sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Museu do Amanhã, candidato a cartão-postal

02/11/2011 - O Globo

Obra no Porto tem início e deve ficar pronta em 2014. Iniciativa privada assumirá custo de R$215 milhões

O Museu do Amanhã, que começou a ser construído ontem no Píer Mauá, na Zona Portuária, não será mais custeado com recursos públicos. Orçada em R$215 milhões, a obra foi incluída pela prefeitura no leque de intervenções que terão que ser realizadas pelo consórcio Porto Novo, dentro do projeto Porto Maravilha. Projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava e com conceito desenvolvido pela Fundação Roberto Marinho, o museu deverá ficar pronto no primeiro semestre de 2014. Dedicado à ciência, à ética e à tecnologia, ele terá o patrocínio do Banco Santander, que investirá R$65 milhões na implantação e na manutenção da instituição por dez anos.

Na cerimônia de lançamento da obra, o prefeito Eduardo Paes disse que espera que o museu se transforme num novo marco arquitetônico do Rio. Paes comparou a estrutura ao Cristo Redentor, aos Arcos da Lapa e ao Sambódromo:

- O museu é a joia da coroa do projeto de revitalização do Porto. É um ícone que se constrói para o Rio e certamente entrará para o imaginário da cidade, como o Sambódromo, os Arcos da Lapa e o Cristo.

Prédio terá sistema para aproveitar energia do sol

Com linhas arrojadas em aço e vidro, que lembram um animal marinho adormecido, o prédio terá 15 mil metros quadrados e ficará acomodado sobre um espelho d'água, alimentado com a água da Baía de Guanabara. A água do mar será usada na refrigeração do prédio. Notabilizado pelas suas obras inovadoras, como a Gare do Oriente, em Lisboa, e a Cidade das Artes e da Ciência, em Valência, o arquiteto Calatrava projetou um prédio cujo telhado se movimentará - como se fosse as escamas de um grande peixe - e será forrado de placas de captação de radiação solar, para reduzir os gastos com energia elétrica.

O paisagismo do terreno - que, com 30 mil metros quadrados, inclui espaços de lazer e ciclovias - será desenvolvido pelo escritório Burle Marx. O objetivo é que o projeto possa buscar a certificação internacional de prédio verde.

Com curadoria do físico Luiz Alberto Oliveira, doutor em cosmologia, e do jornalista e professor de cultura brasileira Leonel Kas, o museu terá um formato diferente do das instituições tradicionais, voltadas para a história natural, as ciências e a tecnologia. Ele proporá experiências interativas ao visitante, que poderá passear por ambientes onde estarão em discussão a vida do homem nos próximos 50 anos e o futuro do planeta.

- O Museu do Amanhã é um projeto verde e inovador. Ele começa a ser construído com a ambição que o cenário sugere: pensar a complexa teia de relações entre a humanidade e a natureza, a nossa responsabilidade na continuidade da vida e o tipo de vida que nossos filhos e netos terão no futuro. Essas escolhas terão que ser feitas agora. Projeções da ONU apontam que já somos sete bilhões no planeta, que têm que consumir, se alimentar e viver sem devastar o meio ambiente - afirmou o presidente da Fundação Roberto Marinho, José Roberto Marinho, que participou da cerimônia.

Títulos públicos custearão obras de infraestrutura

A obra será custeada com os recursos da venda no mercado financeiro dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos criados pela prefeitura que permitirão a empreendedores erguer prédios de até 50 andares na Zona Portuária, dependendo do terreno. Geridos pela Caixa Econômica Federal, que criou um fundo imobiliário para negociar os títulos, os Cepacs custearão um leque de obras urbanísticas e de infraestrutura na Zona Portuária orçadas em R$8 bilhões em 15 anos.

Entre as obras previstas estão a derrubada de parte do Elevado da Perimetral, a abertura de túneis e avenidas, e a implantação de redes de água, luz, esgoto, gás e telefonia, numa área de cinco milhões de metros quadrados, além da recuperação do patrimônio histórico e cultural.

PPP vai garantir projeto

A estimativa inicial de custos da obra do Museu do Amanhã era de R$130 milhões, sendo R$35 milhões no desenvolvimento do conteúdo e R$95 milhões na construção, como informou a prefeitura há um ano. Mas, segundo o secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto, os valores iniciais tinham sido calculados a partir do projeto básico. Com o desenvolvimento do projeto executivo do edifício, que terá dois andares, chegou-se ao valor final de R$215 milhões.

Os gastos seriam bancados inicialmente pela prefeitura, que já desembolsou cerca de R$24 milhões na implantação das fundações do museu. A inclusão das obras do prédio no contrato de intervenções na região foi negociada pela Companhia de Desenvolvimento do Porto (Cdurp). Segundo o presidente da Cdurp, Jorge Arraes, o contrato com o consórcio Porto Novo permite o remanejamento de obras.

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