domingo, 17 de agosto de 2014

Empreendimentos em Itaipava vão contra a qualidade de vida, meio ambiente e mobilidade urbana

17/08/2014 - Diário de Petrópolis

A quantidade de novos empreendimentos na região de Itaipava é alarmante e vem crescendo com o passar do tempo. Reflexo disso é o trânsito, já constante nos acessos ao distrito, além do verde que vem sumindo gradativamente. O biólogo José Washington Aguiar, também pós-graduado em Ciências Ambientais, chama a atenção para o perigo de permitir que o local receba um grande número de prédios sem que haja um planejamento que priorize a qualidade de vida na região.

- Em relação aos empreendimentos imobiliários, eles estão acabando com o verde, que era a essência do lugar. Algumas destas áreas são até de encostas. Isso mexe com a qualidade de vida, não só de quem mora, quanto de quem vai para lá. Como vai ser isso daqui a cinco anos? Itaipava não comporta e nem foi feita para isso, alerta.

Segundo o biólogo, esse desmatamento afeta diretamente na população, que vai sentir aos poucos esse sufocamento, além de perder muito em meio ambiente, pois uma vez que se extermina a flora, a fauna – natural da região – vai sumindo também. Ele ainda ressalta os problemas de mobilidade urbana.

- Se com os empreendimentos que já tem, o trânsito é complicado, imagina com mais residências, mais pessoas e mais carros. Quanto tempo vai levar para uma pessoa sair de Itaipava para trabalhar em Petrópolis? Hoje em dia, um fim de semana qualquer, já é desgastante ficar no trânsito. Se multiplicar o número de pessoas e continuar com aquele acesso restrito a uma pista, não terá condições de passar por lá. Vai chegar um momento em que as pessoas terão que deixar o carro em Corrêas e seguir a pé, pois não dará para entrar mais em Itaipava, reclama.

O fato da região, que sempre foi conhecida por ser pacata e tranquila, estar crescendo a passos largos, tem sido discussão também para os empresários e associações de moradores. No início deste mês, uma reunião entre líderes de importantes instituições ligadas ao turismo e membros do governo municipal, teve como objetivo a discussão de temas ligados à mobilidade urbana em Itaipava e arredores, a fim de encontrar possíveis soluções.

Na ocasião, cerca de 60 pessoas estiveram presentes, dentre elas, a presidente da Fundação de Cultura e Turismo, Thaís Ferreira; a diretora de Turismo, Evany Noel; o presidente da CPTrans, Gilmar Oliveira; e o representante da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, Orlindo Pozzato. De acordo com o Petrópolis Convention & Visitors Bureau, uma série de problemas pontuais, que atrapalham o acesso à Itaipava, bem como tantos outros que interferem na mobilidade urbana de seus arredores, estão sendo pautados para que a prefeitura possa intervir em cada um deles a curto prazo.

Segundo a prefeitura, na ocasião já foram apresentadas, diante das reivindicações, soluções de curto, médio e longo prazo, todos na área da mobilidade urbana em Itaipava, além do projeto do Corredor do Turismo. Durante a apresentação do projeto, o presidente da CPTrans explica que intervenções já estão em andamento.

- Já iniciamos algumas intervenções para a melhoria do trânsito de Itaipava, como a ativação do semáforo na altura de Bonsucesso e a criação da terceira faixa e retificações na rotatória na altura do Bramil. Agora estamos estudando outras soluções para melhorar o fluxo entre o Parque Municipal Prefeito Paulo Rattes e o Shopping Estação Itaipava – disse Gilmar.

A Secretaria de Planejamento também apresentou o trabalho de revisão dos projetos para a Estrada União e Indústria, desenvolvidos pelo Dnit, com o objetivo de solucionar os problemas de trânsito nos distritos.

Associações de Moradores também se posiciona

Ainda em maio deste ano, cerca de 50 associações de moradores, bem como entidades e organizações não governamentais, ligadas a Itaipava e arredores, se reuniram para consolidar o "Movimento Distrito de Petrópolis", através da assinatura de um Termo de Cooperação. De acordo com a Novamosanta, encontros entre os cooperados incluem diversos debates e trazem os problemas da localidade à tona, em busca de soluções adequadas.

