Paes compra fazenda histórica em Jacarepaguá para transformar em parque público


02/02/2026 - O Globo

Após três décadas de tentativas, propriedade do século XVIII será convertida em complexo de lazer e cultura


O prefeito Eduardo Paes visitou a Fazenda da Taquara, antes do anúncio da compra
Foto: Reprodução/Instagram


O prefeito Eduardo Paes oficializou a compra da Fazenda Baronesa, construção histórica do século XVIII situada em Jacarepaguá. O anúncio foi feito nas redes sociais do prefeito no último sábado (31). Após três décadas de tentativas, o prefeito do Rio confirmou a transformação da propriedade no futuro Parque Taquara Fazenda Baronesa, um complexo público de lazer, cultura e preservação ambiental.

A aquisição visa a resgatar a memória da Zona Sudoeste da cidade. Segundo o prefeito, o local será um espaço de uso comum, comparável a parques tradicionais como a Quinta da Boa Vista e o Parque Lage.

— Jacarepaguá vai ganhar o Parque Taquara Fazenda Baronesa. Prometi que ia transformar a fazenda num lugar público para os cariocas e, após três décadas, vencemos as questões burocráticas para adquirir o local — afirmou Paes em suas redes sociais, ressaltando que o projeto busca valorizar a história local através do lazer e da preservação.

Erguida na segunda metade do século XVIII, a fazenda é um exemplar da arquitetura rural do Brasil Colônia e do período neoclássico. O complexo inclui a sede com avarandado, a Capela da Exaltação da Santa Cruz e o Engenho da Taquara, um dos mais antigos da cidade.

O imóvel abriga relíquias como um quadro de quase três metros atribuído ao pintor Leandro Joaquim e mobiliário do período imperial, além de estar inserido em uma Área de Proteção Ambiental (APA) desde 2002.

Conheça as construções e os ambientes internos da Fazenda da Taquara




Alexandra Gonzalez, fundadora da Casa de Cultura de Jacarepaguá, que promove passeios guiados pela região, lamenta que as visitas à Fazenda Baronesa, também conhecida como Fazenda da Taquara, tenham sido suspensas em 2025, por decisão da família à qual a propriedade pertencia, e espera que agora, com a compra do imóvel pela prefeitura, elas sejam retomadas.

— A fazenda carrega a memória da economia do açúcar e da história de milhares de pessoas escravizadas que construíram a riqueza do território. Jacarepaguá foi uma das regiões com maior concentração de população escravizada da cidade do Rio de Janeiro no século XIX, conforme registros históricos da época. Essa dimensão precisa ser reconhecida, estudada e incorporada de forma educativa ao projeto de visitação — defende ela.

A implementação do parque exigirá acompanhamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), devido ao tombamento realizado em 1938 e ao alto potencial arqueológico do terreno. Entre as intervenções previstas pela prefeitura estão a criação de um centro cultural, uma biblioteca e uma unidade da Nave do Conhecimento.

Segundo a Subprefeitura de Jacarepaguá, ainda não existe um projeto definido para o local, mas seu desenho será concebido com a participação de uma comissão de moradores da região. Alexandra Gonzalez pretende participar.

— Nossa expectativa é acompanhar de perto esse processo e reivindicar a inclusão das lideranças comunitárias e instituições culturais nas discussões sobre o futuro do espaço — diz.