quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Modernização dos quiosques de Copacabana atrasa mais uma vez

05/12/2013 - O Globo

Entrega ficará para o período da Copa do Mundo

RENATA LEITE

Turistas tiram fotos perto de um dos quiosques que já foram renovados em Copacabana: na orla que inclui ainda o Leme, 46 unidades já passaram por obras, mas 18 continuam com a sua configuração antiga Marcelo Carnaval / Agência O Globo
RIO - Ainda não será neste verão que cariocas e turistas vão se ver livres dos tapumes instalados no calçadão de Copacabana e Leme. Isso porque a empresa Orla Rio ainda está distante de concluir a modernização dos quiosques dos dois bairros, trabalho que se arrasta por mais de uma década. Os não mais tão novos equipamentos inaugurados no período já até apresentam sinais do tempo, como ferrugem e vidros quebrados. A concessionária chegou a prometer, em maio, finalizar o trabalho na região em outubro.

O prazo mais uma vez não foi cumprido, como aconteceu outras vezes. Das 64 unidades da região, 18 continuam com design antigo, quadrado e de madeira, convivendo lado a lado com 46 assinados pelo escritório Índio da Costa. Quem caminha pelo calçadão esbarra hoje em quatro frentes de obras. Outras cinco devem ser abertas a partir de janeiro, após a festa de réveillon, para que, enfim, esse trecho da orla esteja inteiramente repaginado a tempo da Copa do Mundo, em junho.

Desde a assinatura do contrato entre a Orla Rio e a prefeitura, em 1999, foram construídos em média três quiosques a cada 12 meses. O vice-presidente da concessionária, João Marcello Barreto, culpa a morosidade da Justiça e dos órgão responsáveis por conceder licenças para as intervenções pela lentidão na renovação dos equipamentos. Segundo ele, de junho a agosto, a empresa não foi autorizada a abrir novas frentes de obras por conta da Jornada Mundial da Juventude. Isso teria impedido a conclusão da troca dos quiosques de Copacabana e Leme até outubro.

Em setembro, a licença ambiental exigida para a empreitada venceu e um novo documento teve que ser emitido. Sua publicação no Diário Oficial ocorreu na última segunda-feira. Dois dos quatro canteiros de obras atualmente envoltos por tapumes estão com os trabalhos parados desde que operários encontraram uma tubulação de gás antiga.

A CEG já esteve lá e verificou que a tubulação está desativada, permitindo sua remoção. O maquinário deve chegar nesses dois pontos nesta sexta-feira (amanhã), e as intervenções recomeçam na segunda. Desde o início do contrato, já enfrentamos centenas de processos, desde ações civis públicas questionando a concessão até ações de quiosqueiros que se negavam a entregar os equipamentos. Só conseguimos começar a construir em 2005. Entre as unidades previstas no contrato, continuamos sem a posse de fato de duas delas, que continuam em briga judicial justificou Barreto.

Foram concedidos à Orla Rio todos os quiosques do Leme, de Copacabana, do Arpoador, de Ipanema e do Leblon, com exceção do Baixo Bebê, que é tombado. Também passaram para a administração da empresa as unidades de São Conrado, Barra e Recreio, ficando de fora as localizadas na Reserva. A Praia da Macumba também foi excluída da concessão, mas a Orla Rio ainda conta com as duas unidades da Prainha. Ao todo, são 609 quiosques, que serão reformados, segundo Barreto, seguindo uma mesma identidade visual, mas contando com acabamentos ligeiramente diferentes.

Troca de gestão preocupa quiosqueiros

Ainda de acordo com Barreto, a expectativa da empresa é conseguir a autorização para iniciar as obras nos demais bairros até o segundo semestre do ano que vem. Até o momento, ele diz que a Orla Rio investiu R$ 66 milhões na modernização. Outros R$ 8,8 milhões estão sendo aplicados nas obras em andamento. Faltariam R$ 14 milhões para completar a repaginação das unidades de Copacabana e Leme.

Quiosqueiros que ainda atuam nas unidades antigas aguardam a finalização do processo com um misto de ansiedade e preocupação. A expectativa é pelo aumento da infraestrutura do quiosque, já que a configuração mais moderna conta com banheiros e cozinha ampla no subsolo. O temor, no entanto, é pela troca da gestão das unidades.

A taxa mensal cobrada é alta e, muitas vezes, as unidades acabam nas mãos de empresas maiores. O quiosqueiro antigo acaba tendo que deixar o negócio contou Marcos Antônio dos Santos, funcionário há sete anos de um dos quiosques localizados na altura da Avenida Princesa Isabel.

Realmente, não faltam grifes conhecidas entre os parceiros da Orla Rio. Investiram nas unidades redondas de vidro o Chopp Brahma, a creperia Chez Michou e o restaurante de massas Trattoria Sapori DItalia.

No dia 16, vamos inaugurar um quiosque do Espeto Carioca na orla. É uma franquia de sucesso nas zonas Norte e Oeste e que abriu uma unidade na Região Portuária recentemente, mas ainda não tinha ponto na Zona Sul contou Barreto.

Nem todos os quiosqueiros à frente dos novos equipamentos, no entanto, estão completamente satisfeitos. Há queixas quanto à agilidade na manutenção dos equipamentos que ficam sob responsabilidade da Orla Rio. Os telhados apresentam ferrugem e bolhas na pintura, e vidros que delimitam a entrada do banheiro estão, muitas vezes, quebrados. Barreto alega que a manutenção é feita por 28 funcionários de diversas especialidades, sediados no Leme. Eles fazem serviços preventivos e atendem a chamados dos quiosqueiros.

Outra queixa diz respeito aos elevadores destinados a cadeirantes presentes em duas unidades. O equipamento permanece desligado porque não tem cobertura contra chuvas. Barreto informou que já encaminhou à prefeitura um pedido de autorização para instalar uma cúpula de vidro nesses locais.

Ele prefere não estimar quanto tempo levará a renovação de todos os quiosques, já que o cronograma depende de órgãos da prefeitura, do Iphan e Inepac. O contrato que um dia teve como prazo final o ano de 2002, hoje, após termos aditivos, se estende até 2030.

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