Os seis eixos principais, trabalhados a partir de divisões por grupos responsáveis são: respeito às condições de vida da população dos distritos; plano de desenvolvimento sustentável da região; programa de desenvolvimento da infraestrutura de água, saneamento, energia e comunicação; programa imediato de melhoramento da mobilidade urbana; compromisso de licenciamento de obras mediante avaliação de impacto ambiental, social e de reais condições de infraestrutura, e a destinação de recursos para atendimento à região, compatíveis com as necessidades e a contribuição tributária dos distritos.

De acordo com a documentação que foi apresentada este mês à prefeitura, algumas reivindicações são baseadas na "visível degradação das condições de vida, no processo de crescimento desordenado, na tolerância à ocupação do território em áreas de risco e na grande influência de grupos de interesses descomprometidos com o futuro da região", entre outras. Os tópicos listados com requerimento de ação imediata por parte da prefeitura foram: legislação sobre licença de impacto sobre a vizinhança, negociação sobre melhorias na Estrada União e Indústria, corredor de turismo (projeto do Petrópolis Convention & Visitors Bureau – PC&VB), reformulação do plano de saneamento básico e reformulação de critérios para licenciamento de grandes empreendimentos.

Novamosanta aponta falta de infraestrutura

De acordo com a Associação de Moradores e Amigos de Santa Mônica –(Novamosanta), existem hoje projetos de melhoramentos para o sistema viário dos distritos de forma a reduzir os engarrafamentos que a todos atinge. Tanto representantes da sociedade civil, da PMP como o DNIT têm proposições que devem ser discutidas e que certamente trarão uma melhora significativa nas condições de tráfego dos distritos. O problema é que as vias principais dos distritos estão sob a administração do DNIT (União Indústria, BR 495), Concer (BR 040) e DER-RJ (RJ 117) e essas entidades estão distanciadas dos problemas locais.

Ainda segundo o representante da associação, Roberto Penna Chaves, a prefeitura não quer se envolver nessas administrações por falta de recursos de pessoal e financeiros.

- Fica a PMP encarregada das antigas estradas de fazenda, que compõem o sistema viário secundário dos distritos. Essas vias secundárias são na sua maioria estreitas, sem calçadas e com as margens ocupadas, executadas com fina camada de asfalto de vida curta. Um projeto de expansão do sistema irá requerer, certamente, despesas vultosas de indenizações de moradias, o que dificulta enormemente a viabilização de um projeto, diz o representante.

Ele continua com a observação de que o problema é complexo e requer uma autoridade que possa coordenar essas entidades num projeto único visando a melhoria do escoamento do tráfego.

- A mídia terá um papel muito importante no sentido de ajudar a sociedade civil na pressão sobre as autoridades públicas para solucionar essa questão. Portanto não há planejamento adequado em vista da problemática acima descrita. Várias reclamações têm sido direcionadas à CPTrans, através de e-mails, e do COMUTRAN com nenhum efeito prático, reclama.

Questionado sobre o aumento no número de empreendimentos na localidade, o representante da Novamosanta é taxativo ao apontar a falta de infraestrutura para abrigar os inúmeros imóveis que vão surgindo.

- O trânsito dos distritos sofre com a expansão imobiliária acentuada que vem ocorrendo, sem a correspondente melhoria no sistema viário. Diz-se comumente que esse problema está ocorrendo no mundo inteiro devido, também, à produção de veículos. Sabemos disso, mas, nos distritos de Petrópolis o problema é gravíssimo, pois, de um lado temos a expansão de veículos, a expansão imobiliária e por outro lado temos a falta de coordenação e recursos para a melhoria e os condicionantes técnicos para implantação da infra-estrutura viária, ressalta.

Roberto ainda finaliza dizendo que a expansão imobiliária deve ser paralisada até que haja uma reavaliação da disponibilidade de infraestrura (viária, água, esgoto etc.). Para ele, essa é uma das bandeiras do Movimento Distritos de Petrópolis recém constituído.

- Finalmente temos que considerar que a falta de escoamento adequado na entrada e saída dos eventos no Parque de Exposição trazem desconforto considerável á população e comércio local devido á usual superlotação dos mesmos, conclui.

Entramos em contato com o Instituto Estadual do Ambiente, para saber os impactos que estão sendo verificados ao longo dos últimos anos, bem como se há riscos de degradação do mesmo, mas até o final desta edição, não obtivemos respostas.

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