quarta-feira, 10 de abril de 2013

Copacabana terá mais 12 hotéis até as Olimpíadas

09/04/2013 - O Globo, Jacqueline Costa

Associação de moradores está preocupada com queda na qualidade de vida por causa de empreendimentos

Até as Olimpíadas de 2016, Copacabana ganhará nada menos que 12 novos hotéis. Seis estão em construção e quatro já foram licenciados pela prefeitura. Mais dois projetos estão sendo analisados pela Secretaria municipal de Urbanismo. Em número de quartos, são mais 1.914. A Rio Negócios, agência responsável por atrair e facilitar novos investimentos, não revelou a localização dos empreendimentos. Como noticiou a coluna Gente Boa, do GLOBO, o presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães, está preocupado com o boom hoteleiro:
- É preciso deixar claro que não temos nada contra a realização das Olimpíadas, mas nunca tivemos tantos licenciamentos. Até hoje pagamos um preço muito alto pelos hotéis que já existem. São negócios que atraem táxis, vans e enormes ônibus de turismo, gerando muito tráfego. As duas últimas casas da Avenida Atlântica vão virar hotéis. Um sobrado de dois andares, com apenas seis metros de frente, na Rua Tonelero, também foi demolido para dar lugar a um hotel. Nesse local, a prefeitura autorizou um prédio com 18 pavimentos. Assim, Copacabana passará a ser um bairro hoteleiro.
Magalhães diz que os moradores estão procurando estabelecer um diálogo com a prefeitura, pensando nos impactos viário e ambiental no bairro. Caso isso não ocorra, ele não descarta a possibilidade de entrar com uma representação no Ministério Público:
- Em nome das Olimpíadas, não podemos passar por cima da qualidade de vida dos moradores da cidade e do seu direito de ir e vir. Essa quantidade de hotéis vai gerar muitos problemas.
Além das 12 construções novas, há três retrofits em andamento e mais um licenciado. Há ainda um projeto de ampliação em análise. O investimento total nos 17 empreendimentos soma R$ 500 milhões e 1.800 empregos. Ibis, Best Western, Emiliano, Golden Tulip e Windsor estão entre as bandeiras. Hoje, Copacabana já conta com 63 hotéis e 7.366 quartos.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ), Alfredo Lopes, não vê motivos para preocupação.
- Não conheço nenhum lugar do mundo em que um hotel não enobreça o entorno. Os imóveis residenciais promovem uma circulação de carros muito maior. Além disso, empreendimentos hoteleiros melhoram a segurança, já que trazem mais iluminação e mais pessoas circulando. Ninguém vai sair perdendo em Copacabana - diz Lopes.
Segundo o Comitê de Acomodações da prefeitura para os Jogos de 2016, se os 101 projetos de construção de hotéis, pousadas e albergues já aprovados ou em análise na Secretaria de Urbanismo saírem do papel, a cidade ganhará pelo menos 14.671 quartos nos próximos anos.

Um comentário:

Sabaeto disse...

Sério Risco Ambiental em Copacabana

Poluição de Lençol Freático em Copacabana

Na Rua Barata Ribeiro, 173, Copacabana, em frente à Praça Cardeal Arco Verde, a Construtora Engeziler demoliu um pequeno prédio de dois andares, onde funcionava uma Farmácia Popular, para construir, no local, um prédio de 13 andares, onde deverá funcionar um hotel. (Foto 1)

Retiraram as fundações singelas do antigo prédio, cavaram o terreno para implantação das novas estruturas, monstruosamente maiores, e atingiram um lençol freático da Praia de Copacabana, suponho, de maneira inesperada.

PASMEM! O tratamento que estão dando para o problema é o bombeamento de cimento, através de uma sonda (Foto 2), para o subsolo, onde corre o lençol freático. Mas a Natureza não aceita, de forma passiva, o ataque humano e tem se rebelado, do jeito que pode, jogando o cimento, com água subterrânea, de volta para a superfície. Vejam a situação lamentável do canteiro de obras - é um mar de cimento e água, nas Fotos 3 e 4. A Foto 5 mostra o canteiro de obra, em sua totalidade.

Pergunto às autoridades competentes, Prefeitura e suas Secretaria Municipal de Urbanismo e Secretaria Municipal de Meio Ambiente e quaisquer outros órgãos afins:

1) A licença para a construção do prédio considerava a possibilidade deste tipo de procedimento: injeção de cimento em lençol freático?

2) Se não foi considerado este procedimento na licença inicial para a construção do prédio, as autoridades estão cientes do que vem acontecendo e estão de acordo com este procedimento?

3) Foi feito um Relatório de Impacto Ambiental levando em consideração a possibilidade da existência de lençol freático e a injeção de cimento no subsolo?

4) Qual o impacto nos lençóis freáticos de Copacabana, inclusive aqueles que são utilizados nos "chuveirinhos" da praia?

5) Qual o impacto de um produto cáustico como cimento nas águas subterrâneas da praia de Copacabana?

Na Wikipédia, encontramos a seguinte citação:
"A proteção do lençol freático é uma preocupação dos ecologistas. Por incorporar todo o líquido que vem da superfície e ainda os elementos hidrossolúveis, diversas práticas humanas oferecem riscos de contaminação deste importante recurso hídrico." Sem dúvida, a injeção proposital de cimento no lençol freático causará um dano incalculável a todo o sistema freático da região.

Afora estas questões ambientais extremamente preocupantes, ainda tem o fato de que a dita sonda (Foto 2), que precisa injetar o cimento no subsolo em altíssima pressão, faz um barulho absurdo, incompatível com uma região urbana. Copacabana é o bairro do Rio de Janeiro, e talvez do Brasil, com a maior densidade de população idosa.

É inconcebível a permanência desta obra, que vem produzindo uma poluição ambiental e sonora nesta região tão querida, que é a nossa Princesinha do Mar, cartão postal do Rio.

No aguardo de uma manifestação das autoridades e até mesmo da sociedade engajada na preservação do nosso meio-ambiente.

PS: tenho as fotos, mas não foi possível apensá-las aqui.