sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Joá: Paes diz não ter como reconstruir o elevado

06/12/2012 - O Globo

RIO — O prefeito Eduardo Paes reconheceu na quinta-feira não ter como atender à recomendação de técnicos da Coppe/UFRJ de reconstruir o Elevado do Joá, para conter a degradação que põe em risco a integridade da via. Paes admitiu que gastar mais para acabar com os problemas crônicos causados pela corrosão do Joá pode ser, a longo prazo, uma solução mais barata do que fazer intervenções pontuais. No entanto, disse temer o impacto que a interdição completa da via, necessária para a reconstrução, causaria nos deslocamentos entre Barra da Tijuca e Zona Sul. O custo da restauração completa do Elevado do Joá foi estimado em R$ 105 milhões pela Associação Brasileira de Pontes e Estruturas (ABPE).

Os novos caminhos da Barra
Na avaliação da Coppe, só os pilares seriam confiáveis, e não há como avaliar quanto tempo o elevado pode ser mantido aberto sem acidentes.
— Se o estudo indicasse que, se eu não fechasse o Joá, haveria um acidente amanhã, não pensaria duas vezes. Mas o problema é que hoje não há uma alternativa viável ao Joá. As obras da Linha 4 do metrô só terminam em 2016. Além disso, em 2013 vamos licitar as obras para duplicar as pistas do Joá no sentido Barra-Zona Sul, e essas intervenções ficarão prontas até as Olimpíadas de 2016. Aí sim: com metrô para atender à demanda da Barra-Zona Sul e novas pistas no Joá, meu sucessor terá como decidir a melhor solução para a via — argumentou Paes.
Até o início de janeiro, a prefeitura dará início a obras emergenciais de recuperação estrutural que custarão R$ 7 milhões. A ampliação do Elevado do Joá a que Paes se refere está sendo detalhada num projeto da Geo-Rio que fica pronto em fevereiro. As duas novas faixas de tráfego seriam construídas cravadas na rocha na altura de São Conrado. Uma delas seguiria para a Joatinga e a segunda acabaria na Avenida Armando Lombardi. A previsão é que essas obras comecem ainda em 2013 e sejam concluídas em dois anos.
Manutenção: ponto fraco
Para especialistas, porém, mesmo que o Joá seja completamente reformado, haveria risco de uma nova degradação, caso medidas complementares não sejam implantadas.
— Quando o Joá foi construído, havia uma recomendação de que a estrutura tivesse um programa de manutenção permanente. O antigo Estado da Guanabara tinha um departamento só para cuidar das chamadas obras de arte (viadutos e túneis), mas ele foi extinto depois da Fusão — observou o engenheiro aposentado do DER Francisco Fillards, que na década de 70 coordenou a construção do elevado.
Ex-secretário municipal de Transportes, Márcio Queiroz, que também participou da construção do elevado, é outro a citar a questão da manutenção como um dos pontos fracos do Joá:
— O desejável é que por ano se invista em manutenção o equivalente a 3,5% do que se gastou com a obra.
Já o engenheiro Fernando Mac Dowell, que participou de uma grande reforma no Joá em 1998, observou que o desafio agora é o maior desde que a via foi aberta ao tráfego em 1973.

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