segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Prefeitura do Rio estuda duas opções para reduzir engarrafamentos

03/08/2014 - O Dia - RJ

Rio - Até o fim do mês, a prefeitura vai bater o martelo sobre o futuro do trânsito na região central do Rio durante a implementação do Veículo Leve sobre Trilhos. Duas opções estão sendo estudadas: proibir totalmente a circulação de carros em algumas ruas da área das obras ou implementar o rodízio de veículos — como já ocorre em São Paulo — no Centro e Zona Portuária. Esta última é considerada a mais provável por técnicos ligados à Secretaria Municipal de Transportes.

Há ainda a possibilidade de que nenhuma restrição seja adotada e que os engarrafamentos sejam intensificados com a instalação dos trilhos do bonde moderno, que vai durar até o início de 2016.

Independentemente da opção adotada, o fato é que a ideia de ter que deixar o carro em casa provoca uma certa irritação em muitos cariocas. Entretanto, especialistas ouvidos pelo DIA defendem que medidas para restringir a circulação de carros são necessárias para dar mais espaço ao transporte público.

"Os carros já se transformaram em vício. Então, para reduzir o número de veículos nas regiões centrais não basta só investir em transporte público de qualidade. É preciso restringir o uso do automóvel, sim", afirma Nazareno Stanislau Affonso, mestre em mobilidade e urbanismo e coordenador nacional do Movimento pela Democratização do Transporte (MDT).

Segundo o especialista, a experiência de São Paulo com o rodízio, desde 1997, mostra que a população acaba aceitando bem a medida. "Quase 70% dos paulistas aprovam o rodízio segundo pesquisas", lembrou.

O superintendente da Associação Nacional do Transporte Público (ANTP), Luiz Carlos Néspoli, explica que os cariocas usam mais o transporte público do que os paulistanos, mas ainda assim é favorável ao rodízio na cidade também. "No Rio, 75% dos deslocamentos motorizados são por meio do transporte público. Em São Paulo, o percentual é de 51%", conta.

Néspoli explica que o rodízio nos moldes de São Paulo (proibição de placas com dois determinados dígitos no final por dia útil), reduz o fluxo de carros em 20%, mas, a longo prazo, perde um pouco do efeito, com famílias comprando mais carros para ter placas diferentes. Ele defende que é a medida mais fácil de ser aplicada para reduzir o número de carros nas ruas, pois a alternativa seria o pedágio urbano, que tem um controle mais complexo.

Rio Branco será ponto crítico

A prefeitura não confirma a área exata e nem quando o rodízio de carros pode ser aplicado, mas o andamento das obras de instalação dos trilhos do VLT dão as pistas. Segundo a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região Portuária (Cdurp), todas as frentes de obras serão iniciadas até dezembro, o que significa que as interdições viárias serão ampliadas neste período. O presidente da Cdurp, Alberto Silva, conta que as áreas mais críticas serão o entorno da Rio Branco, Sete de Setembro e Zona Portuária.

"Na Presidente Vargas, os trilhos vão apenas cruzar a avenida. Podemos trabalhar durante a noite e fechar os buracos com chapas durante o dia. Atrapalha, mas não fecha o trânsito todo", explica.

Em relação à Rio Branco, ele diz que é possível colocar os trilhos com a interdição de apenas algumas faixas, mas a decisão sobre a interdição é da Secretaria de Transportes. Procurada, a prefeitura não comentou o assunto.

Ao volante, opiniões estão divididas

Apesar de ter o apoio de especialistas em mobilidade, a medida está longe de ser unanimidade entre os motoristas que passam pelo Centro. O executivo Marcelo Gomes, de 28, é um dos críticos ao rodízio de carros.

"Sou totalmente contra. Fica impossível vir ao Centro, sem carro, de forma rápida. O transporte público é lotado e , no caso dos ônibus, demoram demais."

Para o motorista William Pimentel, de 42, quem podia deixar o carro em casa, já fez desde o início das obras no Centro. "A pessoa vem de carro para o Centro porque não tem outro jeito. Ninguém paga um estacionamento daqui à toa."

Já o colega de profissão Edmilson Silva, de 46 anos, apoia a iniciativa. "Há bastante restrição para carga e descarga enquanto para tráfego de carros de passeio nenhuma. O motorista particular sequer se preocupa em usar o carro com consciência. É muito comum ver automóveis com apenas um ocupante", avalia.

Ao dirigir pela Presidente Vargas, Walmir Proença diz perceber que não há mais como escapar da medida. "Sou a favor. O Rio está um caos".

Marcos Vinicius Quintão, de 34, discorda. "Ridículo. Não tem ônibus para quem trabalha até tarde e quem chega cedo, vem em transporte lotado", queixou-se.

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