quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Perimetral vai ao chão em cinco segundos: 'O sol vai surgir e nunca mais sai da Rodrigues Alves'

24/11/2013 - O Globo

As 232 vigas de aço, que pesam mais de cinco mil toneladas, caíram inteiras sobre pneus

FERNANDA PONTES
SELMA SCHMIDT

Imagem aérea mostra nuvem de poeira após implosão Beth Santos / Divulgação Prefeitura do Rio de Janeiro

RIO — Sob chuva fina, o trecho central do Elevado da Perimetral foi ao chão, às 7h deste domingo, com o uso de 1.200 quilos de explosivos. A implosão permitirá o avanço das obras de infraestrutura e do novo sistema de mobilidade urbana da região, que inclui a Via Expressa – que ligará o Aterro do Flamengo à Avenida Brasil e Ponte Rio-Niterói, substituindo a Perimetral.

— O sol vai surgir e nunca mais sai da Rodrigues Alves. Ainda tem muito para acontecer em janeiro e fevereiro. Vamos até 2016 fazendo muitas transformações — disse o prefeito Eduardo Paes, que acrescentou que o Elevado da Perimetral era um exemplo do que não se deve fazer nas cidades.

Os explosivos foram detonados pelo próprio prefeito sob aplausos de engenheiros, secretários, o vice-governador Luiz Fernando Pezão, funcionários e convidados da prefeitura que assistiram a implosão de cima da Perimetral, na altura da Rua Cordeiro da Graça. O prefeito, que chegou acompanhado do filho Bernardo, avaliou que o Centro é a base da degradação do Rio. E recuperá-lo, é enfrentar os problemas da cidade:

— A História do Rio é curiosa. Ele foi se desenvolvendo à medida que se degradava, para o Oeste. O Centro é base da degradação. Recuparar o Centro é enfrentar os problemas da cidade. É uma transformação importante por isso. Achamos que vão ter cerca de 100 mil pessoas residindo na região. Hoje há, no máximo, 20 mil. A gente quer misturar isso. Estamos lançando duas mil unidades da Minha Casa, Minha Vida, recuparerando o Morro da Providencia, a primeira favela do Rio. Tudo começa aqui. Enfim, é um lugar muito especial.
Paes frisou ainda que o carro não é "muito querido neste projeto" para o Centro:
— A gente está criando alternativas viárias importantes, mas mais do que isso, é prioridade o transporte de alta capacidade. O VLT já está sendo feito, teremos um BRT chegando, as melhorias da Supervia e do Metrô. As melhorias estão chegando ao Centro do Rio. Vamos enfrentar dificuldade, um período mais difícil. Pedimos aos cariocas que usem transporte público. O carro não é muito querido neste projeto. A gente prioriza as pessoas, o caminhar pelas calçadas.
Fumaça toma conta da região
Após a implosão, que ocorreu em cinco segundos, uma nuvem de poeira tomou conta da paisagem da Zona Portuária. A previsão da prefeitura do Rio é que todo o entulho chegue a 2 metros de altura e demore em torno de dois meses para ser retirado. Foram implodidos 31 pilares de sustentação dos 1.050 metros da Perimetral, entre a Avenida Professor Pereira Reis e a Rua Silvino Montenegro. A queda das 5.104 toneladas de aço, além das 14 de concreto, foi amortecida por 2 mil pneus preenchidos com areia e posicionados embaixo do viaduto. A detonação foi precedida por cinco sirenes, que começaram a tocar às 6h30m e foram até 6h59m.
Os pilares foram derrubados em sequência, uma coluna atrás da outra, formando uma espécie de onda. As vigas de aço, que pesam mais de cinco mil toneladas, caíram sobre pneus, e os oito mil metros cúbicos de concreto e asfalto se fragmentaram à medida que se chocaram com estacas de ferro instaladas embaixo do viaduto.

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