quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Empresa quer construir calçada com piso colonial encontrado após escavações na Rio Branco

08/01/2015 - O Globo


RIO — O presidente da Companhia de Desenvolvimento da Região do Porto do Rio (Cdurp), Alberto Gomes Silva, disse, nesta quarta-feira, que, após avaliação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a empresa pretende usar os fragmentos de pisos antigos encontrados na Avenida Rio Branco, no Centro, durante escavações para a implantação do veículo leve sobre trilhos (VLT). A ideia, segundo Alberto Silva, é fazer trechos da calçada com o material — que pode ser de construções coloniais do século XIX —, instalando placas explicativas.

— Todas as intervenções (do Porto Maravilha) são precedidas de pesquisa arqueológica. É uma oportunidade de resgate da memória da região e da cidade — disse o presidente da Cdurp.

Marcela Andrade, técnica em arqueologia do Iphan, disse que o uso de material arqueológico encontrado durante as obras é uma das exigências feitas para que as intervenções possam ser realizadas:

— Não podemos mudar o traçado do VLT. Por isso, é importante conhecer o material encontrado e também que ele possa ser aproveitado para contar a história do local.

Alberto Silva disse que ainda não sabe o valor histórico do material encontrado nas escavações:

— O Iphan vai dizer a relevância do material.

Quando as primeiras escavações na Rio Branco revelaram fragmentos de pisos, alguns acharam que poderiam ser da antiga pavimentação do tipo pé de moleque. Segundo o historiador Nireu Cavalcanti, em alguns trechos da área escavada, o que se encontrou foram pedras resultantes de demolição, usadas para fazer o leito sólido da via.

Em outros pontos, como um próximo à Cinelândia, o material — que seria o piso de construções coloniais — está mais bem preservado e será retirado pela concessionária responsável pelo projeto. A obra conta com o apoio de uma empresa especializada em arqueologia e tem a supervisão do Iphan. Todo o trabalho está sob o comando de Erika Gonzalez, coordenadora-geral do Programa Arqueológico VLT do Rio.

Segundo Marcela Andrade, ainda se aguarda o estudo da equipe de Erika:

— Ainda não temos a avaliação sobre o tipo de material. Em alguns trechos, foram encontrados resquícios de residências. Existe ainda a possibilidade de o piso tipo pé de moleque ser encontrado.

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