quarta-feira, 25 de julho de 2012

Zona Portuária pode ganhar, até 2016, as 'Trump Towers' cariocas

24/07/2012 - O Globo, Emanuel Alencar

Projeto de bilionário americano prevê 6 torres de 50 andares na Leopoldina

Aos 66 anos, o empresário americano Donald Trump mira o foco de seus bilhões também à Zona Portuária do Rio. A prefeitura confirmou ontem que as Organizações Trump, a MRP International, com sede na Bulgária, e a Even Construtora Incorporadora, de São Paulo, negociam a construção de seis arranha-céus de escritórios, de 50 andares, num terreno próximo à Rodoviária Novo Rio, entre a Avenida Francisco Bicalho e a Rua General Luiz Mendes de Morais, na Leopoldina. A proposta foi noticiada pela coluna Radar, de Lauro Jardim, na revista "Veja" desta semana.
Valor potencial de venda chega a R$ 5 bilhões
Numa área de 32 mil metros quadrados que pertence à Companhia Docas do Rio de Janeiro, o projeto batizado de "Rio Towers" está planejado para sair do papel até os Jogos Olímpicos de 2016. O terreno é uma das sete áreas da Zona Portuária que a prefeitura terá que comprar da União e do estado e repassar à Caixa Econômica para integrar o fundo imobiliário criado com o objetivo de tirar do papel o Porto Maravilha.
A soma do valor potencial de venda de todas as unidades das torres chega a R$ 5 bilhões. Um relatório que detalha o projeto, ao qual O GLOBO teve acesso, aponta que a taxa de escritórios vagos na região central da cidade é de apenas 1,6%, o que indica a alta viabilidade econômica dos megaedifícios.
"Os locatários-alvo do espaço serão grandes empresas brasileiras e multinacionais, cada uma das quais ocupará uma ou várias torres, em vez de pequenos escritórios ou poucos andares", descreve o relatório, que revela ainda que os empresários vão buscar a certificação Leed para a construção sustentável do projeto. "Planejamos incluir uma praça de alimentação e pequenas lojas de varejo no piso térreo de uma das tores", diz ainda o documento.
Com sede na Bulgária, a MRP, coordenadora do consórcio, é uma empresa criada em 2003 para desenvolver condomínios residenciais e comerciais em países do Leste Europeu. O presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cdurp), Jorge Arraes, observa que as negociações com Docas têm esbarrado em burocracia e este pode ser o principal entrave para o projeto deslanchar:
- Fomos procurados pela MRP e nos reunimos como Donald Trump Jr (filho do empresário americano, que o representa). Eles têm interesse naquele terreno do Clube dos Portuários. Até agora, o que avançou foram as negociações deles com o fundo imobiliário da Caixa Econômica. Mas a venda do terreno de Docas para a prefeitura ainda não aconteceu e pode ser um entrave. Estamos conversando com eles há dois anos. Mas Docas tem um rito operacional interno bastante lento.
O terreno em questão admite edificações de máximo 150 metros (50 andares de três metros de altura cada um), de acordo com a lei aprovada pela Câmara dos Vereadores em 2010 que instituiu a operação urbana consorciada da região do Porto do Rio. Com esta lei, a Zona Portuária foi dividida em subsetores, com variações de parâmetros urbanísticos, como gabaritos máximos.
Negociações começaram em 2010
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Rio (Sinduscon-Rio), Roberto Kauffmann, comemora a possibilidade da construção das torres. Ele esteve reunido com um diretor das Organizações Trump em 2010, quando apresentou aos americanos o projetos Porto Maravilha e Minha Casa Minha Vida.
- Aquela região precisa de novos empreendimentos e, com a crise, os americanos estão focados no Rio. O Porto já vai ganhar a Vila da Mídia e Vila dos Árbitros dos Jogos Olímpicos, com sete mil apartamentos ao todo. Este empreendimento comercial seria excelente para a cidade - afirma Kauffmann.
Conhecido por apresentar o reality show "O Aprendiz", nos Estados Unidos, Donald Trump chegou a ser cogitado a se candidatar à presidência americana, mas anunciou o apoio ao republicano Mitt Romney. "O Mitt é durão, ele é esperto, ele é afiado. Ele não vai permitir que coisas ruins continuem a acontecer com este país", declarou numa entrevista em fevereiro.
Em dezembro de 2011, durante um encontro com o governador Sérgio Cabral, em Nova York, Trump manifestou interesse em construir um campo de golfe no Rio.

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