domingo, 10 de abril de 2016

Livro traz uma narrativa visual dos tempos do estado da Guanabara


Publicação com 300 fotos retrata a rotina de autoridades, obras e eventos da época
   
POR LUDMILLA DE LIMA 

10/04/2016 - O Globo

Obra de alargamento da Atlântica, em 1969 - livro No tempo da Guanabara / Reprodução

O governador Carlos Lacerda gostava do contato permanente com jornalistas, como comprovam as fotografias oficiais do antigo estado da Guanabara, que existiu entre 1960 e 1975. Já Negrão de Lima, seu sucessor, tinha o costume de receber no Palácio Guanabara a classe artística e, numa foto, ele aparece com um grupo que reivindicava o fim da censura. A personalidade do governador Chagas Freitas pode ser mais bem entendida a partir de imagens que revelam os encontros frequentes que ele mantinha com comunidades religiosas, da umbanda ou judaica, devidamente registrados por profissionais das lentes.

Esse material fotográfico faz parte de um acervo, guardado no Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, que ajuda a contar como era o dia a dia palaciano e a vida naquela época. Cerca de 300 imagens foram selecionadas por historiadores e estão no livro “Nos tempos da Guanabara — Uma história visual” (Bazar do Tempo/Edições de Janeiro), que acaba de chegar às livrarias. As fotos vêm com textos contextualizando os fatos.

— O livro não trata apenas dos acontecimentos políticos e das formas de governar. Ele apresenta um pouco a cidade por meio de obras públicas, eventos e tudo que o governo acompanha nesse período — afirma Paulo Knauss, professor de história na UFF, diretor do Museu Histórico Nacional e organizador da obra.

Crianças diante da Estátua da Liberdade - livro O tempo da Guanabara / Reprodução

Assinam o livro a doutora em história pela UFF e especialista em política do Rio Marly Motta e a também doutora em história e professora da UFF Ana Maria Mauad. Entre as fotos curiosas, está uma do cantor Roberto Carlos jovem, de cabelos cacheados, medalhão no peito e calça boca de sino sendo recebido por Chagas Freitas. Numa outra, o político aperta as mãos de uma pessoa vestida de leão, durante um encontro com personagens da Disney. Tem também o poeta Manuel Bandeira visitando Negrão de Lima.

Mas a publicação vai além dos limites da sede do poder em Laranjeiras. Uma foto mostra a Vila Kennedy no seu começo, sem calçamento, com crianças brincando descalças no chão de terra, em volta da réplica da Estátua da Liberdade. Era o governo de Carlos Lacerda, quando o Parque do Flamengo, também presente no livro, virou realidade. Outra obra apresentada é o alargamento da Avenida Atlântica: a imagem mostra operários sob o sol, nas areias da Praia de Copacabana.

A maioria das fotos, feitas no mundo analógico, não tem créditos. Os autores pedem aos leitores que ajudem a identificar esses profissionais.



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