domingo, 3 de fevereiro de 2013

Recuperação estrutural do viaduto do Joá sobe de R$ 7 milhões para R$ 70 milhões

30/01/2013 - O Globo

Sinais de degradação do elevado tinham sido apontados por um estudo da Coppe/UFRJ

Luiz Ernesto Magalhães

Péssimo estado de conservação do viaduto do Joá. Foto de 04/12/2012 Pablo Jacob / O Globo
RIO - Em vez de R$ 7 milhões, como anunciado pela prefeitura em dezembro passado, as obras de reforço estrutural no Elevado do Joá custarão R$ 70 milhões, ou seja dez vezes mais. Foi o próprio prefeito Eduardo Paes que informou na terça-feira, na Rádio CBN, o novo valor das intervenções, pouco depois de aprovar proposta apresentada pela Secretaria municipal de Obras. Os sinais de degradação do elevado tinham sido apontados por um estudo da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe/UFRJ). O trabalho já começou na parte inferior do viaduto (pista Barra-São Conrado) e, segundo o coordenador-geral de projetos da Secretaria de Obras, João Luiz Reis, será intensificado a partir da próxima semana. A reforma será feita simultaneamente nos dois níveis: no inferior, durante as 24 horas do dia, sem necessidade de interromper o tráfego; e, no superior, de quinta a domingo, de 23h às 5h, com interdição do trânsito. O esquema de circulação está sendo detalhado pela CET-Rio.

É um custo elevadíssimo. São R$ 70 milhões que acabei de autorizar para realizar a obra em toda a sua plenitude, para acabar com qualquer risco, com qualquer problema no Elevado do Joá. Já vínhamos fazendo intervenções há algum tempo. Agora, são intervenções definitivas, pesadas, para acabar com essa história de que o elevado corre risco de cair. Você resolve todos os problemas. Estávamos fechando o projeto executivo, e acabamos de ter essa notícia, que não foi a mais agradável do meu dia, mas é fundamental para dar segurança à população disse o prefeito à CBN.

Mais tarde, ao GLOBO, Paes complementou:

Não vou deixar de fazer o que os meus técnicos dizem que é importante. Estou indo à plenitude. O Elevado do Joá vai ficar zerado, novo.

Dois túneis também terão reparos

Paes e Reis dizem que houve um mal-entendido, quando da divulgação da obra em dezembro. Segundo o coordenador de projetos, o custo seria R$ 7 milhões se o município optasse por fazer a recuperação estrutural de 23 dentes Gerber (que fazem a transferência da carga das vigas para os pórticos) que estão em pior situação. Após estudos, os técnicos da Secretaria de Obras decidiram abandonar esse projeto, optando por uma solução mais cara. Em vez de reforçar os dentes Gerber, em cada nível do elevado (tabuleiro) serão instaladas 128 vigas metálicas em todos os pórticos. Só de aço especial, essas vigas terão 1.641 toneladas. As novas vigas ficarão sob os dentes Gerber, apoiadas em macacos tóricos que, por sua vez, estarão sobre estruturas de concreto chamadas consoles.

Os dentes Gerber deixarão de ter função estrutural com a obra. Os consoles vão receber as cargas das vigas, que serão descarregadas nos pórticos. Os pórticos, por sua vez, vão descarregar nas fundações explicou Reis.

Mas a reforma, realizada pelo consórcio formado pelas empresas Concrejato e Geomecânica, irá além da recuperação estrutural. A prefeitura decidiu incluir no projeto a reforma dos guarda-rodas (barreiras laterais de concreto) do viaduto. Serão recuperados ainda os chamados pergolados (vigas na entrada e na saída) dos túneis de São Conrado e do Joá, sentido Barra-São Conrado. As paredes laterais, as vigas e as lajes desses dois túneis também terão obras.

Vamos ter um elevado e túneis novos. Com as obras que serão executadas e a manutenção rotineira, o Joá não precisará de reforço estrutural por 20 anos, 30 anos disse Reis.

Para garantir a estabilidade estrutural do Elevado do Joá, a prefeitura adotou medidas emergenciais em dezembro passado. A CET-Rio vetou a circulação de caminhões na via. A velocidade máxima também foi alterada, passando de 80 para 60 quilômetros por hora. Essas recomendações constavam do estudo da Coppe.

As intervenções emergenciais não vão atrapalhar os planos de Paes de criar duas faixas, independentes e paralelas às existentes, no sentido Barra, com a construção de dois túneis. O projeto executivo será apresentado em fevereiro.

Ex-secretário defende construção de nova via

Para o ex-secretário municipal de Transportes Márcio Queiroz, que participou da construção do elevado, a alternativa proposta pela prefeitura é uma boa solução. Mas ele defende a construção de uma nova via ligando a Barra à Zona Sul para comportar o aumento de tráfego:

Os dentes Gerber eram uma técnica muito adotada na época da construção. O problema é que se partia do princípio que a estrutura teria um programa de conservação permanente, o que nem sempre ocorreu. O ideal é que se invista, por ano, em manutenção, de 3% a 5% do que foi gasto na obra.

Já o presidente da Câmara Comunitária da Barra, Delair Dumbrosck, vê a obra com desconfiança, diante do histórico de problemas estruturais do Joá. Para ele, a prioridade deveria ser a construção de um novo acesso, como recomendou o estudo elaborado pela Coppe.

A construção de um novo elevado, segundo João Luiz Reis, custaria R$ 300 milhões.

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