domingo, 12 de fevereiro de 2017

O inferno astral do Rio: como a astrologia vê a crise

12/02/2017 - O Globo

Apontamentos sobre cenário da cidade ‘que naufragou nos mares de Netuno e acorda com o tsunami da realidade’

Vista de parte da Zona Sul do Rio Foto: Hudson Pontes / Agência O Globo
Vista de parte da Zona Sul do Rio Foto: Hudson Pontes / Agência O Globo

RIO - Violência no asfalto, guerra nas favelas, protestos na Assembleia Legislativa. Servidores sem salários, Uerj sem recursos, Hospital Pedro Ernesto na UTI. Em situação de calamidade pública, um governador viaja a Brasília com o pires na mão, enquanto seu antecessor está atrás das grades. Como se o poço — não de petróleo, com queda brutal na arrecadação — não tivesse fundo, ainda paira no ar a ameaça de greve da Polícia Militar. E parece difícil que Luiz Fernando Pezão, cassado esta semana com seu vice — cabe recurso no Tribunal Superior Eleitoral —, encontre uma saída para a tragédia que não anteviu.

Seis meses após a Olimpíada, com o Maracanã e o Parque Olímpico abandonados, o enredo soa inverossímil na cidade que realizou os Jogos há tão pouco tempo. Para astrólogos, porém, a crise está em sintonia com o ciclo dos astros. A pedido do GLOBO, Claudia Lisboa, Lilian Fontes e Marcia Ismerio, referências no conhecimento milenar que arrebatou gênios como o astrônomo Johannes Kepler, o psicólogo Carl Jung e o poeta Fernando Pessoa, fizeram o mapa astral do Rio, considerando o momento em que Estácio de Sá entrou com suas caravelas e quase 200 patrícios na Baía de Guanabara, na chuvosa manhã de 1º de março de 1565, por volta das 11h49m, quando a maré subiu.

— Pelo mapa vemos que o Rio é uma cidade muito pisciana. Temos o Sol em peixes, a Lua, Mercúrio e Plutão também, uma rara combinação. Peixes tem a ver com intuição, imaginário, fantasia, e é regido por Netuno. É como se a cidade fosse uma sereia, que seduz, mas não se entrega, promete, mas não cumpre — afirma Claudia, mentora de muitos astrólogos. — Essa fantasia de cidade atingiu seu ápice durante a Olimpíada, quando tínhamos Netuno exatamente no meio do nosso céu. O Rio naufragou nos mares de Netuno e está acordando com o tsunami da realidade.

Netuno, deus dos oceanos na mitologia grega — nebuloso, romântico, traiçoeiro —, entrou em peixes em 2012, segundo a astrologia, e só sairá no início de 2025: até lá, ainda vamos “juntar os cacos da tsunami”, diz Claudia. Netuno leva 164 anos para dar a volta no Sol e completar as 12 Casas do Zodíaco. A última vez que o planeta entrou em peixes foi entre 1848 e 1849.

— Seria interessante ver o que aconteceu no Rio — ela sugere.

Curioso: em 1849 a febre amarela invadiu a cidade, dando início a um sofrimento que atravessou o Império e só foi controlada meio século depois. Morreram 60 mil pessoas no Rio.

— Netuno é também o caos, e peixes, o obscuro, um mundo indefinido — afirma Lilian Fontes, doutora em comunicação e cultura pela UFRJ, autora de romances e biografias. — Mas também temos Plutão em quadratura com Urano. É tempo de mudança no mundo e do fim de utopias. Tivemos a morte de Fidel Castro, a eleição de Donald Trump, investigações por todos os lados, da Lava-Jato à corrupção na Fifa. Do caos podem surgir novas formas de governo.

Por falar em corrupção, outra curiosidade na relação dos astros com a cidade: o ascendente do Rio é gêmeos, signo regido por Mercúrio — na mitologia grega, deus dos ladrões.

Com mestrado em ecologia social pela UFRJ, Marcia Ismerio espera mudanças em 2020, quando Júpiter entrará em capricórnio, juntando-se a Saturno e a Plutão.

— Capricórnio é poder, decisão, faxina. Só vai sobrar o essencial — afirma. — Peixes é a última das 12 Casas do Zodíaco: é o fim, mas também o recomeço. Desse ciclo virá outro. Não tenha dúvida: a cidade vai se regenera

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