segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Luxo de outros tempos: Dakota carioca guarda charme de um nobre Flamengo

Em estilo eclético, a construção de 12 andares foi inaugurada em 1931, numa época em que o Aterro do Flamengo ainda não existia e o chique era viver em casarões

19/10/2014 - O Globo


Dakota carioca. De estilo eclético e fechada escura, o Edifício Seabra é conhecido como Dakota carioca, - Ana Branco / Agência O Globo

RIO — As reações variam do estranhamento à admiração, mas não há quem passe pela Praia do Flamengo sem perder alguns instantes absorvendo os detalhes do edifício escuro, com base de granito, colunas e arcos, que se destaca na esquina com a Rua Ferreira Viana. Em estilo eclético, a construção de 12 andares foi inaugurada em 1931, numa época em que o Aterro do Flamengo ainda não existia e o chique era viver em casarões. Mas a monumentalidade e o luxo do edifício acabaram contribuindo para uma mudança de mentalidade entre as classes mais abastadas sobre o significado de morar bem.


LUXO . As paredes de um dos halls: pinturas de desenhos geométricos , com folhas de ouro, e lustres - Ana Branco / Agência O Globo

Encomendada pelo banqueiro e bem-sucedido industrial do ramo têxtil, o comendador português Gervásio dos Santos Seabra, a construção do prédio surpreendeu a cidade na época. Ele era casado com a italiana Assunta Grimaldi Seabra, que queria erguer um edifício ao estilo da Primeira Renascença, uma maneira grandiosa de aproximar a matriarca de suas origens.

— Dona Assunta era descendente de nobres, parente do príncipe Rainier, de Mônaco, e exigiu que as obras seguissem os moldes europeus. Foi então contratado o arquiteto italiano Mario Vodret — conta Maria Araujo, autora de "Palais Seabra/Edifício Seabra", publicação bilíngue de 2011, que conta a história do prédio e da família.

As obras começaram em 1930, e o prédio foi executado pela empresa J.A.Costa & Cia. Em sua construção foi usado pela primeira vez o granito nacional, mas boa parte do material empregado foi importada.


Art déco. O banheiro da cobertura, com mámores e vitrais - Ana Branco / Agência O Globo

— Embora suas linhas sigam o estilo Primeira Renascença, o prédio tinha detalhes modernos para a época. Foi o primeiro do Flamengo a ter incinerador de lixo — diz.

Se do lado de fora o prédio tem elementos arquitetônicos que colaboram para o aspecto sombrio, lembrando o edifício Dakota, em Nova York, no interior a delicadeza e a riqueza de detalhes impressionam. O hall divide-se em duas alas, com escadarias de mármore italiano de degraus amplos, e nas paredes há desenhos geométricos com aplicações em ouro. Lustres e arandelas em ferro batido dão um toque aristocrático aos ambientes.

— Dos 12 andares, os três últimos eram reservados à família Seabra, uma cobertura tríplex de dois mil metros quadrados. Para manter a privacidade, havia uma entrada exclusiva, na Rua Ferreira Viana, e um elevador privativo. No térreo, lojas, quartos de empregados e quatro vagas para carros também eram da família — conta a autora.

HERDEIROS VENDERAM COBERTURA EM 2012

Há cerca de dois anos, os andares nobres foram vendidos pelos herdeiros por cerca de R$ 7 milhões. Atualmente, a cobertura está em obras. Segundo moradores, a planta será modificada, e o imóvel, dividido. O local é tombado pela prefeitura desde 1995.

— No restante do prédio, temos quatro apartamentos por andar, num total de 38 unidades, entre 160 e 400 metros quadrados — diz Manuel Ruy da Silva, que trabalhou por mais de 40 anos com Nelson e Roberto, filhos de Assunta e Gervásio, e herdou um apartamento, onde montou seu escritório

 
 
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