quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Barra da Tijuca atrai R$ 1,3 bilhão

23/08/2012 - Valor Econômico, Paola de Moura

A Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, é a menina dos olhos das construtoras e administradoras de shopping centers. O bairro já tem quatro grandes empreendimentos; estão sendo erguidos outros três shoppings novinhos em folha; e os já existentes estão em expansão. No total, as empresas estão investindo R$ 1,36 bilhão em centros comerciais na região e criando mais 152 mil m2 de área bruta locável (ABL).
Os investidores apostam na Barra porque em 2020 esse bairro terá meio milhão de habitantes, mais que a cidade de Niterói. Sua renda per capita mensal é de quase R$ 2.500 e, em quatro anos, três linhas de ônibus e metrô estarão em funcionamento, trazendo potenciais consumidores das regiões sul, norte e oeste da cidade.
Segundo dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de moradores da Barra da Tijuca já ultrapassou 300 mil. A renda per capita mensal do bairro, de R$ 2.488, é a segunda maior do município do Rio, atrás apenas da Lagoa e na frente de Ipanema e Leblon. A expectativa de vida no bairro é de 77,8 anos e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), é de 0,959, o mesmo da Lagoa, empatados em terceiro lugar dentro do município.
Até 2020, a projeção é que a Barra da Tijuca tenha 500 mil moradores, 66% a mais do que o número atual. "A migração de sedes de grandes empresas do centro para a Barra, além de escolas, universidades e hospitais, traz um novo perfil de morador para o bairro, que são os executivos em busca de mais conforto e qualidade de vida", diz José Isaac Peres, presidente da Multiplan.
Segundo dados da Secretaria Municipal de Urbanismo, neste ano, até abril, foram aprovadas no bairro 5.224 unidades de imóveis, sendo 2.660 residenciais e o restante comercial. Segundo a conta média feita pelas construtoras, só com estes imóveis haverá mais 7.980 pessoas à Barra.
Na Península, região que começou a ser desenvolvida em 2002 pela construtora Carvalho Hosken, há hoje 3.200 famílias, cerca de 10 mil pessoas morando nos seus 51 edifícios cercados de jardins. Há ainda mais dois prédios em construção. Na Ilha Pura, nome dado pela Carvalho Hosken e pela Odebrecht à Vila Olímpica, que acomodará atletas e delegações durante os jogos de 2016, serão 31 novos residenciais, com 3.604 apartamentos. Lá morarão outras 10 mil pessoas, que devem começar a chegar em 2017 - os condomínios serão reformados após a Olímpiada.
Em função da expansão acelerada, o bairro hoje já tem três shoppings em construção, o Américas Shopping, da Ecia, o Metropolitano, da CCP Cyrela, e o Village Mall, da Multiplan. Somando esses três centros comerciais, serão 104 mil m2 novos de área bruta locávcel.
A Ecia, que hoje tem três shoppings na cidade operados pela BR Malls, está construindo o seu quarto na avenida das Américas, no fim da Barra e início do Recreio dos Bandeirantes. Serão 35 mil m2 de ABL na primeira fase com inauguração prevista para abril de 2014. A empresa ainda planeja fazer uma expansão com mais 10 mil m2. "A Barra está explodindo. Só no ano passado foram 40 mil licenças de obras na região", diz Fernando Araújo, diretor geral da Ecia. O grupo está trazendo marcas que ainda não estão presentes no bairro, como as varejistas C&C, de material de construção, e a Riachuelo, de moda. "Temos que fazer um shopping democrático que possa atingir todos os públicos", acrescenta ao explicar que seu padrão será voltado para o público AB. "Mas não posso virar as costas para outros consumidores".
Inaugurando o desenvolvimento de uma nova região no bairro, o Centro Metropolitano - uma área de 4 milhões de m2, idealizada ainda pelo arquiteto Lúcio Costa, onde devem morar pelos menos 140 mil pessoas a longo prazo - o braço de imóveis comerciais da Cyrella, a CCP está construindo o Shopping Metropolitano. O empreendimento, que terá 44 mil m2 de ABL, está localizado na avenida Abelardo Bueno. Nesta via, estão sendo construídos dois hotéis da Accor e vários empreendimentos comerciais. O Parque Olímpico, onde será construída a maior parte das instalações para a Rio 2016, também fica nessa avenida.
"Estamos numa área que é um dos principais vetores de crescimento da Barra. A própria presença do shopping vai ajudar no desenvolvimento da região", diz o diretor de empreendimentos corporativos da CCP, José Roberto Voso. No próprio Shopping Metropolitano, a CCP está implantando um hotel cinco estrelas e um edifício comercial. O investimento no shopping é de R$ 280 milhões.
O terceiro é o mais luxuoso de todos os empreendimentos e, por isso, com maior investimento: R$ 446 milhões. A cerca de 500 metros do BarraShopping, a Multiplan está construindo o VillageMall. Principalmente voltado para a classe A, trará para o Rio grifes como a inglesa Burberry e a americana Michael Kors, além de uma loja da Tiffany & Co e uma da Cartier. Com inauguração prevista para o fim deste ano, terá 25 mil m2 de ABL. O empreendimento conta com centro de convenções de 1,6 mil m2 e teatro com 1,1 mil lugares.
A Multiplan está fazendo a sétima expansão do BarraShopping. Hoje com 69,4 mil m2 de ABL, o maior shopping da América Latina, público de cerca de 2,5 milhões pessoas por mês, vai ganhar mais 9,5 mil m2, passando a 78,9 mil m2. O investimento da empresa será de R$ 244 milhões. Eduardo Novaes, diretor superintendente da Multiplan, diz que o objetivo é dar continuidade ao aprimoramento do 'mix' adicionando lojas que não haviam entrado no shopping por falta de espaço. "Além disso, estamos aproveitando para criar 600 vagas de estacionamento cobertas e 4.200 escritórios". A área será inaugurada em outubro de 2013. A Multiplan quer crescer ainda mais na Barra da Tijuca e tem interesse em comprar outros empreendimentos no bairro.
Brigando para se diferenciar nesse mercado concorrido, o Via Parque investe no público "família". Das 200 lojas, 30 são dedicadas às crianças. Administrado pela Alliansce, o shopping acabou de inaugurar uma expansão de 4 mil m2, com investimento de R$ 70 milhões. A fachada foi renovada e estão sendo construídas novas salas de cinema e um estacionamento no subsolo.
"Além de ampliar o shopping, investimos pesado nas atrações voltadas para crianças e também para os pais", diz Paulo Renato Rey, superintendente do shopping Via Parque O executivo lembra que na Península, que fica ao lado do empreendimento, a Cyrella está construindo o O2, um condomínio corporativo que deve trazer mais 55 mil pessoas para trabalhar na região. "É um público que temos que captar com algum diferencial", explica Rey.
E com todo esse crescimento, o Casa Shopping, empreendimento especializado em decoração, prepara-se para atender aos novos moradores com melhores instalações e mais variedade de lojas. As obras de expansão vão acrescentar mais 35 mil m2 de ABL aos 41 mil m2 já existentes, num investimento de R$ 100 milhões. Voltado para a classe AB, com lojas como a Artefato ou a Poggenpohl, de cozinhas sofisticadas, é o único do mercado carioca exclusivamente voltado a esse segmento. "Enquanto o número de moradores da zona sul caiu 4% nos últimos 10 anos, a Barra cresceu 70%", diz o superintendente do shopping, Francisco Grabowsky.

Nenhum comentário: