quinta-feira, 28 de maio de 2015

Abandono ameaça raridade da arquitetura dos tempos coloniais Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/rio/abandono-ameaca-raridade-da-arquitetura-dos-tempos-coloniais-16283471.html#ixzz3bTsMWVyc

28/05/2015 - Extra

Mato alto cerca o entorno do casarão, que espera por obras

RIO — Último exemplar da arquitetura rural colonial ainda de pé na cidade, a Casa da Fazenda do Capão do Bispo, em Del Castilho, corre o risco de desaparecer da paisagem carioca. Tombada em 1947 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a construção, que pertence ao governo do estado, está sem reboco nas paredes, com telhado destruído e portas e janelas de madeira desgastadas. Segundo moradores do entorno, o local está completamente abandonado, e os cupins já atacaram as estruturas de madeira. Do lado de fora, o capim alto completa o cenário de esquecimento.
A casa pertenceu ao primeiro bispo do Rio de Janeiro, dom José Joaquim Justiniano Castelo Branco. Ela foi erguida no final do século XVIII em um capão — a parte mais alta de um terreno. Daí vem a origem do nome pelo qual a propriedade ficou conhecida. O terreno, que tem cerca de 250 metros quadrados, integrou no passado uma das primeiras fazendas disseminadoras de mudas de café para o interior. Com varanda na fachada e um pátio central — ambos com colunas toscanas de alvenaria —, o casarão reúne características típicas das edificações rurais setecentistas do entorno da Baía de Guanabara.

Segundo a historiadora Sheila Castello, do grupo SOS Patrimônio, trata-se de uma joia da arquitetura colonial. Mas sua situação é preocupante. Ela recorda que há cerca de quatro anos o governo estadual, com a promessa de restaurar o imóvel, retomou o casarão do Instituto de Arqueologia do Brasil, que havia instalado ali um centro de pesquisas.

'MILAGRE DO BISPO'

Desde então, reclama a historiadora, nada foi feito. O endereço foi incluído numa lista do SOS Patrimônio de cerca de 40 bens tombados do estado que sofrem com problemas de segurança, falta de manutenção ou mesmo total abandono.

— O estado retomou o edifício dizendo que iria restaurá-lo e dar novo uso ao casarão. Eles alegam que o local tem um vigilante, mas um só vigia naquele terreno imenso não vai impedir invasões — alerta.

Ondemar Dias, presidente do Instituto de Arqueologia, diz que o fato de o edifício estar fechado desde a saída do órgão deve ter agravado a situação:

— Mesmo com pouco dinheiro, fizemos algumas obras lá. Mas agora, com ele vazio, se não caiu, deve ser por milagre do bispo.

Em nota, a Secretaria estadual de Cultura voltou a afirmar que vai restaurar o "único exemplar remanescente na cidade da arquitetura rural colonial." A licitação, de acordo com o órgão, está sendo elaborada pela Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop). A data de começo da reforma não foi informada. De acordo com a secretaria, a intenção é transformar o lugar num espaço para residências artísticas e de fomento à economia criativa na região.



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