluguel de um sítio mobiliado, com duas casas, sai por cerca de R$ 3 mil:

- Muitas empresas de São Paulo já estão investindo em terrenos e imóveis para garantir, antes que o preço aumente ainda mais.

Numa das ruas próximas ao complexo, por exemplo, uma pequena casa foi demolida para dar lugar a um conjunto com 48 unidades de quarto e banheiro, para abrigar futuros funcionários do Comperj. O responsável pela propriedade, que se identificou apenas como pastor Adilson, também é de São Paulo.

De olho no crescimento da região, moradores de Sambaetiba começam a pensar em vender suas casas para lucrar com a especulação imobiliária. O aposentado Josias Pacheco, de 54 anos, vive no bairro desde que nasceu, mas, agora, cogita a possibilidade de mudança. Ele já até iniciou uma reforma para que a casa de três quartos fique mais atraente aos olhos de possíveis compradores:

- Se precisar, até vendo minha casa, mas com muita pena, porque gosto bastante daqui. Acredito que ela esteja valendo R$ 150 mil. Já troquei o piso e estou arrumando o banheiro. Dizem que a Petrobras não vai comprar nada por aqui. Mas, de repente, surge a oferta de alguma firma.

A valorização imobiliária se estende até o Centro da cidade. Na principal avenida, o metro quadrado para a venda custa, em média, R$ 2 mil. Além disso, as construtoras tomam conta do local. Em quatro meses, a Rossi vendeu todas as unidades de seus dois empreendimentos na região e já prevê um novo lançamento até o fim do ano. O "Enterprise city center", da PDG CHL, teve 900 moradias, de um total de 945, vendidas num fim de semana.

- É tudo caríssimo. E você já não consegue alugar imóveis na avenida - explica Martins.  

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